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Luiz Fara Monteiro

Crise nos aeroportos expõe riscos nas viagens corporativas e reforça papel da LGPD

Especialistas alertam que os riscos nas viagens corporativas vão além da logística e passam também pela integridade do colaborador e pela proteção de dados pessoais

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Episódios extremos evidenciam fragilidades na gestão de viagens Divulgação Voetur

A onda de atrasos e cancelamentos registrada nos principais aeroportos brasileiros na última semana, com mais de 400 voos impactados em São Paulo após ventos de até 80 km/h e remanejamentos em cadeia na malha aérea, reacendeu a preocupação das empresas com a segurança e a previsibilidade das viagens corporativas. O episódio evidenciou fragilidades em operações que dependem de deslocamentos frequentes e mostrou que, diante de cenários extremos, o gerenciamento de risco deixa de ser diferencial e passa a ser exigência básica de governança.

Especialistas em gestão de viagens corporativas observam que a imprevisibilidade climática e operacional tende a crescer. Cancelamentos, reacomodações lentas, jornadas ampliadas e perda de conexões podem comprometer agendas estratégicas e gerar impacto direto na integridade física e emocional do colaborador em trânsito, especialmente quando há falhas na cadeia de comunicação entre fornecedores, empresa e viajante.


Para Dalva Camargo, Diretora de Operações da Voetur Viagens, o episódio reforça a necessidade de estruturas organizadas de resposta. “As empresas precisam assumir que crises aeroportuárias não são exceção; elas fazem parte do cenário operacional. Quando isso ocorre, somente políticas claras de viagem, ferramentas de monitoramento e protocolos de ação imediata garantem a continuidade das operações e a segurança do viajante”, afirma.

Além dos riscos logísticos, a crise recente expôs outro ponto sensível: o tratamento de dados pessoais durante situações de remarcação ou atendimento emergencial. Documentos, contatos, itinerários e informações corporativas circulam entre múltiplos agentes, o que aumenta o risco de uso indevido ou falhas de segurança. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) determina que empresas mantenham controle e rastreabilidade sobre o tratamento dessas informações, mesmo quando terceiros participam da operação.


Para Renato Salles, DPO do Grupo Voetur, a adequação à LGPD deve estar integrada à rotina de viagens de negócios. “A proteção de dados do viajante precisa ser tratada como prioridade estratégica. Em momentos de crise, a circulação de informações pessoais tende a aumentar, e é justamente nessas situações que os controles de segurança e governança mostram sua importância”, explica.

Segundo ele, a conformidade não se limita a políticas internas. “É essencial que toda a cadeia envolvida, companhias aéreas, hotéis, TMCs e fornecedores internacionais, opere com padrões compatíveis de privacidade e compliance. A empresa continua responsável pelos dados do colaborador durante todo o ciclo da viagem”, reforça.


A Voetur Viagens aponta, em análises recentes, que práticas como mapeamento de riscos regulatórios, presença de DPO atuante, auditorias periódicas, matriz de riscos integrada ao programa de viagens e protocolos de gestão de crise são essenciais para organismos que dependem de deslocamentos constantes. Tecnologias de análise preditiva e monitoramento em tempo real também elevam a capacidade de resposta das empresas.

Dalva Camargo destaca que a evolução do setor exige mudança de mentalidade. “Quando a organização enxerga a viagem como parte da estratégia de negócios, a gestão de risco deixa de ser reativa. Ela se torna preventiva, mensurável e alinhada aos princípios da LGPD. Esse movimento reduz custos, protege o viajante e fortalece a tomada de decisão”, afirma.


Especialistas ressaltam que a mitigação de riscos depende menos de ações pontuais e mais do alinhamento entre políticas internas, tecnologia, fornecedores qualificados e compliance regulatório. A crise recente nos aeroportos reforça que a capacidade de reação empresarial diante de imprevistos é hoje um elemento-chave para preservar tanto a integridade do colaborador quanto a continuidade operacional.

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