Da terra italiana à mesa paulistana
Vinte restaurantes paulistanos receberão chefs da Itália para celebrar uma gastronomia construída por territórios, tradições e comunidades
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A comida começa muito antes do prato. Está na terra, no clima, nas mãos de quem produz e nos costumes que passam de uma geração para outra.
A 15ª edição da Settimana della Cucina Regionale Italiana, que acontece de 19 a 25 de outubro, levará para cada prato a relação entre território, agricultura e cultural.
Durante uma semana, 20 restaurantes da capital receberão 20 chefes convidados de 20 regiões italianas.

Cada um trará os sabores e as tradições de sua região de origem e, ao lado do chef anfitrião brasileiro, apresentará um menu de três ou quatro etapas, do antipasto até a sobremesa.
Mais do que uma celebração da gastronomia, a Settimana ganha um significado especial no ano em que a cozinha italiana foi reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, valorizando a diversidade de um país em que cada território construiu sua própria identidade à mesa.
“É um reconhecimento que não consagra um prato, um ingrediente ou uma escola, mas um sistema de práticas. Uma iniciativa que ajuda a contar a história da Itália por meio de uma das linguagens universais: a gastronomia,” disse o novo cônsul-geral da Itália em São Paulo, Mauro Campanella.

Ingredientes, técnicas e receitas carregam a história de comunidades que mantiveram sua relação com a terra e transformaram essa herança em cultura alimentar.
“Quem vem da Itália traz um jeito diferente de fazer cada receita. A polenta é preparada de uma maneira, a alcachofra de outra. Essa é a grande vantagem da cozinha italiana, que foi reconhecida pela Unesco justamente por tudo isso: pela cultura, pela história e por toda essa diversidade que começou lá no Instituto de Cultura”, ponderou Gerardo Landulfo, delegado da Accademia Italiana della Cucina em São Paulo.
E esse evento também é muito importante para a cidade de São Paulo, porque a relação entre Itália e Brasil, especialmente com São Paulo, é muito forte.
O reconhecimento da cozinha italiana pela Unesco reforça que não existe alimento sem território e não existe tradição alimentar sem quem produza, preserve nossas raízes e transmita conhecimento.
Em São Paulo, essa história chega ao prato. Durante a semana, os restaurantes participantes se transformam em pequenas embaixadas gastronômicas das regiões italianas, aproximando produtores, cozinheiros, territórios e consumidores por meio de uma linguagem que dispensa tradução: a comida.
Realizada pelo Consulado Geral da Itália em São Paulo, a iniciativa é uma ação de diplomacia cultural e gastronômica. E também uma lembrança de que, entre o campo e a mesa, existe muito mais do que uma cadeia produtiva. Existe identidade.
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