LATAM pede fim de conflitos e reforça: embarque com bagagem de mão depende de espaço físico na cabine
Há mais passageiros com bagagem pequena do que espaço nos bagageiros. Segundo regras de segurança, mesmo com a mala dentro da franquia, ela pode precisar ser despachada no portão

O vice-presidente de Clientes do Grupo Latam, Paulo Miranda, voltou às redes sociais para fazer um apelo pelo fim dos conflitos em torno do embarque com bagagens de mão. Miranda destacou que as principais aeronaves utilizadas por companhias na malha doméstica brasileira, como o Airbus A320 (LATAM e Azul) e Boeing 737 (GOL) possuem em média 180 lugares mas acomodam, no entanto, um máximo de 134 bagagens de mão.
*Leia o artigo:
Depois do post sobre a agressão a uma colega, muitos comentários tocaram na complexidade da indústria — e bagagem pequena em voos nacionais no Brasil está na lista.Em conflitos no embarque, as frases são muito parecidas:
- “É meu direito levar minha bagagem a bordo!”
- “Não aceito despachar! ”Vamos aos fatos, com dados:
1️⃣ Limites físicos e de segurança: Um Airbus A320 ou Boeing 737-800 tem ~180 assentos, mas só 120–134 espaços nos bagageiros — e nem todos disponíveis (ex. equipamentos de segurança). Nas primeiras filas e saídas de emergência, o espaço no piso à frente do assento deve ficar livre, então todos os itens desses passageiros precisam ir para os bagageiros.
2️⃣ Ocupação média no BrasilSegundo a ANAC, a taxa média de ocupação em 2023 foi de 82%, ou cerca de 148 passageiros por voo.➡️ Conclusão: há mais gente com bagagem pequena do que espaço nos bagageiros. Em voos cheios, ~30% das malas precisam ser despachadas no portão — se dentro da franquia da tarifa, sem custo. As companhias preferem que você leve sua mala, mas nem sempre é possível.
3️⃣ “Resistir” não é protestoAssim como em muitos países (ex.: EUA e Europa), deixar de seguir instruções de quem atua pela companhia aérea (comandante, tripulação, agentes de aeroporto) pode configurar infração. Eles são autoridades operacionais delegadas. Porém, no Brasil, ainda falta clareza sobre o processo, e a ANAC - Agência Nacional de Aviação Civil precisa atuar nesse ponto. Polícia Federal (2023):• +28% em incidentes com passageiros vs. 2022• 15–20 casos/mês nos maiores aeroportos (por vários motivos, não só bagagem) Realidade: por segurança, nenhum voo pode sair sem passageiros acomodados, assentos na posição vertical, cintos afivelados *e* bagagens guardadas, com compartimentos fechados. Não há “escolha” nesse processo.
🚨 E os vídeos em mídias sociais sobre “resistir” a despachar?Omitir contexto, distorcer regras e encorajar conflito não ajuda ninguém. Infelizmente, vídeos de “confronto” geram 300% mais engajamento que conteúdo educativo.
✅ Conclusão: o problema é maior que a malaO embarque é crítico: tempo curto, regras e coordenação. Muitos passageiros ainda se surpreendem com como as regras se aplicam na prática — por exemplo, que mesmo com a mala dentro da franquia, ela pode precisar ser despachada no portão se não houver espaço a bordo. Essa informação deve estar clara já na compra, seja com a companhia aérea ou pela agência de viagem. Em focus groups, percebemos melhor entendimento quando o termo “bagagem de mão” é substituído por “bagagem pequena” — focando no tipo e tamanho, e não no local onde será transportada (bagageiro ou porão), que pode variar conforme o espaço disponível e regras de segurança. Pedidos para despachar não são “castigo” — são consequência de limitações reais de espaço e segurança. Conflito não resolve. Violência? Nunca.
*Paulo Miranda é vice-presidente de Clientes do Grupo LATAM Airlines
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