Planalto condecora CEO da sul-africana Airlink, cliente da Embraer
Em vídeo, Rodger Foster cita comprometimento da companhia com instituições brasileiras. Dos 57 aviões de sua frota, 47 são da fabricante brasileira
Luiz Fara Monteiro|Do R7
A Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul é uma comenda que a Presidência da República do Brasil atribui a personalidades estrangeiras.
Um dos mais novos agraciados é Rodger Foster, CEO da companhia aérea sul-africana Air Link, com sede em Johanesburgo, a maior cidade do país, embora não seja a capital.
Em vídeo publicado no perfil das redes sociais da companhia nesta terça-feira (11), Foster destaca que a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul é o maior símbolo de gratidão e reconhecimento que o governo brasileiro concede a estrangeiros comprometidos com amizade ao país, aos brasileiros e a suas instituições.
A Air Link é uma velha e fiel cliente da Embraer. De sua frota de 57 aeronaves, nada menos que 47 aviões são da fabricante brasileira.
São 17 do modelo ERJ-135, 16 E190, 11 ERJ-140 e três Embraer E170.
A companhia tem quatro modelos Cessna 208B e seis Jetstream 41, sendo que um deles se tornou mundialmente conhecido na aviação há alguns dias quando uma pá de sua hélice direita foi destruída durante uma colisão com um pássaro e a peça de metal perfurou a cabine de passageiros. Por sorte ninguém ficou ferido.
"Entendo que esta comenda é oferecida a indivíduos, e a aceito com gratidão em nome de cada integrante da equipe Air Link e nossos acionistas", disse Foster, citando ainda o embaixador do Brasil na África do Sul, Sérgio França Danese, que teve o nome aprovado pelo Senado para chefiar a embaixada brasileira no Peru em 2022. Danese também aparece no vídeo sublinhando a importância da Airlink para as relações com o Brasil.

Brasil e África do Sul fazem parte dos Brics, bloco econômico que inclui ainda a Rússia, a Índia e a China.
Com a crise enfrentada pela South African Airways e os efeitos da pandemia na aviação, o governo de Pretória se ressente da falta de um voo direto entre os dois países.
Diplomatas sul-africanos têm feito exaustivos apelos à Latam para que retome a rota entre São Paulo e Johanesburgo. Atualmente, as ligações mais comuns são feitas via Luanda, Amsterdã, Dubai ou Adis Abeba, o que aumenta consideravelmente o tempo de viagem.
Durante muitos anos a South African Airways operou com exclusividade a rota entre o aeroportos de Guarulhos, em São Paulo, e o O.R. Tambo, em Johanesburgo, com seus A340 ou A330 lotados de passageiros.
A Latam executou o direito de explorar a rota em outubro de 2016, operando com o Boeing 767-300, o que, por sua certificação, o obrigava a voar com proa para Luanda e depois desviar a sudeste para a África do Sul, levando mais tempo para chegar a "Joburg". Mais tarde, a companhia destacou um Airbus A350, o que encurtou a viagem em quase duas horas.
Até agora a Latam não se comprometeu com a embaixada sul-africana a retomar a rota.
A atual relação política entre Brasil e África do Sul é considerada razoável por fontes diplomáticas ouvidas pelo Blog e teve seu auge entre 2003 e 2014.
A Airlink, de Rodger Foster, opera em países da África subsaariana, como Moçambique, Namíbia e Botsuana, entre outros.
No discurso feito pelo recebimento da comenda brasileira, o CEO da Airlink lembrou que apenas duas personalidades da África do Sul receberam a distinção: o ex-presidente Thabo Mbeki e o juiz Albie Sachs.
Thabo é filho de Govan Mbeki, um dos líderes históricos que atuaram contra o regime do apartheid no país. Durante seu governo, a Rainbow Nation, como é chamada pelos sul-africanos, cresceu a uma taxa média de 4,5% ao ano. Thabo implementou o Black Economic Empowerment (BEE), semelhante ao programa de cotas no Brasil.
O ex-juiz da Corte Constitucional sul-africana entre 1995 e 2009, por indicação de Nelson Mandela, Albie Sachs, branco, ficou conhecido por defender o direito dos negros durante o apartheid. Tornou-se preso político e foi proibido de escrever e se manifestar. Sachs foi exilado em Moçambique entre 1977 e 1988 – lá sofreu um atentado que lhe custou o braço direito e parte da visão.
Em 2016, Sachs foi convidado a fazer uma palestra no Supremo Tribunal Federal, em Brasília.
Nelson Mandela, ex-presidente sul-africano, foi agraciado durante visita ao Brasil em 1991 com outra comenda, a medalha Grã-Cruz da Ordem do Rio Branco, antes mesmo de ele ser eleito presidente da África do Sul e de ser agraciado com o Prêmio Nobel da Paz.















