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Luiz Fara Monteiro
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Brasil é vice-líder em número de aeroportos, mas voa menos do que deveria

Relatório anual de segurança da IATA traça panorama global da aviação civil

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A IATA divulgou relatório anual de segurança aviação com dados de 2025.
  • Brasil possui mais de 2.400 aeroportos, mas baixa taxa de voos per capita, comparável à da China.
  • Condição do transporte aéreo no Brasil reflete desigualdade de renda e acesso, apesar da infraestrutura robusta.
  • Segurança da aviação pode ser usada para aumentar a confiança e democratizar o acesso ao transporte aéreo no país.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Relatório: celebração e sinal de alerta para o Brasil BH Airport

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) divulgou seu relatório anual de segurança referente a 2025, consolidando dados de 38,7 milhões de voos comerciais realizados ao redor do mundo.

Com uma taxa de 1,32 acidente por milhão de voos e apenas 51 ocorrências em toda a aviação comercial global, o relatório evidencia a robustez de um sistema que transportou mais de 4,5 bilhões de passageiros em um único ano.

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Em dias de pico, mais de 130 mil aeronaves operam simultaneamente ao redor do mundo.

Para Luiz Moura, especialista em turismo corporativo, membro do Conselho de Turismo da Fecomércio SP e cofundador da VOLL (plataforma de gestão de viagens corporativas), os dados do relatório são ao mesmo tempo uma celebração e um sinal de alerta para o Brasil.

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“Dados como esses nos mostram como a aviação comercial é um dos maiores feitos da engenharia humana aplicada à mobilidade. Cada acidente investigado vira protocolo e protege milhões de pessoas. É um ciclo de melhoria contínua que não existe em nenhum outro modal de transporte”, afirma.

Por outro lado, ele destaca que, ao cruzar esse panorama global com a realidade brasileira, o contraste se torna evidente. Isso porque o Brasil é o segundo país do mundo em número de aeroportos, com mais de 2.400 unidades, atrás apenas dos Estados Unidos.

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Apesar disso, sua taxa de penetração aérea, medida pelo número de voos per capita ao ano, é de aproximadamente 0,47, comparável à da China.

“A comparação chama atenção porque, embora o Brasil disponha de uma das maiores infraestruturas aeroportuárias do mundo, o acesso ao transporte aéreo permanece restrito, em nível compatível ao de um país com população seis vezes maior e dinâmica de mobilidade completamente distinta”, avalia.

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O especialista destaca que o contraste com mercados de países menores chama ainda mais atenção. O Chile, com menos de 10% da população brasileira e cerca de 80 aeroportos comerciais, apresenta taxa de penetração de aproximadamente 1,15 voo per capita ao ano, mais que o dobro do Brasil.

O México, com metade da população brasileira, registra taxa de 0,73. Na Europa, países como Holanda, Suíça e Noruega superam 3 voos per capita ao ano, com populações entre 5 e 18 milhões de habitantes.

“O Brasil construiu uma das maiores redes aeroportuárias do planeta. Mas uma parcela muito pequena da população tem acesso real a esse modal. Isso não é só um problema de infraestrutura. É um indicador de desenvolvimento, de concentração de renda e de quanto ainda há para crescer”, observa Moura.

Na avaliação do especialista, os dados de segurança da IATA são um argumento poderoso para acelerar a democratização do transporte aéreo no Brasil e na América Latina.

“Quando a gente fala em ampliar o acesso à aviação, além do limitado poder de compra da população, um dos maiores obstáculos que encontramos é o medo. E o medo, muitas vezes, é alimentado pela desinformação. Os números da IATA mostram que a chance de estar em um voo que termine em acidente é de 0,00013%. Isso é quase zero. Precisamos usar esses dados para construir confiança e expandir o mercado”, defende.

A América Latina registrou em 2025 uma taxa de 2,38 acidentes por milhão de voos, acima da média global de 1,32, o que indica espaço significativo de melhoria regional. Para Moura, melhorar esses indicadores exige investimento em padronização de procedimentos, formação de tripulações e adoção de padrões internacionais.

“A segurança não é um custo. É a base sobre a qual toda a indústria se sustenta. E é também o argumento mais poderoso para convencer mais pessoas e empresas a voarem mais”, conclui.

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