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Gestão de energia se torna estratégica para produtores rurais

Transição para fontes renováveis e novos modelos de contratação ajudam produtores a reduzir custos e ganhar previsibilidade

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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Foto cedida: Wanezza Soares /Prime Energy wanezza

O aumento do consumo de energia nas operações agrícolas e a volatilidade das tarifas elétricas estão levando o agronegócio brasileiro a repensar sua estratégia energética. Modelos baseados em fontes renováveis e novas formas de contratação vêm ganhando espaço como alternativa para reduzir custos e aumentar a previsibilidade financeira.

Em entrevista ao Portal R7 – Mundo Agro, Ana Lia Ferrero, CEO da Prime Energy, comentou os desafios energéticos enfrentados pelo setor e explica como soluções inovadoras podem apoiar produtores e agroindústrias.


Mundo Agro: Por que a transição para fontes renováveis se tornou estratégica para o agronegócio brasileiro?

Ana Lia Ferrero: A energia hoje é um dos principais componentes da estrutura de custos do agronegócio. Para produtores conectados em média e alta tensão, que utilizam irrigação intensiva, secagem de grãos, armazenagem, refrigeração e processamento, o consumo é elevado e a fatura de energia tem peso relevante no resultado final da operação.


Além disso, enfrentamos um cenário de maior instabilidade climática. Períodos de seca reduzem os níveis dos reservatórios e levam ao acionamento de usinas térmicas, que possuem custo de geração mais alto e impactam diretamente as tarifas. Em outros momentos, o excesso de chuvas também interfere na produção e eleva a demanda por equipamentos elétricos. Ou seja, o produtor já lida com riscos naturais e não pode assumir também o risco da imprevisibilidade energética.

Nesse contexto, a transição para fontes renováveis passa a ser estratégica porque combina dois fatores essenciais: redução de custos e previsibilidade. Modelos como Energia por Assinatura e soluções envolvendo o Mercado Livre de Energia permitem maior controle sobre essa despesa. Além disso, há uma demanda crescente por práticas renováveis ao longo da cadeia produtiva, especialmente em mercados internacionais. A energia limpa, portanto, fortalece a competitividade do agro brasileiro.


Mundo Agro: Quais são os principais desafios energéticos enfrentados hoje por produtores rurais e agroindústrias?

Ana Lia Ferrero: O principal desafio é a imprevisibilidade tarifária. O produtor precisa planejar a safra com antecedência, organizar fluxo de caixa e projetar rentabilidade. Quando as tarifas sofrem reajustes frequentes ou são impactadas por bandeiras tarifárias, esse planejamento fica comprometido.


As mudanças climáticas intensificaram esse cenário. Secas mais severas elevam o custo de geração no país. Esse aumento é repassado ao consumidor. Para produtores conectados em média e alta tensão, cujo consumo é alto, o impacto é ainda maior. Em muitas operações, a energia está entre os maiores custos fixos.

Diante disso, cresce a necessidade de modelos que ofereçam previsibilidade e reduzam a exposição às oscilações do setor elétrico.

Mundo Agro: Como a volatilidade das tarifas impacta o planejamento financeiro no campo?

Ana Lia Ferrero: A volatilidade compromete diretamente a margem da produção. O agronegócio exige investimento antecipado e planejamento de médio prazo. O produtor define custos antes da colheita e muitas vezes negocia contratos considerando uma estrutura estimada de despesas.

Se a energia sofre variações significativas ao longo do ciclo produtivo, a rentabilidade pode ser reduzida. Para agroindústrias, isso também afeta a formação de preço e a negociação com clientes.

Reduzir a exposição à oscilação tarifária é uma forma de proteger o fluxo de caixa e garantir mais estabilidade para decisões estratégicas, como expansão da área produtiva ou modernização da estrutura.

Mundo Agro: O Brasil tem vantagens competitivas na geração de energia renovável para o agro? Quais?

Ana Lia Ferrero: O Brasil possui uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo e alta incidência solar em praticamente todo o território. Isso cria um ambiente extremamente favorável para a expansão da energia solar.

No modelo de Energia por Assinatura, essa vantagem natural se traduz em acesso. O produtor não precisa construir usina própria, não realiza obras e não assume custos de manutenção. Funciona como um sistema de geração compartilhada, semelhante a um consórcio: a energia é produzida em fazendas solares remotas, conectadas à rede da distribuidora, e os créditos são compensados diretamente na fatura do consorciado.

Esse modelo pode atender produtores de diferentes regiões do país, desde que dentro da área de atuação da distribuidora onde a usina está conectada. A Prime Energy estrutura projetos em diferentes estados justamente para ampliar essa cobertura.

Além disso, produtores conectados em média e alta tensão podem optar pela migração ao Mercado Livre de Energia, negociando diretamente preço, prazo e fonte. A combinação de recurso natural abundante, escala do agronegócio e ambiente regulatório consolidado coloca o Brasil em posição privilegiada na transição energética aplicada ao campo.

Mundo Agro: Como funciona, na prática, o modelo de energia por assinatura?

Ana Lia Ferrero: O modelo de energia por assinatura está estruturado com base no Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE), operando por meio da dinâmica de compensação de créditos, nos termos da legislação e regulamentação vigentes.

Ele está fundamentado nas diretrizes da Geração Distribuída, conforme estabelecido na Lei nº 14.300/2022 e nas regulamentações aplicáveis da ANEEL, que disciplinam a geração de energia em local distinto da unidade consumidora e sua respectiva compensação de créditos, inclusive por meio de consórcios, cooperativas ou associações, conforme previsto na regulação.

