Expansão dos biocombustíveis aumenta risco de ataques cibernéticos nas usinas
Digitalização das plantas e integração com o sistema elétrico tornam a segurança digital estratégica para o setor

A expansão dos biocombustíveis no Brasil, especialmente do etanol de milho, aumenta também a preocupação com a segurança cibernética das usinas.
A modernização das plantas e a integração entre sistemas industriais, redes corporativas e infraestrutura elétrica ampliam a exposição a ataques capazes de interromper a produção.
Segundo a União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), Mato Grosso deve moer 13,52 milhões de toneladas de milho para produção de etanol na safra 2025/26, contra 0,23 milhão de toneladas em 2014/15. Mato Grosso do Sul e Goiás também ampliaram a produção.

Para Leonardo Cardoso, diretor de Relações Institucionais da TI Safe, o avanço da automação exige que a proteção digital acompanhe o crescimento do setor.
“Uma usina moderna reúne sistemas de supervisão, controle, automação, telecomunicações, sensores, redes corporativas e equipamentos responsáveis por processos físicos críticos. O risco ganha dimensão ainda maior com a convergência entre Tecnologia da Informação (TI) e Tecnologia Operacional (TO)”, afirma.
Um caso recente na Austrália reforçou o alerta. A Mackay Sugar sofreu um ataque cibernético que interrompeu as operações de duas usinas e afetou o processamento, a colheita e o transporte de cana.
No Brasil, as plantas conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN) também estão sujeitas a requisitos de segurança cibernética.
“Em um setor responsável por produzir combustível, energia e movimentar uma extensa cadeia agrícola e industrial, estar conectado ao mundo digital significa também estar preparado para se defender dele”, concluiu Cardoso.
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