Ex-diretor da ANAC critica proposta para retomar movimento no Galeão
Especialista em Direito Aeronáutico, Ricardo Fenelon aponta que a limitação de passageiros é equivocada e pode elevar o valor das passagens
Luiz Fara Monteiro|Do R7
Na última semana o governo federal anunciou que pretende retomar o protagonismo do Aeroporto Internacional Tom Jobim - o Galeão - no Rio de Janeiro.
O ministro dos Portos e Aeroportos, Márcio França, afirmou que o Aeroporto Santos Dumont, no centro da cidade, sofrerá uma redução na movimentação de voos, e ficará limitado a 10 milhões de passageiros por ano.
De acordo com o ministro, o maior aeroporto do Rio de Janeiro vem perdendo passageiros a cada ano, enquanto o Santos Dumont, que não recebe voos internacionais, opera no limite de sua capacidade, o que gera filas e atrasos.
Para o ex-diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), Ricardo Fenelon, do ponto de vista técnico é difícil imaginar uma solução melhor do que a concessão conjunta à iniciativa privada dos 2 terminais.
"Simplesmente limitar o Santos Dumont em vez de realizar investimentos em infraestrutura e gestão, não parece ser a escolha acertada, e a razão é simples: os mais de 10 milhões de passageiros que o Galeão perdeu desde 2014 não foram para o Santos Dumont, que permaneceu praticamente com o mesmo número de passageiros. Ou seja, limitar o SDU não trará de volta esses passageiros para o Galeão"
Fenelon continua:
"Infelizmente, o que provavelmente acontecerá, é que ficará mais caro voar para o Santos Dumont e teremos ainda menos pessoas voando para o Rio de Janeiro", afirma o especialista.
Para o especialista, essa análise precisa ser realizada sob o ponto de vista técnico: "é preciso entender o que aconeceu no mercado nos últimos anos. Hoje a Azul, por exemplo, que tem aproximadamente um terço do mercado doméstico, tem HUB em Viracopos, Confins e Recife, inclusive com voos internacionais. Em 2014 a Azul tinha aproximadamente 17% do mercado. A LATAM, desde a fusão de LAN e TAM, vem focando HUB em Guarulhos. A GOL nos últimos anos também fez movimentos em Fortaleza e Brasília com o início dos voos internacionais com o [Boeing 737] MAX e parcerias com a Air France/KLM. O ponto é que é impossível discutir a questão do Rio de Janeiro a partir dessa dicotomia Galeão versus Santos Dumont, seria um tremendo equívoco", explica Ricardo Fenelon.
O assunto será discutido novamente em reunião entre o ministro Ricardo França, o governador do Rio, Claudio Castro, e o prefeito, Eduardo Paes. O encontro está marcado para 24 de abril.














