Logo R7.com
RecordPlus
Luiz Fara Monteiro
‌

Comandante da Air France cita poluição causada por aviões e anuncia abandono da carreira

“Minha demissão não salvará o planeta, mas minhas convicções não estão mais alinhadas à essa profissão”, escreveu o piloto

Luiz Fara Monteiro|Luiz Fara MonteiroOpens in new window

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Comandante Anthony Viaux: renúncia à aviação Arquivo pessoal

Uma forte (dor na) consciência ecológica fez um comandante da Air France pedir demissão e renunciar à sua profissão após 20 anos de carreira na aviação. A convicção de Anthony Viaux se fortaleceu depois de 2 anos sabáticos, quando amadureceu a ideia e percebeu que não conseguiria mais justificar a poluição criada pelas aeronaves que pilotava.

“Eu realmente amei trabalhar na air France. Mas hoje sinto a necessidade urgente de me realinhar com minha bússola interna, que me diz que minhas convicções não estão mais alinhadas com esta profissão”, escreveu Viaux em seu perfil no Linkedin.

‌

As emissões da aviação são um contribuinte significativo para as mudanças climáticas. Os aviões queimam combustível fóssil, o que não só libera emissões de CO2 devido aos óxidos de nitrogênio (NOx), rastros de vapor e formação de nuvens desencadeados pela altitude em que as aeronaves operam. Cientistas afirmam que os efeitos não-CO2, provocados pela aviação, contribuem duas vezes mais para o aquecimento global do que o CO 2 dos aviões. E foram responsáveis ​​por dois terços do impacto climático da aviação em 2018.

“Estou ciente que minha renúncia não salvará o planeta, claro, mas eu não conseguiria mais queimar milhares de litros de querosene [de aviação] cada vez que eu fosse trabalhar”, justificou o comandante.

‌

Nem mesmo os esforços do setor de aviação, que tem criado jatos cada vez menos poluentes, investido na pesquisa e produção de SAF (sigla em inglês para Combustível Sustentável de Aviação), além da adoção de práticas de reciclagem de produtos utilizados a bordo, foram suficientes para impedir a decisão de Anthony Viaux.

“Hoje em dia, cada voo e sua magia têm um preço alto, os tanques do meu Airbus não estão cheios de palavras ou sonhos, mas de combustível, destinado a ser queimado”.

‌

O piloto citou as metas da indústria para o aumento da frota de aviões nas próximas décadas e defendeu ações urgentes em benefício do meio ambiente:

“Porque percebo cada vez mais que a emergência ecológica é agora”.

‌

Viaux promete registrar suas experiências em livro, enquanto mergulha em seu novo estilo de vida.

“Agora estou voando para outros horizontes: naturopatia, música, escrevendo um ensaio sobre minha experiência como piloto em relação à minha consciência ecológica, e produzindo um podcast (“Health by nature”).

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas

‌

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.