Especialista vê omissão da Anac na crise da Itapemirim
Advogada especializada em direito de viajantes critica pouca ação da Agência Nacional de Aviação Civil
Luiz Fara Monteiro|Do R7

Especialista em direito do turismo, Luciana Atheniense, que há mais de duas décadas atua na defesa dos viajantes, se diz perplexa com a situação que os clientes da companhia Itapemirim estão enfrentando neste momento em que a empresa suspendeu suas atividades, deixando milhares de pessoas no prejuízo.
“É lamentável que neste momento de retomada do turismo, e com a proximidade das festas de fim de ano e férias, uma companhia aérea cause tantos transtornos e prejuízos aos consumidores”, lamenta Luciana.
A advogada também lembra que é importante entender como se deu o processo de concessão da companhia: “Precisamos questionar quais foram as garantias e condições que permitiram que esta empresa recebesse a autorização para operar no país, e cobrar dos órgãos reguladores algumas respostas”.

Em relação aos direitos dos passageiros que tiveram seus voos pela Itapemirim cancelados, a advogada alerta sobre o papel da Anac neste momento: “A Anac não pode simplesmente pedir aos consumidores que acessem a plataforma consumidor.gov.br e aguardem uma solução. Já constatamos que a companhia não está respondendo devidamente aos clientes.
Na última segunda-feira (20), o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, disse que um gabinete de crise foi montado com o objetivo de acomodar, quanto antes, os passageiros prejudicados pela empresa. E saiu em defesa da Agência Nacional de Aviação Civil ao afirmar que sem a Anac “o problema poderia ter sido mais grave”.
A Itapemirim anunciou a suspensão de suas atividades, mas não abriu nenhum canal de comunicação com os consumidores. Isso é preocupante! Os passageiros precisam de uma solução rápida e satisfatória, principalmente porque estamos em um período de festividades, com retomada do turismo pós-pandemia”, afirma Luciana Atheniense.
A Itapemirim alegou que a paralisação tem caráter temporário, “para uma reestruturação interna”. A companhia, que começou a voar em 29 de junho deste ano, orientou os clientes com passagens compradas para os próximos dias a não irem ao aeroporto antes de contatar a empresa pelo email falecomaita@voeita.com.br.
Mas passageiros com voo marcado para os feriados de Natal e Ano-Novo, por exemplo, alegam que, mesmo enviando email no dia em que a ITA anunciou a suspensão temporária das operações, ainda não receberam resposta.
A advogada Luciana Atheniense também cobra posicionamento da empresa perante o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor: “Os consumidores estão ansiosos por uma resposta da empresa ao DPDC em relação aos danos. Não basta termos a lei que repara se, de fato, a empresa não cumpre”.














