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A força do cacau nacional na produção de chocolates de excelência

Empresária desenvolve produtos que conquistaram reconhecimento em concursos nacionais e internacionais

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • ALMA Chocolates, criada em Indaiatuba (SP), destaca-se pela produção artesanal bean to bar, valorizando o cacau brasileiro.
  • Francine Corrado, engenheira de alimentos, uniu conhecimento técnico e paixão pelo chocolate ao criar a marca.
  • O chocolate 44% ao leite cremoso da ALMA recebeu prêmios no Brasil e nos EUA, evidenciando a qualidade e o equilíbrio do produto.
  • A marca prioriza relações próximas com pequenos produtores de cacau, valorizando a qualidade e a origem da matéria-prima brasileira.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Da origem do cacau à excelência da barra da Alma Chocolates Foto cedida: Alma Chocolates

Em um mercado no qual a origem e a qualidade da matéria-prima ganham relevância, a produção de chocolate artesanal pelo método bean to bar — do grão à barra — aproxima o produto final de sua origem agrícola e amplia as possibilidades de valorização do cacau brasileiro.

Criada em Indaiatuba (SP), a ALMA Chocolates combina conhecimento técnico, produção própria e seleção criteriosa da matéria-prima para desenvolver chocolates com identidade própria.

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O Mundo Agro conversou com Francine Corrado, engenheira de alimentos que deixou a carreira corporativa para empreender e encontrou no chocolate uma forma de unir conhecimento científico e paixão pelo produto.

Premiada em concursos no Brasil e nos Estados Unidos, a marca aposta no controle dos processos e no equilíbrio de sabores e texturas para se diferenciar no mercado. Sua trajetória também revela o papel da qualidade do cacau, do trabalho dos produtores e do domínio técnico na construção de um chocolate que valoriza cada etapa da cadeia produtiva.

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Francine Corrado, da Alma Chocolates Foto cedida: Alma Chocolates
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Mundo Ago: Como surgiu a ideia de criar a ALMA Chocolates e o que motivou você a investir na produção artesanal bean to bar?

Francine Corrado: Sou engenheira de alimentos formada pela USP e, antes de criar a ALMA, construí minha trajetória profissional na indústria de alimentos e, posteriormente, em uma grande empresa de tecnologia. Ao mesmo tempo, existia em mim uma vontade muito forte de empreender e construir algo próprio. Sempre fui apaixonada por chocolate, mas foi quando conheci o universo bean to bar que encontrei algo que realmente me mobilizou.

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Quanto mais eu estudava, mais me encantava. Queria entender cada etapa, conhecer melhor o cacau, explorar as possibilidades de transformação da amêndoa em chocolate e descobrir como o conhecimento técnico poderia se traduzir em um produto diferenciado. Era um assunto sobre o qual eu queria aprender cada vez mais e que, naturalmente, começou a ocupar um espaço muito grande na minha vida.

Comecei fazendo testes em casa e compartilhando os chocolates com pessoas próximas. A receptividade foi muito positiva, e isso me deu confiança de que havia ali algo com potencial para ir além de um projeto pessoal. Decidi, então, deixar a carreira que havia construído para começar do zero e me dedicar à ALMA.

Foi uma decisão que exigiu coragem, mas também era sustentada pela confiança no produto que eu estava desenvolvendo. Eu acreditava que, com estudo, domínio técnico e dedicação, poderia criar chocolates de qualidade e com identidade própria. A ALMA nasceu dessa combinação entre paixão e conhecimento, e continua sendo construída a partir dela.

Mundo Agro: O chocolate 44% ao leite cremoso conquistou prêmios no Brasil e nos Estados Unidos. O que esses reconhecimentos representam para a marca e quais características do produto você acredita que fizeram a diferença?

Francine Corrado: Esses reconhecimentos representam uma validação muito importante do trabalho que estamos construindo. Para uma marca independente, que nasceu em Indaiatuba e desenvolve seus chocolates com produção própria, ser reconhecida em concursos nacionais e internacionais reforça que é possível alcançar um alto padrão de qualidade com conhecimento técnico, dedicação e atenção aos detalhes.

No 44% ao leite cremoso, acredito que o diferencial esteja no equilíbrio. Buscamos uma textura muito cremosa, com sabor de chocolate bem presente e uma combinação harmoniosa entre o cacau, o leite e o açúcar. Cada ingrediente tem um papel na construção do resultado, e chegar a esse equilíbrio exige estudo, testes e domínio do processo.

Mais do que as medalhas em si, esses prêmios nos mostram que o trabalho realizado diariamente está sendo percebido também por profissionais especializados. É um reconhecimento que nos dá confiança para continuar evoluindo e levando o nome da ALMA para novos mercados.

Mundo Agro: Como vocês escolhem os produtores e a origem do cacau utilizado nos chocolates? Quais são os principais desafios para valorizar a matéria-prima brasileira?

Francine Corrado: A escolha do cacau começa pela qualidade da amêndoa, mas não termina nela. Procuramos conhecer a origem, entender como o cacau é produzido e estabelecer relações com produtores que tenham compromisso com a qualidade da matéria-prima. Trabalhamos com cacau brasileiro de pequenos produtores, com quem buscamos construir relações próximas e conhecer de perto não apenas a produção, mas também as histórias e o trabalho de cada um. Essa proximidade nos ajuda a compreender melhor o que existe por trás de cada lote.

O Brasil tem uma diversidade de origens e perfis sensoriais que permite criar chocolates com características muito distintas. Nosso trabalho é conhecer essa matéria-prima e desenvolver cada chocolate de forma que suas qualidades sejam valorizadas. A torra, a moagem e a formulação, por exemplo, influenciam diretamente o sabor e a textura do produto final.

Um dos desafios é ampliar o reconhecimento do cacau brasileiro pela qualidade, e não apenas pelo volume produzido. Isso exige conhecimento sobre a matéria-prima, relações comerciais que valorizem o trabalho dos produtores e consumidores que compreendam que a origem e a qualidade do cacau fazem diferença no chocolate. Valorizar o cacau brasileiro também significa reconhecer o trabalho e o conhecimento de quem está na base dessa cadeia.

Mundo Agro: O que é o chocolate para você? Além do produto e do negócio, que significado ele tem na sua vida e como essa relação pessoal se reflete nos chocolates que você cria?

Francine Corrado: Para mim, o chocolate é uma combinação de ciência, sensibilidade e experiência. Como engenheira de alimentos, tenho um olhar técnico para os ingredientes e para os processos, mas também entendo que o chocolate precisa despertar algo em quem o consome. Não basta que seja bem produzido; ele precisa ter sabor, textura e personalidade.

Criar a ALMA me permitiu unir essas duas perspectivas. Existe muita pesquisa e precisão por trás de cada formulação, mas também existe a liberdade de experimentar, descobrir combinações e desenvolver produtos que tenham identidade própria. Acredito que essa relação se reflete no cuidado com cada detalhe e na busca constante por qualidade. Quero que as pessoas conheçam melhor o chocolate, percebam suas diferenças e descubram que, por trás de uma barra, existe muito mais do que um sabor: existe uma matéria-prima, um processo e uma história que merecem ser conhecidos.

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