Logo R7.com
RecordPlus

Brasil disputa Mundial do Pão com treinos, técnico e até psicóloga esportiva

Atletas do pão brasileiros se preparam para representar o país em competição global que valoriza técnica e criatividade

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

  • Google News

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Brasil participará da 10ª edição do Mondial du Pain em Nantes, França, de 17 a 20 de outubro.
  • Equipe brasileira é formada por padeiros e conta com apoio de psicóloga esportiva para melhorar desempenho.
  • Competição avalia sabor, textura, criatividade e domínio técnico em diversas categorias de pães.
  • Lesaffre apoia os competidores, destacando a evolução e a identidade da panificação artesanal no Brasil.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Competição mundial revela força e inovação da panificação artesanal brasileira Foto cedida: Lesaffre

O Brasil participará da 10ª edição do Mondial du Pain, o mais prestigiado campeonato de panificação do mundo, que será realizado entre os dias 17 e 20 de outubro, em Nantes, na França. Realizado a cada dois anos, o campeonato reúne 18 equipes internacionais que desenvolvem receitas típicas de suas regiões, dentro de uma temática proposta.

O Mundo Agro conversou com a equipe que representará o Brasil na competição — Rodolfo Maniçoba, padeiro, e Fernando de Oliveira, treinador —, além de Amanda Paschoalini, gerente de marketing da Lesaffre no Brasil, empresa que apoia o time.


Kássio Pereira, assistente, Rodolfo Maniçoba e Fernando Oliveira Foto cedida: Lesaffre

Mundo Agro: Qual a importância desse campeonato e o que ele representa no setor?

Fernando de Oliveira: Este campeonato é uma vitrine mundial da panificação artesanal e reúne os melhores padeiros do mundo em uma troca intensa de conhecimento técnico, cultural e criativo. É um momento em que os países podem mostrar sua identidade por meio do pão. Para nós, é a oportunidade de afirmar que o Brasil tem uma panificação de altíssimo nível, com talento, criatividade e domínio técnico. É mais do que uma competição: é um marco de valorização da profissão.


Mundo Agro: Como tem sido a preparação desses “atletas”? Tem até psicólogo no time?

Fernando de Oliveira: A rotina é puxada e muito parecida com a de atletas de alta performance: treinos aos finais de semana que começam às 5h da manhã e muitas vezes vão até 20h. Repetição, ajustes técnicos, concentração total. A exigência é enorme, por isso temos apoio de psicóloga esportiva, o que tem feito toda a diferença. Ela nos ajuda a manter o foco, a confiança e a lidar com a pressão. A parte emocional é tão importante quanto a técnica.


Mundo Agro: O que os jurados avaliam? Quais são as provas e nossas chances?

Fernando de Oliveira: Os jurados observam diversos critérios: sabor, textura, aparência, inovação, organização da bancada, domínio técnico, criatividade e até o trabalho em equipe. São dois dias de prova por equipe, 2h30 no primeiro e 8h30 no segundo, com categorias obrigatórias, como pão de trigo, pão nutricional, viennoiseries, e outras livres, onde podemos mostrar nossa identidade brasileira. Estamos confiantes: temos um time talentoso, bem treinado e com uma proposta única.


Mundo Agro: O que é a futura associação Embaixadores do Pão do Brasil e como vê o mercado de panificação por aqui?

Fernando de Oliveira: A Associação nasce com o propósito de formar, inspirar e dar visibilidade aos profissionais da panificação brasileira. Queremos fomentar uma cultura de excelência, com intercâmbio de experiências e valorização das técnicas artesanais. O mercado brasileiro está amadurecendo rápido. O consumidor busca pães mais saudáveis, com fermentação natural, menos aditivos e mais sabor. O Brasil tem clima, ingredientes e criatividade, ou seja, temos tudo para ser referência.

Mundo Agro: Como a panificação entrou na sua vida? Quem te influenciou?

Rodolfo Maniçoba: Comecei cedo, aos 14 anos. Inicialmente era para não ficar na rua e ter alguma tarefa para completar minha rotina. Por meio do meu pai, entrei em uma padaria para auxiliar dois padeiros, auxiliando na lavagem das assadeiras e na limpeza da área da produção. Com o passar dos dias, vendo como acontecia o desenvolvimento dos pães e o forneamento, comecei a me apaixonar pela panificação.

Em pouco tempo já estava fazendo as mise en place das receitas, fazendo a decoração dos pães. Depois de 5 meses, já estava fazendo massas de pães e ajudando os padeiros a fazer os pães por completo.

Mundo Agro: Qual deve ser o maior desafio no campeonato?

Rodolfo Maniçoba: Manter a calma diante da pressão e executar com perfeição tudo o que treinamos. São horas cronometradas, muitos detalhes e jurados atentos a cada movimento. Mas também é um privilégio estar ali representando o Brasil. O maior desafio é transformar nervosismo em energia criativa.

Mundo Agro: Qual é o pão que você mais gosta de fazer?

Rodolfo Maniçoba: O pão que mais gosto de fazer é o croissant.

Mundo Agro: E o que o pão representa para você, em uma palavra?

Rodolfo Maniçoba: Vida

Amanda Paschoalini, gerente de Marketing da Lesaffre no Brasil Foto cedida: Lesaffre

Mundo Agro: Como você explicaria, de forma simples, o papel do fermento e da fermentação no pão?

Amanda Paschoalini: A fermentação é a alma do pão. Ela é o processo que transforma os ingredientes simples, como farinha, água e sal, em algo vivo, aromático e cheio de sabor. O fermento é o agente dessa transformação: além de fazer a massa crescer, ele influencia diretamente na textura, no aroma e na digestibilidade. É um ingrediente que traz vida ao produto.

Mundo Agro: Como a Lesaffre enxerga a evolução da panificação no Brasil?

Amanda Paschoalini: O Brasil vive um momento único. A panificação vem se profissionalizando, ganhando qualidade e identidade. O consumidor está mais exigente, buscando pães com menos aditivos, mais saudáveis e com sabor autêntico. A massa madre e os ingredientes selecionados passaram a ser valorizados e isso estimula todo o setor. Vemos padeiros buscando mais formação, inovando e elevando o padrão. É um caminho sem volta, e temos muito orgulho de apoiar esse movimento.

Mundo Agro: Como é o apoio da Lesaffre aos competidores?

Amanda Paschoalini: A Lesaffre é apoiadora oficial da equipe brasileira porque acredita no poder transformador da panificação. Fornecemos ingredientes, suporte técnico e toda a nossa expertise de mais de 170 anos. Mas mais do que isso, vemos nesse apoio uma forma de incentivar a valorização do padeiro artesanal, da massa madre e da cultura do pão bem-feito. A participação brasileira na competição fortalece o setor e inspira novos profissionais a buscar a excelência.

Mundo Agro: De que forma a competição pode fomentar inovação no setor?

Amanda Paschoalini: Competições como essa são laboratório de ideias. Os competidores testam novas combinações, novas técnicas e formas de apresentação. Isso se reflete diretamente nas padarias, que ganham inspiração e parâmetros de qualidade. Além disso, o evento estimula a formação de redes entre profissionais, o que acelera a disseminação de boas práticas. É um catalisador de inovação e o Brasil tem mostrado criatividade de sobra.

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.