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Luiz Fara Monteiro

United 997, parto a bordo: mãe dá à luz sobre o Atlântico

A mulher viajava de Acra, em Gana, para Washington, D.C., quando começou a ter contrações. A previsão do nascimento era fim de fevereiro. Um médico africano que estava a bordo realizou o parto

Luiz Fara Monteiro|Do R7

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"Pessoal, eis aqui a criança e a mamãe", diz a jornalista Nancy Adobea, da GHOne Television, de Gana, na África, enquanto a câmera mostra o bebê, que nascera poucos minutos antes.

Na sequência, a jornalista narra:


"Foi um parto seguro".

A filmagem, no entanto, não foi feita em uma maternidade.


E em nenhum outro lugar em terra firme.

O registro ocorreu a bordo de um Boeing 787-800 Dreamliner, a 34.000 pés de altitude, sobre o Oceano Atlântico. 


Nancy estava no voo por acaso e filmou a movimentação com o celular.

Mãe e recém-nascido a bordo: parto sobre o Atlântico
Mãe e recém-nascido a bordo: parto sobre o Atlântico Reprodução - Nancy Adobea

Um médico ganense que atua nos Estados Unidos foi o herói do dia quando fez o parto de um bebê em um voo de Acra, capital de Gana, para Washington, D.C.


O bebê, que era esperado somente para o fim de fevereiro, surpreendeu não apenas a mãe mas os passageiros do voo UA 977 da United Airlines no último domingo (30).

A jornalista Nancy Adobea contou ao citinewsroom.com a mistura de ansiedade e excitação quando as pessoas perceberam que a mulher estava prestes a dar à luz.

Ela diz que o incidente ocorreu cerca de duas horas antes do pouso.

Nem a mãe nem o bebê tiveram o nome divulgado.

Mas fontes afirmam que se trata de um menino.

“A apreensão pelas mulheres, a ansiedade pelas mulheres a bordo… Todos estavam preocupados, mas felizmente ela teve um parto seguro.”

Nancy Adobea lembrou que a nova mãe “estava cheia de gratidão” e parecia “exultante, embora estivesse fraca”.

Uma das tripulantes de cabine era enfermeira e auxiliou no parto seguro do bebê.

Veja na arte da plataforma RadarBox.com a rota percorrida pelo Dreamliner.

Detalhes da rota do UA997
Detalhes da rota do UA997 RadarBox.com

A compostura do médico, dr. Ansah-Addo, ganense que trabalha nos EUA, também se destacou, segundo relato da jornalista, como explica reportagem do Modern Ghana.

“Ele estava muito calmo. Todo mundo estava superempolgado, mas ele estava tão calmo”, disse Nancy.

O dr. Stephen Ansah-Addo, residente de dermatologia na Universidade de Michigan, atendeu à chamada de um profissional de saúde feita pelo sistema de som da cabine e entrou em ação.

Ele foi acompanhado por uma enfermeira de Dayton, Ohio, e outra comissária de bordo da United, que também é enfermeira.

Eles transformaram a área atrás da classe executiva em uma espécie de sala de operações, colocando cobertores e toalhas. As contrações da mãe estavam ficando mais fortes e mais frequentes e depois de apenas uma hora Ansah-Addo sentiu a cabeça do bebê, relatou a ABC News.

Alguns empurrões depois, um menino saudável estava chorando a bordo.

A equipe médica improvisada não conseguiu encontrar um grampo para cortar o cordão umbilical, então recorreu a um barbante.

"Essa é a razão pela qual você vai para a medicina: para ajudar as pessoas", disse Ansah-Addo. "Essa é uma pessoa que realmente precisava de ajuda, porque não havia mais ninguém lá. Esse é o tipo de remédio em que você pode fazer a diferença na vida das pessoas."

Comissários da United examinam o bebê a 34.000 pés
Comissários da United examinam o bebê a 34.000 pés

Quando o avião pousou no Aeroporto Internacional Washington Dulles, paramédicos já estavam à espera e ofereceram cuidados mais seguros à mãe e ao bebê.

"O parto ocorreu sem intercorrências, além de estar a 30.000 pés", disse a United Airlines em comunicado à ABC News.

Um funcionário da United cumprimentou a mãe com um balão e um cartão escrito a mão em que se lia: "Em nome da equipe da United em Washington Dulles, parabéns pelo seu bebê!".

O parto de domingo não foi exceção.

Em abril, em algum lugar do Pacífico, uma mulher que não sabia que estava grávida deu à luz um menino em um voo da Delta Air Lines.

Lavinia "Lavi" Mounga estava voando de Salt Lake City para Honolulu de férias quando deu à luz Raymond.

Ele chegou cedo, com apenas 29 semanas de gestação.

Um médico do Havaí e três enfermeiras da unidade de terapia intensiva neonatal do North Kansas City Hospital também estavam a bordo e ajudaram Mounga a dar à luz.

Eles descreveram como foi desafiador cuidar de ambos os pacientes no pequeno espaço confinado de um avião. Também tiveram que improvisar ferramentas usando cadarços para amarrar e cortar o cordão umbilical e um Apple Watch para monitorar a frequência cardíaca do bebê.

Muitas companhias aéreas dos EUA não permitem que mulheres voem no país depois de 36 semanas de gravidez. Alguns voos internacionais restringem as viagens após 28 semanas.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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