No caso prático da solução de Energia por Assinatura da Shell Energy, ofertada pela Prime Energy, o funcionamento ocorre da seguinte forma: o produtor adere ao consórcio como consorciado e passa a ter direito à compensação de créditos de energia decorrentes da geração realizada pelas usinas contratadas pela Prime Energy.

A energia injetada na rede pelas usinas gera créditos, que são apurados automaticamente e compensados na fatura de energia da unidade consumidora do produtor/consorciado, emitida pela distribuidora local, conforme regras, critérios técnicos e prazos de processamento definidos pela concessionária.

Assim, eventual economia está diretamente vinculada ao volume de créditos de energia efetivamente compensados no respectivo período de faturamento.

Todo esse processo é detalhado mensalmente por meio de relatório elaborado por nossa equipe de gestão, com finalidade informativa, apresentando os percentuais de economia observados. Esses percentuais podem variar conforme a região da concessionária, considerando fatores regulatórios, climáticos e/ou regras específicas da distribuidora local.

Mundo Agro: Quais perfis de produtores rurais mais se beneficiam desse formato?

Ana Lia Ferrero: A Energia por Assinatura é especialmente indicada para produtores conectados em baixa tensão, o que inclui grande parte dos pequenos e médios produtores rurais. Contas a partir de aproximadamente R$ 800 mensais já podem ser elegíveis, com possibilidade de descontos que podem chegar a até 25%, dependendo da região e das condições contratuais.

Esse formato é particularmente relevante para quem não deseja imobilizar capital na construção de uma usina própria, mas quer reduzir custos de forma imediata.

Produtores conectados em média e alta tensão também podem aderir, porém nesses casos é essencial uma análise técnica. Quando o consumo é elevado e o perfil é mais industrial, o Mercado Livre de Energia costuma oferecer maior competitividade e contratos de longo prazo com previsibilidade ampliada. Na Prime Energy, avaliamos individualmente cada caso para indicar o modelo mais eficiente.

Mundo Agro: Quais são as principais vantagens em comparação à instalação de uma usina solar própria?

Ana Lia Ferrero: A principal vantagem é não exigir investimento inicial. A usina própria demanda capital elevado, projeto técnico, espaço físico e manutenção contínua.

Na Energia por Assinatura, o produtor não imobiliza recursos e mantém seu capital disponível para investir na própria atividade produtiva. Além disso, não assume risco técnico relacionado à geração ou desempenho do sistema.

É uma solução mais simples, acessível e financeiramente estratégica para muitos perfis.

Mundo Agro: Como ocorre a compensação dos créditos na fatura de energia?

Ana Lia Ferrero: A compensação de créditos ocorre por meio do Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE), instituído pela Resolução Normativa nº 482/2012 e pelas demais regulamentações aplicáveis. Esse arcabouço regulatório estabeleceu o mecanismo que permite aos consumidores participantes de empreendimentos de Geração Distribuída, como consórcios, injetar energia na rede elétrica e receber créditos para posterior compensação, observados os critérios técnicos e regulatórios vigentes.

Na prática, a distribuidora é responsável por contabilizar os créditos de energia gerados pelas usinas e aplicar o abatimento proporcional na fatura da unidade consumidora do consorciado/produtor. A distribuidora permanece responsável pela entrega da energia e pela qualidade do fornecimento, inclusive em relação a eventuais interrupções ou ocorrências na rede.

Dessa forma, a economia obtida não decorre de um simples desconto comercial, mas da compensação energética reconhecida e processada pela própria distribuidora, dentro do sistema regulatório vigente.

O relacionamento contratual com a distribuidora permanece inalterado, não havendo substituição do fornecedor de energia. O que ocorre é a aplicação do mecanismo regulatório de compensação de energia, nos termos da legislação vigente, o que contribui para maior previsibilidade de custos ao produtor.

Mundo Agro: Quais cuidados o produtor deve ter antes de aderir ao modelo?

Ana Lia Ferrero: É fundamental analisar o histórico de consumo, o tipo de conexão, os prazos contratuais e as regras de reajuste. Também é importante avaliar a solidez da empresa gestora e a estrutura do projeto.

Uma análise técnica adequada garante que o modelo escolhido realmente gere economia consistente ao longo do contrato.

Mundo Agro: Esse sistema realmente garante economia imediata? Em que condições?

Ana Lia Ferrero: Quando o perfil de consumo está adequado ao modelo, a economia ocorre desde o início da compensação dos créditos. Para empresas em baixa tensão, os descontos podem chegar a até 25%, a depender das dinâmicas de compensação e a não incidência de bandeiras tarifárias.

A economia depende do enquadramento regulatório, da distribuidora e da adequação contratual ao consumo do produtor. Por isso, o diagnóstico correto é essencial, de modo que o cumprimento das etapas técnicas, em especial aquelas por parte da distribuidora, estejam devidamente previstas.

Mundo Agro: Como os contratos de longo prazo ajudam a garantir previsibilidade de custos?

Ana Lia Ferrero: Contratos estruturados permitem maior estabilidade nas condições comerciais. No Mercado Livre de Energia, especialmente para média e alta tensão, é possível negociar preço e prazo, reduzindo a exposição às oscilações tarifárias.

Essa previsibilidade é fundamental para planejamento financeiro, formação de preço e proteção de margem.

Mundo Agro: Quais tipos de empreendimentos do agro mais utilizam esse modelo?

Ana Lia Ferrero: Agroindústrias, cooperativas, armazéns, produtores com irrigação intensiva e operações de proteína animal estão entre os principais usuários, justamente por apresentarem consumo contínuo e relevante.

Nesses casos, a energia deixa de ser apenas um custo operacional e passa a ser uma ferramenta estratégica de eficiência, competitividade e na valorização das fontes renováveis.

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