Agriturismo conquista brasileiros em busca de experiências autênticas
Luís trocou a logística pelo turismo de raízes e hoje conecta viajantes a destinos pouco explorados em Portugal, Itália, África e Brasil

Após anos atuando no comércio exterior, o ítalo-brasileiro Luis Dainese mudou de rota e mergulhou no turismo de experiências. À frente da DPAN, ele aposta no agriturismo como forma de oferecer viagens com significado — de Portugal, Itália, África e até uma imersão no sertão nordestino, passando por vinícolas, vilarejos e fazendas que revelam a alma de cada destino.
Vem viajar comigo na primeira entrevista de uma série especial que eu fiz com o Dainese!
Mundo Agro: Luis, antes de mais nada, quero que você conte um pouco sobre sua trajetória profissional. Durante alguns anos, você atuou em grandes empresas na área de comércio exterior e logística. Você é ítalo-brasileiro, assim como eu. Como foi essa transição para o setor de turismo? E por que investir em um turismo diferente, voltado a experiências únicas, que vão além dos pontos turísticos tradicionais?
Dainese: Minha trajetória profissional começou em 2006, quando ingressei na área de Logística e Comércio Exterior. Trabalhei em grandes empresas multinacionais de diversos segmentos, como tecnologia, alimentos e varejo alimentar, sempre atuando nas áreas de planejamento e operações. Por serem empresas globais, desde cedo me acostumei a lidar com pessoas de diferentes países e culturas, algo que sempre me atraiu muito.
A paixão pela Itália vem de berço, por influência da minha família paterna, bem tradicional: família grande, almoços de domingo, muita conversa animada e, claro, muita pasta italiana fatta a mano, preparada para um verdadeiro batalhão! Em 2011, tive a oportunidade de trabalhar em uma indústria alimentícia italiana, o que me proporcionou contato direto com a Itália e só aumentou minha admiração pelo país. Foi nesse período que aprendi, de fato, o idioma italiano, que hoje considero quase uma segunda língua.
Minha transição para o turismo aconteceu no segundo semestre de 2022, quando decidi deixar definitivamente a área de logística para me dedicar integralmente a esse novo universo. Embora já fosse sócio de uma empresa criada por uma parceira em 2019, minha participação, até então, era paralela, enquanto eu ainda atuava em logística. Após minha saída da última empresa, aos 40 anos, resolvi virar a chave e abraçar de vez essa nova jornada, que hoje considero uma das melhores decisões da minha vida.
Atualmente, à frente da DPAN Marketing & Representação, o nosso foco é levar ao trade brasileiro experiências turísticas fora dos grandes centros turísticos convencionais da Europa e da África. Nossos primeiros clientes foram portugueses, depois vieram os italianos e, mais recentemente, iniciamos uma parceria com uma empresa africana no coração do continente.
E, há quase um ano, abri a DPAN Travel, com o objetivo de oferecer aos viajantes brasileiros opções diferentes e autênticas de roteiros, sempre com foco em experiências personalizadas e fora do convencional.
Na minha opinião, o público brasileiro está cada vez mais maduro e buscando exatamente isso: viver momentos genuínos, conhecer histórias locais e explorar lugares ainda pouco conhecidos, longe das multidões. Nosso trabalho na DPAN é justamente abrir essas portas e apresentar ao mercado brasileiro um “Portugal além de Lisboa”, uma “Itália além de Roma e Veneza” e, mais recentemente, uma África fora dos circuitos mais óbvios.
Mundo Agro: O agriturismo está em alta no mundo todo. Mas e para os brasileiros? Como você enxerga esse movimento lá fora e aqui no Brasil?
Dainese: Na minha opinião, o agriturismo realmente está em alta no mundo todo, e o Brasil começa a acompanhar essa tendência. Os viajantes estão cada vez mais interessados em experiências genuínas, com contato direto com os moradores locais, aprendendo sobre os costumes, a cultura e até mesmo a gastronomia regional. Não apenas apreciando, mas buscando entender e vivenciar, de fato, como se produz um vinho, um azeite ou participando de uma experiência de cooking class. É claro que o turismo tradicional ainda tem seu espaço, mas percebo um desejo crescente por vivências mais autênticas, que criem uma conexão emocional com o destino.
O “Ano do Turismo de Raízes”, na Itália, em 2024, reforçou ainda mais esse movimento, principalmente entre os brasileiros com ascendência italiana. E acredito que essa busca por experiências de imersão e reconexão com as origens vai continuar crescendo, tanto em viagens internacionais quanto dentro do próprio Brasil, que tem um potencial enorme para o agriturismo em diferentes regiões. Hoje, já vemos muitos brasileiros buscando experiências em vinícolas, fazendas e pequenos vilarejos, tanto na Europa quanto em destinos nacionais.

