O segredo do malte: os bastidores da matéria-prima que dá vida à cerveja
Da pesquisa genética da cevada à secagem final, você vai conhecer o processo que transforma grãos em malte
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No “Na Rota da Cerveja”, série especial do blog em que desvendo o caminho da cevada até a cerveja que está no seu copo, conheci a maltaria da Ambev, em Passo Fundo–RS.
Marina Pezzini é a primeira gerente fabril da unidade. Engenheira de alimentos, técnica e mestre cervejeira, passou por várias posições na companhia e, agora, lidera a produção do malte, principal matéria-prima para a cerveja, combinando inovação, sustentabilidade e excelência operacional.

Mundo Agro: Há quanto tempo você está na Ambev e como foi sua trajetória na companhia? É a primeira gerente fabril na maltaria.
Marina Pezzini: Tenho 11 anos de Ambev. Comecei como estagiária, fui supervisora, especialista, gerente de produção e gerente regional de qualidade de maltarias na América do Sul. Sou a primeira gerente Fabril mulher formada aqui. Até então, tivemos quatro gerentes de fábrica anteriores, todos homens e não formados internamente.
Mundo Agro: Qual é a função da maltaria?
Marina Pezzini: Produzimos o malte, principal matéria-prima da cerveja. O processo começa na pesquisa e melhoramento de variedades de cevada, que leva mais de 10 anos para ser desenvolvido. Depois, cuidamos do fomento de sementes e plantio. Quando a cevada chega à fábrica, passamos pelo processo de maceração, germinação e secagem, garantindo a qualidade do malte antes de enviá-lo à cervejaria.
Mundo Agro: Como funciona o processo de maceração e germinação?
Marina Pezzini: Na maceração, o grão de cevada absorve água e começa a germinar, aumentando a umidade de 10–12% para 40–45%. Controlamos temperatura e umidade durante 3-4 dias na germinação, garantindo qualidade. Após isso, reduzimos a umidade para cerca de 5%, interrompendo o crescimento e tornando o malte armazenável, definindo suas características de cor, aroma e sabor.
Mundo Agro: Vocês realizam pesquisa de variedades de cevada na própria planta?
Marina Pezzini: Sim, temos uma estrutura de agro-pesquisa alocada na fábrica, com gerente de pesquisa, analistas e especialistas que cuidam do melhoramento genético da cevada no Brasil.
Mundo Agro: Quantas variedades de cevada são cultivadas?
Marina Pezzini: Temos três variedades principais que representam a maior parte do volume e cerca de dez variedades menores que ainda estão em fase de expansão.
Mundo Agro: Qual é o papel do Malte Pilsen?
Marina Pezzini: O Malte Pilsen é usado nas cervejas mainstream, como Antártica, Brahma, Skol e Original. Também é base para algumas receitas de duplo malte. Para outras cervejas que exigem Malte Munique, a produção ocorre em outra maltaria da Ambev.
Mundo Agro: Como a fábrica lida com a sustentabilidade e o consumo de água?
Marina Pezzini: A quantidade de água depende do tamanho do grão, mas sempre cobrimos 100% da massa para garantir homogeneidade. Usamos água de poço, que passa por filtros físicos para remover impurezas, sem tratamento químico.
Mundo Agro: Qual a abrangência da Maltaria Passo Fundo?
Marina Pezzini: Atendemos 100% da cervejaria de Lages–SC e parte das cervejarias de São Paulo e Mato Grosso. Nosso malte é utilizado integralmente em produtos brasileiros, e parte em exportações para Argentina e Uruguai.
Mundo Agro: Qual significado do malte para você?
Marina Pezzini: Significa uma jornada de 11 anos de identificação com a matéria-prima e a cultura da Ambev. Escolhi o caminho industrial, e a cultura da empresa me permitiu me conectar com o trabalho, independentemente de ser malte, cerveja ou outra área.
*A jornalista Fabi Gennarini viajou a convite da Ambev
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