Piloto tem ataque de pânico e interrompe voo horas após acidente
Relatório interno da companhia aérea indica aumento de casos entre aviadores

Pura coincidência ou relação direta com um acidente fatal ocorrido horas antes? Um novo incidente levanta questionamentos sobre a situação psicológica dos aviadores da Air India, companhia que experimentou um acidente trágico no último dia 12 logo após um Boeing 787-8 Dreamliner decolar da cidade de Ahmedabad, no oeste da Índia. Agora foi reportado na mídia local que um dia após o acidente, um piloto da companhia sofreu um grave ataque de pânico momentos antes de decolar do Aeroporto Internacional Indira Gandhi (DEL).
A tripulação se preparava para operar o voo AI 157 para Copenhague (CPH) a bordo de um Boeing 787-8 Dreamliner - mesmo tipo de aeronave que cai na véspera - quando um dos pilotos sinalizou à torre que um colega da tripulação não estava bem, o que levou a aeronave a retornar ao terminal.
O voo finalmente decolou com um piloto substituto e pousou na Dinamarca com duas horas e meia de atraso, mas em completa segurança.
Fontes da companhia aérea disseram ao The Sun que o ataque de pânico provavelmente foi desencadeado por estresse pós-traumático.
De acordo com um relatório interno, vários pilotos relataram sofrimento psicológico, com alguns afirmando que revivem o acidente repetidamente em suas mentes. Um deles chegou a questionar se algum dia poderia retornar às suas funções de piloto normalmente, ainda de acordo com a reportagem.
A Air India emitiu um comunicado incentivando todos os membros da tripulação a terem acesso a suporte de saúde mental, incluindo o “sistema de amigos” baseado em pares da companhia aérea.
O piloto envolvido no incidente de pânico agora está sujeito a uma avaliação médica abrangente antes de retornar ao serviço, conforme determinado pelos regulamentos da Diretoria Geral de Aviação Civil da Índia (DGCA) , que exigem que os pilotos comerciais passem por exames médicos anuais.
No último dia 15, um Boeing 787-8 Dreamliner da mesma Air India com destino a Nova Delhi passou por dificuldades técnicas cerca de 15 minutos depois de decolar de Hong Kong e precisou retornar à sua origem, nesta segunda-feira (16). O piloto disse ao Controle de Tráfego Aéreo que não continuaria a viagem.
Fontes ligadas à companhias aéreas ouvidas pelo blog duvidam que um acidente específico possa causar uma crise psicológica entre aviadores. Mas alertam, no entanto, que situações de estresse e longas jornadas têm causado registros de fadiga entre pilotos em uma quantidade bem mais frequentes do que a desejada.
O fator humano representa uma grande parcela das causas nas ocorrências aeronáuticas. As estimativas dos acidentes que envolvem o erro humano estão entre 70% e 80% dos eventos, como mostra uma publicação de Shappell Wiegmann, de 2003. Mais especificamente, a fadiga da tripulação contribui para cerca de 15 a 20% dos acidentes, disse ao blog em artigo o comandante Paulo Licati, uma das principais vozes entre aviadores a estudar o tema no Brasil.
A Associação Brasileira de Pilotos de Aviação Civil (ABRAPAC) tomou a frente dessas discussões junto aos parlamentares, para cobrar autoridades que regulamentam o setor no país.
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