Mundo Agro: Quando nos conhecemos, você comentou que existe um lado de Portugal que os brasileiros praticamente não exploram. Que região é essa? O que ela oferece em termos de gastronomia, enocultura e agriturismo?Eu, por exemplo, fiquei encantada com a Quinta das Lágrimas e o Hotel Forte de Gaia — a proposta deles, o cuidado com os alimentos, os restaurantes e os vinhos da região, que mesmo não sendo tão conhecidos, são excelentes. Aproveita e conta um pouco mais para o blog sobre essas regiões e sobre as duas redes que você atende.
Dainese: Sim, é verdade. Portugal é um país maravilhoso em vários aspectos e já conquistou o coração dos brasileiros, que se sentem acolhidos e encontram na facilidade do idioma um grande atrativo. No entanto, o destino mais procurado ainda é, sem dúvida, Lisboa. Poucos exploram com profundidade outras regiões igualmente fascinantes, como o Centro e o Norte de Portugal, que têm muito a oferecer em termos de gastronomia, enocultura e experiências autênticas em suas rotas enogastronômicas, como a da Bairrada, no Centro, e a do Douro, no Norte.
Os hotéis que você mencionou são clientes da DPAN Marketing & Representação e estão justamente nessas regiões, com enorme potencial de desenvolvimento turístico para o público brasileiro: Coimbra e Porto.
Começando por Coimbra, temos a charmosa Quinta das Lágrimas, um hotel clássico, com forte ligação à história de Portugal. Para se ter uma ideia, o local foi residência de férias da família real portuguesa quando Coimbra era a capital do país. Foi também palco da famosa história de amor de Pedro e Inês de Castro, imortalizada por Luís de Camões em Os Lusíadas. Estamos falando de uma propriedade com mais de 700 anos, que foi crescendo ao longo da história e, há mais de 30 anos, se transformou em um hotel de luxo. A gastronomia é um dos grandes destaques, com o chef Vítor Dias liderando uma cozinha que valoriza ingredientes produzidos dentro da própria propriedade e também de pequenos produtores locais. Tudo isso resulta em pratos sofisticados, servidos no restaurante Arcadas, harmonizados com os melhores vinhos portugueses — incluindo o vinho exclusivo “Pedro e Inês”, criado especialmente para o hotel.
Já na região do Porto, que é mais conhecida dos brasileiros, está o Forte de Gaia – Autograph Collection. Instalado onde antes funcionava uma antiga cave de vinho do Porto da Real Companhia Velha, o hotel combina design moderno com um profundo respeito pela cultura local. A história do vinho do Porto e a paisagem do Rio Douro estão presentes em cada detalhe da propriedade. O Forte de Gaia foi criado para atender a um público exigente, que busca experiências enogastronômicas de alta qualidade, e seu restaurante, o Dona Maria, reflete isso em um ambiente contemporâneo e sofisticado. Sua localização privilegiada, em Vila Nova de Gaia, com vista para o Douro e para o centro histórico do Porto, completa o charme da experiência.

Mundo Agro: Viajar — para qualquer lugar — é uma forma de adquirir conhecimento. Mas poder vivenciar tradições gastronômicas em locais pouco turísticos, fora do roteiro convencional, é ainda mais especial, não acha? O que os seus roteiros oferecem de diferente nesse sentido?
Dainese: Nossos roteiros são pensados para proporcionar experiências que realmente marquem a vida dos viajantes, tanto no coração quanto na mente. Sempre que possível, incluímos vivências gastronômicas autênticas e momentos de contato direto com a cultura local. Quando o agriturismo ou o turismo de raízes faz sentido no destino, buscamos incluir visitas a produtores locais, participação em colheitas, aulas de culinária e outras atividades que mostrem de onde vêm os sabores de cada lugar.
Aqui no Brasil, por exemplo, temos destinos incríveis e ainda pouco explorados, como a Serra da Capivara, no Piauí, que conta a história da presença humana nas Américas há mais de 30 mil anos, e a Ilha do Ferro, em Alagoas, famosa por seus artesãos e pelas tradições culturais únicas.
Na Europa, o turismo de raízes é um dos grandes focos do nosso trabalho, especialmente na Itália, que tem uma conexão emocional muito forte com o Brasil. Só para se ter uma ideia, são mais de 32 milhões de ítalo-descendentes no Brasil — um público com enorme potencial para esse tipo de viagem.
Mundo Agro: Qual foi o roteiro mais desafiador que você já montou para um cliente? Me refiro a exigências específicas, hospedagens exclusivas ou lugares que quase nenhum turista conhece.
Dainese: Saindo um pouco da Europa, os roteiros mais desafiadores são os destinos asiáticos, que ainda estou aprendendo a trabalhar. As exigências dos clientes são variadas e específicas. A China é um destino bastante procurado, mas também temos Butão e Camboja — cada um com suas riquezas. E, como são destinos caros em todos os aspectos, ainda estou buscando conhecer as melhores condições hoteleiras e gastronômicas para oferecer aos clientes uma experiência marcante.
Mundo Agro: E, para você, trabalhar com turismo é...?
Dainese: Felicidade
Mundo Agro: Além de Portugal, você também oferece viagens personalizadas para a nossa amada Itália e para a África, certo? Sei que você trabalha diretamente com redes especiais nesses países. Mas você também atende outros destinos — inclusive aqui no Brasil — não é mesmo?
Dainese: Com toda certeza. Busco sempre os melhores parceiros em cada destino para oferecer experiências realmente diferenciadas aos meus clientes. Na Europa, conto com uma rede que tem um conhecimento profundo de cada região. No ano passado, estive em Matera, na Itália, participando de uma feira de turismo dedicada ao turismo de raízes, justamente para ampliar as opções para meus clientes. Matera, que fica na Basilicata, é uma cidade cuja história se confunde com a da própria humanidade, com suas casas esculpidas nas rochas.
Além dessas conexões internacionais, também busco conhecer pessoalmente os destinos, para ter o meu próprio olhar na hora de desenvolver cada roteiro. Por isso, a DPAN Travel hoje atende não só à Europa e à África, mas também a destinos especiais dentro do Brasil, sempre com o objetivo de criar experiências autênticas e personalizadas.
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