Tragédia com helicópteros no Rio pode ter sido ‘falta de atenção’ de comandantes, diz especialista
Investigação analisará condições operacionais e fluxo de tráfego aéreo, afirma consultor internacional, José Carlos Más
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A colisão entre dois helicópteros no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio de Janeiro — um Eurocopter AS350 B2 de matrícula PR-DJJ e um Bell 206B, matrícula PP-MAC — terminou em tragédia na manhã deste domingo (14).
As aeronaves se chocaram no ar e caíram em um terreno utilizado como estacionamento de uma concessionária de carros elétricos, na Avenida das Américas, provocando explosões, incêndio e a morte de seis pessoas.
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Segundo informações iniciais do Corpo de Bombeiros, um dos helicópteros caiu diretamente sobre o pátio de veículos, atingindo dezenas de carros, enquanto a outra aeronave caiu a poucos metros do primeiro ponto de impacto.
Especialista em aviação elétrica, piloto e consultor internacional, José Carlos Más afirma que ainda é cedo para apontar as causas exatas da colisão, mas explica que a investigação deverá analisar desde as condições operacionais até a coordenação do tráfego aéreo na região.
“É muito primário falar alguma coisa sobre os motivos da colisão. A investigação será longa e muito detalhada para entender os reais motivos desse acidente fatal”, afirma.
De acordo com o especialista, as condições climáticas no momento do acidente eram consideradas favoráveis para o voo, o que diminui a possibilidade de fatores meteorológicos terem contribuído diretamente para a tragédia.
“O tempo estava tranquilo, com visibilidade possível para operação de pouso e decolagem. São aeronaves que voam visualmente e também por instrumento. Muito pouco provável que as duas aeronaves tenham entrado em situação de pane ao mesmo tempo”, explica.
José Carlos Más também destaca que o crescimento do tráfego aéreo na capital fluminense pode ser um dos pontos observados durante as investigações conduzidas pelo Seripa 3, órgão responsável pela investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.
“Talvez o que a investigação indique seja algum conflito na coordenação do tráfego aéreo ou até um momento de falta de atenção de um dos comandantes. O fluxo de helicópteros no Rio de Janeiro aumentou muito nos últimos anos, principalmente nessa região”, pontua.
Os dois helicópteros envolvidos no acidente eram modelos conhecidos da aviação civil e amplamente utilizados em operações executivas.
“Eram aeronaves consagradas no mundo inteiro, totalmente registradas na ANAC, com certificados de aeronavegabilidade adequados e aptas para voo”, ressalta.
Para o especialista, a colisão aérea é considerada uma ocorrência rara, especialmente em áreas urbanas com grande monitoramento operacional.
“É uma situação totalmente incomum, muito rara de acontecer. Após a colisão, as aeronaves vieram ao solo e houve o incêndio provocado pelo combustível das aeronaves e também dos veículos atingidos”, conclui José Carlos Más.
As causas do acidente serão investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Até o momento, as identidades das vítimas não haviam sido oficialmente divulgadas.
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