Doação brasileira levada em voo cargueiro para palestinos está retida no Egito
As trinta toneladas de refeições desidratadas transportadas em voo da Lufthansa estão avaliadas em quase R$ 2 milhões e ainda não chegaram ao destino, apesar do frete pago pelas autoridades brasileira
Luiz Fara Monteiro|Luiz Fara Monteiro e Luiz Fará Monteiro

O governo brasileiro pagou cerca de R$ 500 mil para a companhia aérea Lufthansa fazer o transporte dos alimentos. Só que ainda não se sabe quando a mercadoria será, de fato, levada para Al-Arish, a 330 km do Cairo, onde as doações humanitárias que chegam ao Egito estão concentradas. Esta cidade fica a aproximadamente 50 km da fronteira egípcia com a Faixa de Gaza. Os quatro envios anteriores de doações de Brasília foram transportados por aviões da Força Aérea Brasileira.
Segundo informa Vinicius Assis, correspondente da RFI no Egito, as 30 toneladas de refeições desidratadas já foram descarregadas. Os alimentos estão em um depósito no aeroporto internacional do Cairo aguardando a liberação das autoridades egípcias. A doação veio em duas viagens. O primeiro avião, trazendo pouco mais de 20 toneladas de alimentos em 37 pallets do aeroporto internacional de Guarulhos, pousou no Cairo na madrugada de segunda-feira (15), pelo horário local. A segunda remessa foi de quase 10 toneladas e chegou na capital egípcia na quarta-feira (17), acondicionada em 17 pallets, uma espécie de estrado, utilizado em atividades aduaneiras para auxiliar na movimentação das cargas.
Por que a demora?
A Agência Brasileira de Cooperação (ABC) enviou a doação antes de ter a resposta do pedido de isenção aduaneira, já que se trata de uma doação. O processo envolve a organização Crescente Vermelho no Egito, que, segundo uma fonte do aeroporto onde a mercadoria desembarcou, precisa apresentar documentos que até então não tinham sido entregues. Desde ontem, a organização não retorna o contato da reportagem. Assim que liberados, os alimentos seguirão em caminhões para Al-Arish.
Desde o início do conflito que já matou mais de 24 mil pessoas, centenas de aviões com ajuda humanitária vieram para o Egito com doações que se acumulam no país. Segundo o presidente do serviço de inteligência egípcio, Diaa Rashwan, desde o início da guerra, em 7 de outubro, cerca de 9 mil caminhões cruzaram esta fronteira levando 50 mil toneladas de alimentos, 20 mil toneladas de água, 11 mil toneladas de materiais de socorro, 7 mil toneladas de medicamentos, mil tendas e materiais de subsistência, apesar dos obstáculos.
'Teimosia' e obstáculos de Israel
Rashwan afirmou que o maior obstáculo à entrada de ajuda e à rápida chegada dos produtos em quantidades suficientes aos “irmãos palestinos em Gaza” tem sido “a teimosia intencional das autoridades ocupantes israelenses”, que atrasam a inspeção dos carregamentos antes de permitir a sua passagem para o lado palestino, por causa do seu controle militar sobre o território da Faixa de Gaza”.
Por conta dos bombardeios israelenses, a estrada perto da fronteira foi danificada, forçando os caminhões que entram no território sitiado a percorrer um caminho bem mais longo, onde esperam por inspeção e liberação do Exército de Israel.
Egito rebate acusações israelenses
O presidente do serviço de inteligência egípcio ainda reforçou que a fronteira de Rafah, que tem dois portões (um do lado palestino e outro do lado egípcio) não foi fechada em momento algum do lado egípcio durante o conflito, rebatendo as recentes acusações de Israel.
O governo israelense tentou se defender no Tribunal Internacional de Justiça da acusação de cometer genocídio em Gaza, em uma ação movida pela África do Sul. A estratégia de Israel era tentar culpabilizar o Egito por um suposto fechamento da fronteira.














