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Luiz Fara Monteiro

Piloto tem ataque de pânico e interrompe voo horas após acidente

Relatório interno da companhia aérea indica aumento de casos entre aviadores

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Air India: piloto relata ataque de pânico Adrian Pingstone - Wikimedia Commons

Pura coincidência ou relação direta com um acidente fatal ocorrido horas antes? Um novo incidente levanta questionamentos sobre a situação psicológica dos aviadores da Air India, companhia que experimentou um acidente trágico no último dia 12 logo após um Boeing 787-8 Dreamliner decolar da cidade de Ahmedabad, no oeste da Índia. Agora foi reportado na mídia local que um dia após o acidente, um piloto da companhia sofreu um grave ataque de pânico momentos antes de decolar do Aeroporto Internacional Indira Gandhi (DEL).

A tripulação se preparava para operar o voo AI 157 para Copenhague (CPH) a bordo de um Boeing 787-8 Dreamliner - mesmo tipo de aeronave que cai na véspera - quando um dos pilotos sinalizou à torre que um colega da tripulação não estava bem, o que levou a aeronave a retornar ao terminal.


O voo finalmente decolou com um piloto substituto e pousou na Dinamarca com duas horas e meia de atraso, mas em completa segurança.

Fontes da companhia aérea disseram ao The Sun que o ataque de pânico provavelmente foi desencadeado por estresse pós-traumático.


De acordo com um relatório interno, vários pilotos relataram sofrimento psicológico, com alguns afirmando que revivem o acidente repetidamente em suas mentes. Um deles chegou a questionar se algum dia poderia retornar às suas funções de piloto normalmente, ainda de acordo com a reportagem.

A Air India emitiu um comunicado incentivando todos os membros da tripulação a terem acesso a suporte de saúde mental, incluindo o “sistema de amigos” baseado em pares da companhia aérea.


O piloto envolvido no incidente de pânico agora está sujeito a uma avaliação médica abrangente antes de retornar ao serviço, conforme determinado pelos regulamentos da Diretoria Geral de Aviação Civil da Índia (DGCA) , que exigem que os pilotos comerciais passem por exames médicos anuais.

No último dia 15, um Boeing 787-8 Dreamliner da mesma Air India com destino a Nova Delhi passou por dificuldades técnicas cerca de 15 minutos depois de decolar de Hong Kong e precisou retornar à sua origem, nesta segunda-feira (16). O piloto disse ao Controle de Tráfego Aéreo que não continuaria a viagem.


Fontes ligadas à companhias aéreas ouvidas pelo blog duvidam que um acidente específico possa causar uma crise psicológica entre aviadores. Mas alertam, no entanto, que situações de estresse e longas jornadas têm causado registros de fadiga entre pilotos em uma quantidade bem mais frequentes do que a desejada.

O fator humano representa uma grande parcela das causas nas ocorrências aeronáuticas. As estimativas dos acidentes que envolvem o erro humano estão entre 70% e 80% dos eventos, como mostra uma publicação de Shappell Wiegmann, de 2003. Mais especificamente, a fadiga da tripulação contribui para cerca de 15 a 20% dos acidentes, disse ao blog em artigo o comandante Paulo Licati, uma das principais vozes entre aviadores a estudar o tema no Brasil.

A Associação Brasileira de Pilotos de Aviação Civil (ABRAPAC) tomou a frente dessas discussões junto aos parlamentares, para cobrar autoridades que regulamentam o setor no país.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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