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O cientista que busca antecipar o estresse nas lavouras

Premiado pela Fundação Bunge, pesquisador usa inteligência artificial, drones e genética para antecipar os efeitos do calor e da falta de água nas lavouras

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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Paulo Eduardo Teodoro, pesquisador e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) Foto cedida: Keiny Andrade

Antes que a seca ou o calor provoquem perdas na lavoura, as plantas já podem estar emitindo sinais de estresse. É justamente nessa fase, ainda invisível a olho nu, que o pesquisador Paulo Eduardo Teodoro concentra parte de seu trabalho.

Professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Teodoro foi reconhecido na categoria Juventude do Prêmio Fundação Bunge 2026 pelo trabalho desenvolvido no tema “Os desafios da agricultura tropical sustentável: produção em cenários de estresses térmico e hídrico”.

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Sua pesquisa combina genética vegetal, agricultura digital, sensoriamento remoto e inteligência artificial para identificar precocemente os efeitos da falta de água e das altas temperaturas em culturas como soja, milho e algodão.

Por meio de drones e sensores, os pesquisadores captam informações fisiológicas e bioquímicas das plantas que não são perceptíveis apenas pela observação. Os dados são analisados por modelos computacionais e ajudam a identificar características associadas à tolerância à seca e ao calor.

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“Buscamos detectar alterações que muitas vezes ainda não são visíveis a olho nu. Quanto mais cedo identificamos um problema, maiores são as chances de minimizar perdas”, afirmou Teodoro.

Natural de Aquidauana (MS), o pesquisador é filho de um mecânico e de uma vendedora. O interesse pela matemática o levou à Engenharia Civil, mas a aprovação em Agronomia pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) fez com que optasse por cursar as duas graduações simultaneamente.

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Desde 2017, na UFMS, Teodoro passou a desenvolver pesquisas que aproximam genética vegetal, fisiologia, agricultura de precisão, sensoriamento remoto e ciência de dados.

“A ciência só consegue gerar impacto quando é construída coletivamente. A agricultura precisa de pessoas de diferentes áreas trabalhando juntas”, destacou.

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O reconhecimento coloca em evidência uma questão cada vez mais presente no campo: como produzir diante de temperaturas elevadas e maior risco de estresse hídrico. Para Teodoro, parte da resposta está em identificar o problema antes que ele se transforme em prejuízo.

Paulo e a esposa Larissa Pereira Ribeiro Teodoro Foto cedida: Keiny Andrade

O reconhecimento também tem um significado especial dentro de casa. A esposa de Paulo, a pesquisadora Larissa Pereira Ribeiro Teodoro, professora da UFMS, recebeu o Prêmio Fundação Bunge em 2024. Agora, dois anos depois, é a vez de Paulo ser homenageado pela mesma premiação, em um reconhecimento que, para ele, simboliza a trajetória acadêmica construída pelo casal.

“A minha esposa ganhou esse prêmio em 2024, eu estou conseguindo ganhar esse prêmio em 2026. Para mim, representa toda a consolidação de um histórico que a gente vem desenvolvendo desde que escolhi seguir por essa carreira, quando fiz mestrado, doutorado, me tornei professor da UFMS e começamos a trabalhar duro”, disse.

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