O futebol como fator de integração do imigrante italiano no interior paulista
O Mundo Agro abre a porteira para o jornalista e historiador Fernando Razzo Galuppo
Mundo Agro|Do R7

Durante a apresentação oficial do “Almanaque da Presença Italiana no Futebol Brasileiro”, no Consulado Geral da Itália em São Paulo, conheci uma pessoa espetacular. O Galuppo é luz, alegria e tem inúmeras histórias para contar.
E não é à toa que ele é autor de outros livros, como “Palmeiras Campeão do Mundo 1951”, da Editora Maquinaria; “Alma Palestrina” e “Meu Time do Coração”, da Editora Leitura; “Morre Líder, Nasce Campeão!” e “Glórias de um Moleque Travesso”, da BB Editora — e por aí vai.
Ah... ele ainda coordenou, junto com uma equipe, o processo de revitalização do Salão de Troféus do Verdão.
Durante a palestra no consulado, me encantei. Sim, descobri que a chegada do futebol ao Brasil e seu sucesso estão diretamente ligados às fazendas de café daquela época.
Mas eu vou deixar o Galuppo contar pra vocês.
Grazie, amico Galuppo.

“A comunidade italiana no Brasil celebra os 150 anos da grande imigração. No final do século XIX mais de um milhão de pessoas saíram da península itálica rumo às Américas, numa das maiores diásporas já registradas.
Em particular, aqui em São Paulo, esse imigrante veio em grande parte para substituir a mão de obra escrava. Após a travessia de navio, era comum serem recebidos na Hospedaria do Brás e direcionados para as lavouras de café espalhadas pelo interior do Estado.
Nesse contexto, era comum as partidas de futebol serem o principal instrumento de reunião popular e de mobilização de massas, a fim de aplacar um pouco a saudades da Terra Natal e esquecer as agruras do trabalho pesado no campo.
Casas comerciais de italianos e descendentes promoviam suas marcas com placas publicitárias nos jogos de futebol ou ofereciam um troféu com o nome de seu estabelecimento ou proprietário.
Desse modo, o Palestra Italia, fundado pelos ítalo-descendente em 1914, atual Sociedade Esportiva Palmeiras, foi um dos principais difusores dessas empresas e personagens em suas partidas de futebol.
Taças com nomes importantes como Falchi, Matarazzo, Crespi, entre outros, e de estabelecimentos como Castelões, Sudan, Unione dei Viaggiatori Itáliani, Casa Roque De Marmo, Pastifícios e uma outra centena de pequenos negócios ou grandes indústrias, estão preservados até hoje na Sala de Troféus do Palmeiras, e remontam essa história das primeiras formas de propaganda através do futebol.
Outro ponto importante era a reversão de rendas e valores das bilheterias dos jogos para as causas sociais da comunidade italiana. São inúmeros os registros de jogos beneficentes do Palestra Italia em prol do Hospital Humberto I, dos Comitês Pró-Pátria, da Cruz Vermelha, de Círculos Italianos e Institutos de Mútuo Socorro espalhados pelo Brasil.
A popularidade do Palestra Italia no interior do Estado de São Paulo, onde tem uma das maiores torcidas até hoje, se construiu pelo fato do clube ser uma atração itinerante e um elo que levava dignidade e pertencimento de unidade e identidade italiana aos imigrantes espalhados pelas zonas agrícolas e rurais, que tinham no futebol uma das poucas formas de lazer e distração em seu tempo livre.
Foi no distrito de Votorantim, em Sorocaba, por exemplo, a primeira aparição esportiva do Palestra Italia, em janeiro de 1915. No auge do Ciclo do Café (compreendido até 1930), os palestrinos foram atração constantes nas seguintes cidades paulistas: Amparo, Bebedouro, Botucatu, Bragança Paulista, Caçapava, Campinas, Espírito Santo do Pinhal, Guaratinguetá, Itapira, Jacareí, Jaú, Jundiai, Limeira, Piracicaba, Ribeirão Preto, Rio Claro, Salto de Itú, Santos, Santa Rita do Passa Quatro, São Bernardo do Campo, São Carlos, São João da Boa Vista, São José do Rio Preto, São Roque e Taubaté.
Aos finais de semana, quando não atuava nas competições oficiais, o Palestra Italia estava no interior, perto dos “Oriundi” e movimentando essas regiões, que os recebia com pompas e festejos.
Não à toa, o sucesso da Società Sportiva Palestra Italia inspirou e fez surgir uma série de clubes homônimos que congregava os ítalo-brasileiros de cada uma dessas regiões, fortalecendo os laços junto àquelas comunidades.
Esse é um dos tantos legados que o futebol e a imigração italiana nos oferece a mais de 150 anos e está retratado em 200 páginas na obra “Almanaque da Presença Italiana no Futebol Brasileiro”, publicado pela editora Garoa Livros, com apoio institucional do Consulado Geral da Itália em São Paulo, Circolo Italiano e Colégio Dante Alighieri."
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