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Conheça Marcelino, mestre da horta e da simplicidade no interior

Ituano que vive na fazenda cultiva com amor e dedicação a horta do Paineiras

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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Marcelino, o mestre da horta Arquivo pessoal

Sempre ouvi dizer que quem vive na fazenda faz tudo com amor. Do cuidado com os animais à preservação do ambiente, só quem é do mato compreende.

Marcelino Garcia é um desses personagens que cruzam o nosso caminho e trazem conhecimento. Eu já o conheço há alguns anos. Ele é um dos moradores da Fazenda Paineiras, em Itu, interior de São Paulo.


Já passou dos cinquenta anos, mas ficou meio ressabiado quando perguntei a idade. Apenas sorrimos e seguimos com a conversa.

Ele vem de uma família grande: são onze irmãos espalhados pelo mundo, como ele mesmo gosta de dizer.


E conhece cada canto do chão da região como ninguém. “Se você seguir por essa estrada de terra, cê vai cair dentro da cidade”, explicou. E se você quer saber da previsão do tempo, é só perguntar. “Chove não”, disse sorrindo.

A horta dele é famosa. Se você busca uma alface fresca, é de lá que virá a melhor. Mas não é sempre que tem.


Na fazenda, tudo segue o ritmo da natureza. Para a alface estar pronta para o consumo, leva cerca de 20 dias após o plantio da muda. Isso, claro, depende da rega diária e da torcida para não chover demais.

E para as hortaliças crescerem, Marcelino cuida delas duas vezes ao dia: a primeira rega é às 4h30 da manhã, quando o sol ainda não apareceu. A segunda, no fim da tarde.


Da casa dele até a horta, são apenas alguns passos. Nem a prótese em uma das pernas – resultado de um acidente com um trator anos atrás – o impede de caminhar com confiança pelo lugar onde ele se sente mais em casa do que nunca.

À medida que deixa a timidez de lado, Marcelino se torna um contador de histórias. Durante nossa caminhada, ele comentou sobre a violência em São Paulo, algo que acompanha pela televisão, sua fiel companheira.

Quando chegamos à horta, os olhos dele brilham ao mostrar as mudas que plantou com tanto carinho. “Não quer levar uma couve? Tá uma delícia! Imagina com feijoada?”, brincou.

Marcelino é um exemplo de quem vive a simplicidade com sabedoria. Seu amor pela terra e pela vida no campo é inspirador. “Sou bicho do mato”, disse com orgulho.

E eu acredito que ele seja genuinamente feliz assim. Talvez isso explique por que também gosto tanto de estar aqui. No campo, aprendemos a enxergar a vida de outra forma, com mais calma, respeito e gratidão.

Obrigada, Marcelino.

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