Danone Brasil transforma a cadeia do leite com agricultura regenerativa e bem-estar animal
Programa Jornada Flora une sustentabilidade, capacitação de produtores e redução de emissões de carbono, fortalecendo a produção de leite fresco

A Danone Brasil tem investido em soluções inovadoras para tornar sua cadeia de leite fresco mais sustentável e resiliente. Com foco em agricultura regenerativa, bem-estar animal e inclusão dos produtores, a companhia lançou a Jornada Flora, iniciativa que combina ciência, tecnologia e capacitação técnica para transformar práticas produtivas e reduzir o impacto ambiental da pecuária leiteira.
Para entender melhor os objetivos e resultados do programa, o Mundo Agro conversou com Mário Rezende, vice-presidente de Operações e Sustentabilidade da Danone Brasil. Ele explicou como a iniciativa tem promovido mudanças reais no campo, fortalecendo a subsistência dos produtores e contribuindo para uma cadeia de leite de baixo carbono.

Mundo Agro: O que motivou a Danone a criar a Jornada Flora e como surgiu a ideia de agricultura regenerativa?
Mário Rezende: A Jornada Flora nasceu da necessidade de enfrentar três grandes desafios da cadeia do leite, que é nossa principal matéria-prima: garantir a resiliência de sistemas alimentares, regenerar o meio ambiente e fortalecer a subsistência dos nossos produtores parceiros. Em linha com o compromisso da Danone como Empresa B, reconhecemos que, para produzir leite de forma sustentável, era preciso ir além da redução de impactos e passar a regenerar os ecossistemas envolvidos. Trouxemos a abordagem com foco em agricultura regenerativa unindo ciência, inovação e inclusão para transformar nossa cadeia de leite fresco em um sistema mais resiliente, justo e regenerativo — alinhado também à ambição global da Danone de alcançar a neutralidade de carbono até 2050.
Mundo Agro: Quais são os principais objetivos da Jornada Flora em termos de sustentabilidade e impacto social?
Mário Rezende: A Jornada Flora está diretamente conectada à Jornada de Impacto da Danone, que orienta globalmente a atuação da companhia em três pilares: Saúde, Natureza e Pessoas & Comunidades. Dentro desse contexto, a Jornada Flora tem como principais objetivos acelerar a transição da cadeia do leite fresco para práticas regenerativas e contribuir para a redução da pegada de carbono e metano, alinhando-se às metas globais:
· Reduzir em 30% as emissões de metano na produção de leite até 2030;
· Descarbonizar toda a cadeia de valor e alcançar a neutralidade climática até 2050
· Ampliar a adoção de práticas regenerativas que protejam o solo, a biodiversidade e o bem-estar animal.
No campo social, a Jornada Flora também busca fortalecer a subsistência dos produtores, promovendo inclusão, capacitação técnica e acesso facilitado a crédito.
Mundo Agro: Como a Jornada Flora contribuiu para o aumento da renda dos produtores participantes?
Mário Rezende: A Jornada Flora promove o aumento da renda dos produtores ao investir em capacitação técnica, que melhora a gestão das fazendas e permite decisões mais eficientes no dia a dia; o aumento da produtividade por animal, que significa produzir mais leite com menos recursos; e a criação de uma central de compras, que reduz o custo de insumos ao permitir negociações coletivas.
Com isso, os produtores têm conseguido reduzir custos e aumentar a rentabilidade em cerca de 14%. Essas melhorias operacionais têm comprovado que sustentabilidade é um bom negócio. Ao integrar práticas regenerativas com eficiência econômica, a Jornada Flora fortalece a viabilidade financeira dos produtores e contribui para uma cadeia do leite mais justa, resiliente e de baixo carbono.
Mundo Agro: Que tipo de treinamento e capacitação os agricultores recebem e como isso impacta seu dia a dia?
Mário Rezende: Os produtores participantes da Jornada Flora recebem capacitação técnica focada em três áreas principais: gestão das fazendas, manejo animal e bem-estar animal. O treinamento é personalizado e conduzido por especialistas e parceiros como Sebrae, Embrapa e consultorias técnicas, com o objetivo de melhorar a eficiência produtiva e a sustentabilidade das operações.
Na prática, isso inclui orientações sobre planejamento financeiro, gestão de custos, nutrição e conforto dos animais, manejo de pastagens e dejetos, além da adoção de práticas regenerativas. O foco é garantir que os produtores tenham conhecimento e ferramentas para tomar melhores decisões, aumentar a produtividade e promover o cuidado com os animais — tudo isso dentro de um modelo que une rentabilidade e responsabilidade socioambiental.
Mundo Agro: O crescimento médio de produção de leite foi quatro vezes maior que a média do mercado. Quais práticas ou mudanças explicam esse aumento?
Mário Rezende: Esse resultado está diretamente ligado à capacitação técnica oferecida pela Jornada Flora, que permite aos produtores melhorar a gestão das fazendas e adotar práticas mais eficientes no campo. A transferência de tecnologia e o acompanhamento especializado ajudam os produtores a otimizar recursos e aumentar a produtividade por animal, produzindo mais leite com menos impacto ambiental. Além disso, o foco no bem-estar animal — com melhorias no manejo, conforto térmico e nutrição — contribui para a saúde dos animais e, consequentemente, para a qualidade e volume da produção.
Mundo Agro: Quais são os principais critérios usados no diagnóstico de bem-estar animal nas fazendas?
Mário Rezende: Em 2023, a Danone Brasil assumiu um compromisso pioneiro com o bem-estar animal, integrando critérios rigorosos de avaliação em suas fazendas parceiras, além de capacitações e treinamentos. O diagnóstico considera aspectos como nutrição, saúde, conforto ambiental e comportamento natural dos animais, com base nos modelos dos Cinco Domínios e das Cinco Liberdades.
Mundo Agro: Como a redução do uso de antibióticos impactou a saúde do rebanho e a qualidade do leite?
Mário Rezende: Como parte das ações da Jornada Flora, a Danone Brasil incentiva o uso racional de antibióticos e oferece consultoria técnica para melhorar a qualidade do leite, com foco na redução da Contagem de Células Somáticas (CCS), que é um indicador direto da saúde dos animais. As ações na prática incluem treinamento de ordenhadores, aperfeiçoamento dos processos de ordenha, manejo adequado dos animais (com foco em bem-estar) e recomendações técnicas sobre medicamentos. Como resultado, os produtores reduzem custos, melhoram a saúde animal e garantem um leite de melhor qualidade.
Mundo Agro: Que desafios a Danone encontrou ao implementar práticas de bem-estar animal e como foram superados?
Mário Rezende: É um processo que exige escuta ativa, adaptação e construção de confiança com os produtores. Uma chave dessa transformação é demonstrar que o bem-estar animal não é apenas um compromisso ético, mas também uma alavanca de produtividade e rentabilidade nas fazendas. Ao integrar indicadores de bem-estar ao modelo de gestão das fazendas, conseguimos mostrar que animais mais saudáveis produzem mais e melhor, gerando valor para toda a cadeia.
Para isso, a Danone investiu em um modelo colaborativo e educativo, com apoio de parceiros técnicos como Embrapa, BE.Animal e F&S Consulting. Criamos o programa “Fazenda Tudo de Bem”, que oferece assistência técnica personalizada focada em bem-estar animal, capacitação contínua e ferramentas práticas para que os produtores possam implementar melhorias reais no manejo dos animais. Hoje temos evidências concretas de que é possível transformar a cadeia do leite com impacto positivo para os animais, para os agricultores e para o planeta.
Mundo Agro: Que práticas regenerativas estão sendo aplicadas nas fazendas parceiras e como elas contribuem para a redução de emissões de metano e CO2?
Mário Rezende: A frente mais importante para termos conseguido reduzir 42% de metano, de 2020 a 2024, nas fazendas participantes da Jornada Flora tem sido o aumento da eficiência produtiva em fazendas parceiras por meio de assistência técnica personalizada.
Ao melhorar o desempenho dos animais — ou seja, ao produzir mais leite por vaca — conseguimos reduzir a emissão de metano por litro de leite. Também temos testado, ainda em menor escala, o uso Bovaer® como aditivo para a alimentação de ruminantes.
Temos buscado soluções escaláveis para gerar impacto ambiental positivo sem comprometer a rentabilidade do produtor, reforçando nosso compromisso com uma cadeia do leite mais sustentável e regenerativa de forma inclusiva.
Mundo Agro: Como a Danone mede e certifica o leite de baixo carbono?
Mário Rezende: A Danone realiza a medição da pegada de carbono nas fazendas por meio de uma avaliação anual conduzida por uma consultoria especializada, em parceria com o SEBRAE. Essa análise considera as emissões por quilo de leite corrigido (FPCM), e os produtores que emitem menos de 1 kg de CO₂ equivalente por kg de leite são classificados como de baixo carbono.
Mundo Agro: A meta de neutralidade de carbono até 2050 é ambiciosa. Quais passos práticos a Jornada Flora está dando para chegar lá?
Mário Rezende: Para a cadeia do leite fresco, a Jornada Flora é nosso principal motor local que contribui com as metas globais da Danone ruma à neutralidade de carbono até 2050. Entre 2020 e 2024, conseguimos reduzir em 47% as emissões de CO₂ na nossa cadeia de leite fresco — quase metade em apenas quatro anos. Esse resultado é fruto de ações práticas no campo, como o aumento da eficiência produtiva, que permite produzir mais leite com menos impacto ambiental, junto com o avanço da implementação de práticas regenerativas em nossas fazendas parceiras.
Mundo Agro: Como funciona o EDUCAMPO e que resultados já foram alcançados com essa iniciativa?
Mário Rezende: O EDUCAMPO é um programa desenvolvido em parceria com o Sebrae e se dedica à capacitação de agricultores parceiros. A iniciativa oferece assistência técnica e gerencial especializada e apoia produtores em áreas como nutrição, reprodução, manejo de pastagens e gestão financeira, trazendo diversos benefícios aos produtores, como aumento da produção de leite, redução de custos e crescimento de receita. Desde o início da Jornada Flora, capacitamos mais de 133 produtores de leite por meio dessa iniciativa em parceria.
Mundo Agro: De que forma a Fazenda Tudo de Bem ajuda os produtores a melhorar o bem-estar animal?
Mário Rezende: A Fazenda Tudo de Bem é uma iniciativa da Danone que oferece suporte técnico e ferramentas práticas para que os produtores possam implementar melhorias reais no bem-estar dos animais. Por meio de parcerias com instituições como Embrapa, BE.Animal e F&S Consulting, o programa capacita os produtores em temas como manejo adequado, conforto térmico, nutrição equilibrada e práticas que respeitam o comportamento natural dos animais. O objetivo é garantir que os animais estejam saudáveis, tranquilos e bem cuidados — o que também se reflete em maior produtividade e qualidade do leite.
Além da capacitação, os produtores recebem acompanhamento técnico contínuo e acesso a indicadores que ajudam a monitorar o progresso das ações. A abordagem é personalizada, respeitando as características de cada fazenda, e busca criar uma cultura de cuidado que seja sustentável no longo prazo.
Mundo Agro: Qual é o papel dos parceiros como Sebrae, Banco do Brasil e Embrapa dentro da Jornada Flora?
Mário Rezende: Os parceiros da Jornada Flora são fundamentais para viabilizar a transformação da nossa cadeia de leite fresco. O Sebrae atua na capacitação dos produtores, oferecendo suporte técnico e gerencial para a adoção de práticas regenerativas. A Embrapa contribui com validação científica e desenvolvimento de soluções adaptadas à realidade brasileira, garantindo que as ações tenham impacto mensurável.
Já o Banco do Brasil é um aliado estratégico na ampliação do acesso ao crédito. Por meio da Jornada Flora, mais de R$ 175 milhões em crédito foram facilitados para nossos produtores parceiros nos últimos 3 anos, permitindo investimentos em infraestrutura, bem-estar animal e tecnologias sustentáveis. Essa rede de parceiros fortalece a escalabilidade da iniciativa e acelera o progresso rumo a uma cadeia de leite mais eficiente e regenerativa.
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