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A revolução da pulverização agrícola autônoma e elétrica

Com tecnologia de ponta e operação totalmente autônoma, o Pelican 2 transforma o campo ao oferecer precisão, sustentabilidade e eficiência na pulverização de grandes áreas

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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Pelican 2 Foto cedida: Synerjet Corp e Pyka

O Pyka Pelican 2 é uma aeronave agrícola 100% elétrica e autônoma que vem revolucionando o setor agroindustrial.


O Mundo Agro já destacou sua tecnologia inovadora e o primeiro voo noturno realizado no interior de São Paulo

Aeronave 100% elétrica e autônoma realiza voo noturno inédito no interior de SP – Noticias R7


Agora, você confere uma entrevista exclusiva com Mateus Dallacqua, diretor de Inovação da Synerjet.

Mateus Dallacqua, diretor de Inovação da Synerjet Foto cedida: Synerjet

Mundo Agro: ⁠ ⁠Quanto tempo demoraram para concluir e chegar à excelência do Pelican 2?


Mateus Dallacqua: O Pyka Pelican 2 é uma aeronave que está pronta, em plena operação comercial em diversos clientes e já certificada pelo FAA e apta a voar dentro das regras da ANAC. A trajetória até esse estágio de maturidade que a aeronave está levou oito anos e dezenas de milhões de dólares de investimento.

Mundo Agro: ⁠Quais os ajustes que foram necessários e desafiadores para vocês? Quando a Synerjet foi nomeada a distribuidora da aeronave, ela já se encontrava pronta e certificada para operações comerciais pelo FAA e apta a voar dentro das regras da ANAC. A seriedade com que a Pyka como fabricante levou esse projeto foi exemplar, atendendo os rigores de um projeto aeronáutico de alta complexidade, com destaque para segurança, redundâncias e confiabilidade. Ao longo da extensa campanha de ensaios e desenvolvimento, algumas melhorias foram implementadas na aeronave para que ela pudesse ficar ainda mais confiável, com mais performance e com a melhor qualidade de aplicação do mercado, como por exemplo, o novo sistema de motorização com 4 motores em disposição pusher-pull e nova configuração de barras de aplicação presentes no Pelican 2.


Mundo Agro:⁠ ⁠O primeiro voo noturno foi realizado. Notaram algo para ajustar?

Mateus Dallacqua: Foi a primeira apresentação noturna para potenciais clientes no Brasil. O Pelican 2 está completamente configurado e capacitado para fazer voos de pulverização, e por se tratar de uma aeronave autônoma, controlada a distância, não importa se há iluminação solar ou não, pois o sistema todo é baseado em mapeamento do terreno aéreo 3D via radar a laser , o que garante seu voo em qualquer horário. O planejamento dinâmico de rota garante, entre outras vantagens, o desvio automático de obstáculos. Adicionalmente, clientes que possuem a aeronave já estão realizando voos noturno plenamente em suas operações rotineiras com o Pelican.

Mundo Agro: ⁠Quais são os principais diferenciais do Pelican 2 em relação às aeronaves agrícolas tradicionais?

Mateus Dallacqua: O primeiro e maior é o fato de ser uma aeronave autônoma, em que não é preciso um piloto para operá-la. Isso garante sobrevoos à lavoura em menor altura, resultando em menor deriva do defensivo agrícola e uma precisão milimétrica na pulverização, reduzindo o desperdício de insumos. Por ser elétrica e autônoma, sua operação é praticamente 24/7, aumentando a janela de pulverização para inclusive o período noturno. Não menos importante, são os custos operacional e o da aeronave em si. O custo estimado de aplicação é de US$ 1,50 por hectare, valor bem inferior a qualquer equipamento de pulverização de grande porte do mercado atual. Por exemplo, em uma cultura de algodão, as lavouras da fibra precisam receber pulverização de 3 a 5 meses no ano. Com o Pyka, é possível otimizar essa operação com a estratégia de voos noturnos, reduzindo as horas de aplicação e gerando mais eficiência. Na aplicação aeroagrícola tradicional, isso não é possível devido a necessidade do piloto ter condições visuais para o voo. O avião é capaz de cobrir até 90 hectare por hora, e a largura da faixa de aplicação é de 18 metros. Isso significa que a eficiência operacional é significativamente aumentada em comparação com métodos tradicionais de pulverização.

Mundo Agro:⁠ ⁠Qual material usado no avião é tecnologia aplicada?

Mateus Dallacqua: A aeronave possui tudo o que é mais moderno na aviação. Desde sua estrutura em fibra de carbono, que garante resistência, durabilidade e fácil manutenção para o campo, passando pela sua aerodinâmica com asas elípticas, que melhoram a deposição da pulverização e reduzem a deriva, até seus computadores de bordo com GPS de alta precisão e radares a Laser que permitem o voo autônomo confiável e preciso.

