Israel proibirá Boeing 747 e aviões de 4 motores em meio a preocupações ambientais
Determinação para reduzir o ruído e a poluição do ar começa a valer em 31 de março. No Brasil, presidência da República enfrentou restrições em alguns países quando operava o Boeing 707
Luiz Fara Monteiro|Do R7
Israel proibirá que o Boeing 747 e aeronaves similares com quatro motores operem em seus aeroportos a partir de 31 de março de 2023. O objetivo, informa a Reuters, é reduzir o ruído e a poluição do ar, esclareceu a autoridade aeroportuária neste domingo.
Como parte de um plano mais amplo em desenvolvimento para melhorar o ambiente ao redor, a autoridade disse que já havia dito às companhias aéreas que não poderiam pousar grandes aviões no Aeroporto Ben Gurion, perto de Tel Aviv, a partir da temporada de verão de 2023.
A diretiva é principalmente para aeronaves de carga, já que a maioria, não todas, as transportadoras pararam de usar o 747 e outros aviões de quatro motores em rotas para Israel.
A transportadora de bandeira El Al (ELAL.TA) já aposentou sua frota de 747s e usa aviões bimotores Boeing 777 e 787 em rotas de longo curso. Os concorrentes também usam os aviões da Boeing ou Airbus (AIR.PA) comparáveis a Ben Gurion, embora os 747 ainda sejam usados por alguns para carga.
A preocupação de alguns países com o meio ambiente é antiga.
Este foi um dos motivos que levaram a Força Aérea Brasileira e o Palácio do Planalto a aposentar o Boeing 707 que servia à presidência.
Além de panes que chegaram a assustar autoridades durantes voos oficiais - desde o governo de José Sarney - o altíssimo nível de ruído dos 4 motores do chamado "Sucatão" perturbavam a infringiam legislações mundo afora.
O então presidente Fernando Henrique Cardoso se conveceu pela troca da aeronave. Mas embora tenha permanecido no poder por 2 mandatos, a negociação não teve início.
Em seu último ano de administração, já com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, FHC perguntou a Lula se o eleito queria que o então governo desse início ao processo de licitação, como forma de adiantar a substituição do 707 e poupar Lula do desgaste político natural que uma negociação como essa envolve.
Lula agradeceu e disse que seu governo faria a transição de aeronaves. Após uma série de reuniões entre representantes da FAB e do Gabinete de Segurança Institucional, optou-se pela compra do ACJ da Airbus, que continua servindo ao Planalto.
Em algumas viagens de Lula ao exterior o Boeing 707 sofreu restrições de horários para pousos e decolagens em algumas capitais, por conta do barulho emitido pelos 4 motores.
A opção pelo ACJ ainda causa polêmica por conta de sua baixa autonomia quando usado para longos deslocamentos, obrigando os chefes de Estado a realizar escalas, o que encarece os gastos com combustíveis e outras despesas.














