Funcionários de distribuidora de refeições para aéreas em Los Angeles relatam ambiente insalubre com mofos, larvas e baratas
Denúncia partiu de sindicato contra empresa de catering que possui 19 instalações nos EUA e prepara 120 milhões de refeições anualmente para mais de 75 companhias aéreas

Funcionários de um centro de processamento de alimentos para companhias aéreas em Los Angeles registraram uma queixa alegando que estão sendo forçados a trabalhar em condições insalubres e inseguras dentro das instalações. Na denúncia, eles relataram exposição a larvas, mofo, baratas e outras pragas enquanto trabalham na preparação de alimentos.
O premiado Flying Food Group possui 19 instalações de catering nos Estados Unidos, preparando 120 milhões de refeições anualmente para mais de 75 companhias aéreas. Esta é a mais recente de uma série de reclamações apresentadas contra sua filial em Inglewood, no Sudoeste de Los Angeles, onde refeições abastecem várias companhias aéreas em grandes Hubs, como o Aeroporto Internacional de Los Angeles (LAX).
Os funcionários relataram ter visto o que descreveram como larvas, mofo, baratas e outras pragas nas instalações, além de problemas relacionados ao calor extremo e à falta de sabão e toalhas de papel. O Sindicato UNITED HERE Local 11 apresentou uma queixa à Divisão de Segurança e Saúde Ocupacional da Califórnia (Cal/OSHA) em nome dos trabalhadores, alegando que as condições poderiam colocar os funcionários em risco, como informa reportagem da KTLA.
A denúncia descreveu um incidente ocorrido em junho passado, quando um funcionário teria aberto carrinhos de refeições da companhia aérea que estavam parados há muito tempo. As fotos dos pratos parecem mostrar comida em decomposição, repleta de mofo, moscas e larvas.
“É inacreditável a quantidade de mofo, o quão repugnante é”, disse Sunan Minato, copresidente do UNITE HERE Local 11.
A funcionária teria sugerido que os pratos fossem jogados fora, mas disse que um supervisor lhe disse para lavá-los, pois precisavam ser usados em um voo próximo.
Ao manusear o “material nocivo”, a trabalhadora relatou ter sentido “dor de estômago, dor de cabeça e uma sensação estranha no nariz”, pois não lhe foi fornecida máscara ou respirador para proteção, segundo o sindicato.
“A pobre mulher ficou muito doente e essas instalações preparam milhares de refeições para companhias aéreas.”
A denúncia também alegava que os funcionários relataram ter visto baratas e outras pragas em várias partes das instalações, incluindo áreas de preparação de alimentos, perto dos vestiários dos funcionários, perto dos carrinhos de comida da companhia aérea e dentro do refeitório dos funcionários.
Alega-se que os banheiros e lavatórios frequentemente não dispunham de sabonete ou toalhas de papel em quantidade suficiente, o que obrigava os funcionários a procurar esses itens em outros locais antes de retornarem para preparar os alimentos.
A denúncia descreveu ainda temperaturas perigosamente altas na área de lavagem de louça do estabelecimento.
Um funcionário antigo alegou que o calor e a umidade faziam com que a sala parecesse “uma sauna”, causando fadiga, desidratação e dores de cabeça nos trabalhadores. O funcionário afirmou que um colega de trabalho quase desmaiou devido ao calor.
“É inacreditável que os trabalhadores tenham que viver nessas condições”, disse Minato, acrescentando que é “inseguro.”
O sindicato enviou fotografias, vídeos e depoimentos de trabalhadores à Cal/OSHA e está solicitando uma inspeção no local com urgência.
Representantes do sindicato alegaram que as operações do Flying Food Group no Aeroporto Internacional de Los Angeles (LAX) “têm um longo histórico de supostas violações de segurança”. Em um incidente recente, em maio de 2026, a Cal/OSHA emitiu seis notificações à empresa, incluindo quatro violações classificadas como “graves”.
“Às vezes, as empresas fazem certas coisas até que lhes digam para pararem, e por isso consideramos que esta denúncia em particular é muito importante”, disse Minato.
A cidade de Los Angeles também iniciou uma investigação sobre as práticas de segurança e trabalhistas da empresa.
O gabinete da prefeita Karen Bass emitiu um comunicado afirmando que a prefeita leva “as alegações sobre essa empresa contratada do aeroporto a sério e está em contato com o sindicato UNITE HERE Local 11 e com a Los Angeles World Airports para garantir que elas sejam devidamente investigadas e resolvidas”.
A KTLA entrou em contato com o Flying Food Group para obter um posicionamento e aguarda resposta.
O UNITE HERE Local 11 é um sindicato que representa mais de 32.000 trabalhadores do setor de hotelaria no sul da Califórnia e no Arizona, que trabalham em hotéis, restaurantes, universidades, centros de convenções e aeroportos.
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