Fazenda Dedo de Deus redefine o cultivo do cacau com inovação e alta produtividade
Manejo inovador, tecnologia e visão estratégica colocam a propriedade entre as mais produtivas do mundo

A jornada do cacau numa fazenda especial.
Do fruto ao produto final — o chocolate —, que adoça, acolhe e deixa todo mundo feliz, também é a grande estrela de dois hotéis e, em breve, de um parque temático. É o império da Cacau Show.
Na fazenda Dedo de Deus, em Linhares, no Espírito Santo, o fruto se transforma no eixo de um ecossistema que envolve produção de alta performance e tecnologia.
Em entrevista exclusiva ao Mundo Agro, Alê Costa, CEO da Cacau Show, falou sobre produtividade, manejo e sua relação com o fruto.

Mundo Agro: Qual é a história por trás do nome da fazenda “Dedo de Deus”?
Alê Costa: É muito interessante, porque ela fica numa lagoa, com água em volta. Se você fizer uma foto de cima, ela parece uma mão. Ela se chama Dedo de Deus porque realmente parece uma mão. É lindo.
Mundo Agro: Você é visionário e, nessa fazenda, implantou práticas que não eram comuns, como plantio direto, pleno sol e irrigação. Do início desse manejo até hoje, qual foi o ganho em produtividade?
Alê Costa: O Brasil tem hoje, em média, 500 quilos por hectare. Em nossa fazenda, estamos produzindo quase 3 mil quilos por hectare — algo em torno de 2.850. Isso representa mais de cinco vezes a média nacional e, eu diria, até a média mundial, já que o mundo produz cerca de 450 quilos por hectare, especialmente na África. Com técnica, levando até o pé da planta a água e a ‘comidinha’ de que ela precisa, conseguimos aumentar significativamente a produtividade, o que torna a produção de cacau muito viável. Nosso objetivo, neste momento, é buscar novas áreas para que, quem sabe, até 2030, possamos nos tornar independentes, autossuficientes na produção de cacau.
Mundo Agro: Esse cacau da fazenda é o utilizado na na linha Bean to Bar(do grão à barra) e Tree to Bar(da fazenda à barra), com alto teor de cacau.
Alê Costa: Sim, da linha Bendito Cacau, além dos produtos que fazemos com zero lactose, do vegano — que está indo super bem — e também do kosher, que são dois produtos bem especiais dentro dessa linha

Mundo Agro: As mudanças climáticas afetam qualquer tipo de plantio. Houve algum impacto na produção?
Alê Costa: A gente tem a grande sorte de ter muita água por perto. Com as mudanças climáticas, conseguimos, ao levar para a planta água e alimento, reduzir um pouco os impactos em relação à média do mercado.
Mundo Agro: De que forma o cacau conecta seus projetos — do livro ao documentário e ao parque temático?
Alê Costa: Eu gravei um documentário que vai sair em breve. Viajei por 22 países, escrevi um livro e produzi esse documentário, que é um bean to heart, do grão ao coração. O cacau é um fruto com características muito especiais, tanto do ponto de vista alimentar — pelos flavonoides, por exemplo — quanto pela sua história riquíssima. Um dos livros que escrevi, inclusive, foi tema de carnaval em 2010 e ajudou a Rosas de Ouro a vencer o desfile depois de 19 anos.O parque tem tudo a ver com isso, pois resgata a história do cacau desde os maias, mostrando como ele surgiu. Tanto o documentário quanto o livro abordam a dimensão mais sagrada do produto, o lado científico dos alimentos e também o aspecto cultural.Hoje, o cacau está no eixo do nosso ecossistema: temos fazendas, indústrias, lojas, hotéis e parques temáticos — tudo gira em torno dele. No centro de tudo isso, o cacau é o eixo do nosso negócio. Para nós, é um fruto sagrado.

Mundo Agro: Para finalizar, o que o cacau representa para você?
Alê Costa: Para mim, o cacau é show. Ele é bendito, ele é show, viu? É show porque toca a vida de milhões de pessoas. E, cada vez mais, nós somos uma empresa de entretenimento, de show. Mas ele também é sagrado, é bendito para nós. É um fruto que trouxe muitas coisas boas para muitas civilizações.
✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp














