Logo R7.com
RecordPlus
Luiz Fara Monteiro

Mal súbito em comissário interrompe voo que partiu de São Paulo

Emergência foi decretada a bordo do American Airlines que decolou rumo a Dallas. Avião retornou a Guarulhos e comissário foi levado ao hospital. Apesar dos contratempos, passageiros aplaudiram a recuperação do tripulante

Luiz Fara Monteiro|Do R7

  • Google News
Boeing 787-9 da American Airlines: emergência a bordo
Boeing 787-9 da American Airlines: emergência a bordo Bidgee - Wikimedia Commons

Um mal súbito que acometeu um comissário da American Airlines logo após a decolagem do voo AAL962 - com destino a cidade de Dallas, nos Estados Unidos - fez o avião retornar ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, no início da madrugada desta quarta-feira (24).

A aeronave, um Boeing 787-9 Dreamliner de matrícula N826AN, deveria ter decolado às 22:25 de terça-feira (23). Entretanto, uma manutenção não programada de última hora causou um certo atraso, e o pushback, momento em que o jato começa a se movimentar, se iniciou às 23:51.


Assim que o Dreamliner decolou, o comissário se sentiu mal. Os colegas perceberam de imediato que algo não estava bem. Mesmo com o jato ainda em procedimento de subida, os tripulantes desataram o cinto e partiram em socorro ao homem. Pelo alto-falante, foi perguntado se havia algum médico a bordo. Três profissionais se apresentaram e passaram a examinar o comissário. 

O Comandante comunicou a emergência a bordo pelo rádio e solicitou autorização ao Controle de Tráfego Aéreo (ATC) para realizar voltas até que um diagnóstico fosse dado. 


Não demorou muito e os médicos recomendaram que o homem fosse levado a um hospital de imediato.

O tripulante estava consciente e, embora apresentasse quadro de fraqueza, alteração na pressão e dores no peito, insistia com os colegas que seu estado não era garve e que o voo mantivesse a proa para Dallas. Foi ignorado.


Os pilotos deram início ao alijamento (fuel dumping), quando é preciso jogar combustível fora para que a aeronave fique mais leve e alcance o peso máximo recomendado para o pouso, sem risco de comprometer a estrutura e a segurança do avião. 

O Dreamliner permaneceu no ar por 1 hora e 18 minutos. Com a aeronave de volta ao portão em Guarulhos, o comissário foi levado ao hospital e os passageiros, desembarcados. 


No terminal, passageiros receberam vouchers para transporte e hospedagem. O processo foi lento, com poucos funcionários para atender centenas de pessoas. A rede hoteleira lotada em Guarulhos e São Paulo dramatizou ainda mais a situação, alguns foram hospedados em Santos, onde chegaram já no final da madrugada.

Procurada para se posicionar sobre o incidente, a American Airlines preferiu não se pronunciar.

No hospital, o comissário foi diagnosticado com Miocardite, um tipo de inflamação nos músculos em volta do coração. A miocardite se manifesta com maior prevalência entre os homens e, apesar de poder se curar sozinha, é considerada uma das principais causas de morte súbita em pessoas com menos de 40 anos. O atendimento hospitalar evitou uma tragédia.

O comissário teve alta no início da tarde de quarta-feira (24), sob a promessa de realizar exames complementares assim que retornasse para casa.

Colegas relataram que mesmo após o grande susto, o comissário se sentia envergonhado por ter causado o cancelamento da viagem.

O voo só seguiu para Dallas na noite de ontem, às 9 da noite. Assim que o embarque foi finalizado, a tripulação anunciou pelo alto-falante a recuperação e a normalização do estado de saúde do comissário.

Os passageiros vibraram e aplaudiram, sinalizando que, a despeito de todo o contratempo, a vida vem em primeiro lugar.

Rota percorrida pelo American Airlines em voo que deveria ter Dallas como destino
Rota percorrida pelo American Airlines em voo que deveria ter Dallas como destino AirNav RadarBox
Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.