Mal súbito em comissário interrompe voo que partiu de São Paulo
Emergência foi decretada a bordo do American Airlines que decolou rumo a Dallas. Avião retornou a Guarulhos e comissário foi levado ao hospital. Apesar dos contratempos, passageiros aplaudiram a recuperação do tripulante
Luiz Fara Monteiro|Do R7

Um mal súbito que acometeu um comissário da American Airlines logo após a decolagem do voo AAL962 - com destino a cidade de Dallas, nos Estados Unidos - fez o avião retornar ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, no início da madrugada desta quarta-feira (24).
A aeronave, um Boeing 787-9 Dreamliner de matrícula N826AN, deveria ter decolado às 22:25 de terça-feira (23). Entretanto, uma manutenção não programada de última hora causou um certo atraso, e o pushback, momento em que o jato começa a se movimentar, se iniciou às 23:51.
Assim que o Dreamliner decolou, o comissário se sentiu mal. Os colegas perceberam de imediato que algo não estava bem. Mesmo com o jato ainda em procedimento de subida, os tripulantes desataram o cinto e partiram em socorro ao homem. Pelo alto-falante, foi perguntado se havia algum médico a bordo. Três profissionais se apresentaram e passaram a examinar o comissário.
O Comandante comunicou a emergência a bordo pelo rádio e solicitou autorização ao Controle de Tráfego Aéreo (ATC) para realizar voltas até que um diagnóstico fosse dado.
Não demorou muito e os médicos recomendaram que o homem fosse levado a um hospital de imediato.
O tripulante estava consciente e, embora apresentasse quadro de fraqueza, alteração na pressão e dores no peito, insistia com os colegas que seu estado não era garve e que o voo mantivesse a proa para Dallas. Foi ignorado.
Os pilotos deram início ao alijamento (fuel dumping), quando é preciso jogar combustível fora para que a aeronave fique mais leve e alcance o peso máximo recomendado para o pouso, sem risco de comprometer a estrutura e a segurança do avião.
O Dreamliner permaneceu no ar por 1 hora e 18 minutos. Com a aeronave de volta ao portão em Guarulhos, o comissário foi levado ao hospital e os passageiros, desembarcados.
No terminal, passageiros receberam vouchers para transporte e hospedagem. O processo foi lento, com poucos funcionários para atender centenas de pessoas. A rede hoteleira lotada em Guarulhos e São Paulo dramatizou ainda mais a situação, alguns foram hospedados em Santos, onde chegaram já no final da madrugada.
Procurada para se posicionar sobre o incidente, a American Airlines preferiu não se pronunciar.
No hospital, o comissário foi diagnosticado com Miocardite, um tipo de inflamação nos músculos em volta do coração. A miocardite se manifesta com maior prevalência entre os homens e, apesar de poder se curar sozinha, é considerada uma das principais causas de morte súbita em pessoas com menos de 40 anos. O atendimento hospitalar evitou uma tragédia.
O comissário teve alta no início da tarde de quarta-feira (24), sob a promessa de realizar exames complementares assim que retornasse para casa.
Colegas relataram que mesmo após o grande susto, o comissário se sentia envergonhado por ter causado o cancelamento da viagem.
O voo só seguiu para Dallas na noite de ontem, às 9 da noite. Assim que o embarque foi finalizado, a tripulação anunciou pelo alto-falante a recuperação e a normalização do estado de saúde do comissário.
Os passageiros vibraram e aplaudiram, sinalizando que, a despeito de todo o contratempo, a vida vem em primeiro lugar.















