A paixão que domou o bravo Barão: a história de Laryssa Marques
Como o respeito e a conexão transformaram uma relação difícil com cavalos em ensino e paixão
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Desde pequena cercada por cavalos, a estudante de veterinária Laryssa Marques encontrou em um animal desafiante, o cavalo Barão, a inspiração para sua trajetória na doma índia — uma técnica que prioriza o respeito, a paciência e a confiança na relação entre cavalo e domador.
Nesta entrevista exclusiva, ela conta como a doma índia mudou sua vida, os desafios de domar um cavalo bravo e por que hoje dedica-se a ensinar esse método que valoriza o vínculo e o bem-estar do animal.
Ah, e ainda tem o registro do dia em que ela, aos 16 anos, domou o Barão. Um detalhe importante: com o passar dos anos, a pelagem do Barão mudou da cor preta para branca.

Mundo Agro: Como o cavalo entrou na sua vida?
Laryssa Marques: O cavalo sempre fez parte da minha vida. Meu pai era da cavalaria da Tropa de Choque de São Paulo. Sempre fui apaixonada por esses animais. Morava em São Paulo e, quando me mudei para Águas de São Pedro, senti que era o lugar perfeito, cercado de cavalos.
Mundo Agro: Lary, você é estudante de veterinária. Tem cavalos, né? Me diga quando e por qual motivo você decidiu ensinar a doma índia.
Laryssa Marques: Ganhei esse cavalo quando completei 18 anos. Tenho uma história muito marcante com ele. Foi com o Barão que comecei a praticar a doma índia. Ele era um cavalo muito bravo; ninguém conseguia chegar perto. Eu fui convidada para trabalhar em uma chácara que tinha sete cavalos. O Barão era especial — ninguém podia se aproximar dele. Minha função era apenas dar banho nos animais, mas sempre tive vontade de tentar. O dono da chácara tinha uma rotina: depois do almoço, ele dormia. Era nesse momento que eu aproveitava para, escondida, me aproximar do Barão.

Mundo Agro: Como você descobriu a doma índia?
Laryssa Marques: Comecei a pesquisar sobre como criar conexão com o Barão. Até que meu pai viu uma matéria sobre o Guto Petry, um dos grandes nomes da doma índia no Brasil. Fiz um curso com a esposa dele, Bel Esmeralda, e percebi que era exatamente o que procurava. Apliquei o método no Barão — aquele cavalo maldoso, de quem todos tinham medo.
O resultado foi tão surpreendente que chorei. O dono da chácara, assustado, achou que ele pudesse ter me machucado. Quando expliquei, ele não acreditou. Eu tinha conseguido deitar o cavalo e fazer com que ele obedecesse sem qualquer resistência.
Mundo Agro: O que diferencia a doma índia da doma tradicional?
Laryssa Marques: A doma índia busca estabelecer uma conexão profunda com o cavalo, respeitando seu tempo, com paciência e escuta. Diferente da doma tradicional, que impõe obediência pelo medo e força, a doma índia cria um vínculo de confiança. Seus princípios são respeito, paciência e compreensão de que cada cavalo é único.
O primeiro passo é observar e deixar o cavalo vir no seu tempo. É preciso entender a causa do medo ou resistência. Com esse método, é possível domar qualquer cavalo — o que muda é o tempo que leva. Os princípios da doma índia são respeito, paciência e confiança, sempre levando em consideração que cada cavalo é único. Ele precisa do seu próprio tempo para aprender.

Mundo Agro: Qual é o papel da comunicação não verbal e da confiança no relacionamento entre o cavalo e o domador? E quanto tempo, em média, leva para um cavalo ser domado com esse método?
Laryssa Marques: A gente vai aprender a linguagem do cavalo para depois começar a se comunicar com eles. A confiança é a base de tudo. Sem ela, o cavalo reage com resistência, com medo. A doma índia vai muito além de domar o cavalo. O primeiro contato é observar e deixar o cavalo vir no seu tempo. A gente vai se aproximando dele. Não é uma receita de bolo. Cada cavalo é único. A gente precisa entender por qual motivo o cavalo apresenta resistência e medo.
Mundo Agro: É possível domar qualquer cavalo com esse método, mesmo os mais arredios? E como a doma índia lida com a liderança sem impor medo?
Laryssa Marques: É possível domar qualquer cavalo com esse método. O que vai variar é o tempo. Às vezes, um cavalo muito manso demora mais do que um xucro. O cavalo precisa de um domador, um líder que traga confiança para ele e não uma ameaça. A doma índia respeita os limites e emoções do animal. Ele fica mais calmo, confiante e mais disposto para cooperar.
Mundo Agro: Como a doma índia contribui para o bem-estar psicológico do cavalo?
Laryssa Marques: Ela respeita os limites e emoções do animal. Ele fica mais calmo, confiante e mais disposto para cooperar.
Mundo Agro: Quantos cavalos já “domou”?
Laryssa Marques: 50.
Mundo Agro: Hoje você dá cursos para ensinar a doma índia. O próximo acontecerá em Itu, em outubro. Barão realmente mudou a sua vida, né?
Laryssa Marques: Então, eu decidi ensinar a doma índia porque, para mim, foi muito especial e eu via a necessidade de mostrar que é possível treinar um cavalo de uma maneira respeitosa, sem violência. Eu ensino os meus alunos a fazer isso porque, muitas vezes, eles não conseguem, e eu sei que, em algum momento, vão vender seus cavalos. Eu sempre falo que a gente tem o cavalo que a gente precisa. Eu precisei do Barão. Ele me ensinou tudo. Se não fosse por ele, eu não estaria hoje ensinando doma índia. A gente tem o cavalo que a gente precisa, e não o cavalo que a gente quer.
Mundo Agro: Cavalo pra você, em 1 palavra, é?
Laryssa Marques: Cavalo pra mim é um ser mágico. Ele cura as pessoas. A equinoterapia está aí pra comprovar.
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