Mundo Agro: ⁠Quantos hectares o Pelican 2 consegue cobrir por hora e qual sua taxa de aplicação?

Mateus Dallacqua: O Pelican 2 consegue pulverizar até 90 hectares por hora a uma taxa de 10 litros por hectare, com uma faixa de aplicação de 18 metros. Seu tanque é capaz de transportar até 300 litros de defensivos. A autonomia de voo é de 35 minutos, além de um tempo de reserva de 10 minutos.

Mundo Agro: Quantos conjuntos de baterias o Pelican 2 possui e qual sua autonomia?

Mateus Dallacqua: O Pelican 2 vem com cinco conjuntos de bateria de íon de lítio. Cada uma delas garante autonomia de voo de 45 minutos, sendo 35 de voo e 10 de reserva. Cada conjunto leva duas horas para ser recarregada, o que com 5 conjuntos garante a operação ininterrupta.

Mundo Agro: Alguma previsão de vendas já? Quanto custará? Quem comprar será necessário fazer algum tipo de curso?

Mateus Dallacqua: De Janeiro até agora, diversas unidades foram comercializadas, além de um bom número de intenções de compra confirmadas compondo uma carteira de pedidos que já permeia o ano de 2026. E novas entregas estão sempre em andamento. Seu valor de tabela FOB é de US$ 550.000. A Synerjet e a Pyka se encarregam de fazer o treinamento para os operadores do Pelican 2, ainda que a operação seja bastante simplificada: para operar o sistema, basta programar o voo de pulverização, dali em diante é tudo automatizado: a aeronave decola, voa, pulveriza e pousa de volta. Não é necessário um piloto de avião para operá-la. O operador não precisa fazer nada durante o voo, apenas fica de supervisionando a operação.

Mundo Agro:⁠ ⁠O uso de aeronaves 100% elétricas na agricultura representará um trabalho feito com energia verde. Esse é o futuro da avião - pelo menos - agrícola? O Pelican 2 representa não apenas um avanço tecnológico, mas também uma mudança de mentalidade rumo à agricultura sustentável. Podemos afirmar que sim, esse é o futuro da aviação agrícola. Citamos alguns aspectos: aeronaves elétricas não emitem CO2 ou gases poluentes durante a operação; eliminam o uso de combustíveis fósseis, alinhando-se a práticas de descarbonização da cadeia agroindustrial; e reduzem a poluição sonora, o que é importante em áreas próximas a comunidades rurais e reservas ambientais. Além disso, motores elétricos têm maior eficiência na conversão de energia, de até 90%, em comparação aos motores a combustão, e ainda têm menos peças móveis, exigindo menos manutenção e apresentando menos desgaste. Por fim, o custo operacional por hora é muito menor também na parte de combustível, ou seja, a eletricidade é mais barata que a gasolina de aviação.

Mundo Agro: ⁠Quais vantagens a pulverização noturna pode oferecer aos produtores rurais?

Mateus Dallacqua: Aumento da produtividade. Além da diminuição da deriva, isso por uma questão ambiental, de temperatura e ventos, que faz com que o defensivo se acomode na plantação mais rapidamente e de forma mais precisa. Há ainda pragas que possuem comportamento noturno, sendo a aplicação necessária nesses horários. Certos produtos, como so defensivos biológicos, também possuem maior eficiência noturna, além de representar mais um passo em direção a uma agricultura cada vez mais sustentável. Outra vantagem é a capacidade do Pelican Spray de operar em grandes áreas rapidamente e com precisão. Significa que ele pode substituir várias passagens com tratores, resultando em uma economia significativa de insumos e de tempo, ao mesmo tempo em que promove a preservação ambiental com a redução de pegadas de carbono.

Mundo Agro: Que desafios regulatórios ou logísticos podem surgir com a operação de aeronaves autônomas no Brasil?

Mateus Dallacqua: A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e possui regulamentos bem claros, sólidos e avançados que garantem a operação das aeronaves agrícolas autônomas de forma segura e regular. O Brasil conta com sistemas bem maduros que, somados ao fato do Pelican operar exclusivamente em zona rural, em ambientes despovoados, tornam os desafios regulatórios como já superados. Quanto a logística, a expertise da Synerjet em suportar suas frotas de clientes será capaz de garantir que em qualquer ponto do continente onde a aeronave esteja em operação, haverá disponibilidade de suporte técnico e peças de reposição para garantir que aeronave esteja sempre operacional.

Mundo Agro: O Pelican 2 pra você em uma palavra…

Mateus Dallacqua: Realidade

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