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Plantio de cana no Brasil avança na mecanização, mas ainda enfrenta desafios

Estudo mostra que 75% das áreas já são mecanizadas, mas custos e logística ainda limitam irrigação e uso de mudas de qualidade

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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Canavial no interior de São Paulo Foto: Arquivo pessoal

A mecanização do plantio de cana-de-açúcar avança de forma consistente no Brasil, segundo levantamento inédito realizado pelo Programa Cana do Instituto Agronômico de Campinas.

Foram analisadas 203 empresas canavicultoras em 16 estados brasileiros, somando 964 mil hectares de lavouras. Os fornecedores de cana respondem por 31,2% da moagem total nas empresas analisadas.


O estudo revela que 75% das áreas cultivadas já adotam processos mecanizados, um reflexo direto da escassez de mão de obra, redução de custos e aprimoramento das tecnologias disponíveis.

A adoção da mecanização, que desde 2018 vem crescendo rapidamente, ainda encontra resistência em algumas regiões, como Piracicaba (SP), Mato Grosso e o Nordeste, onde a topografia e outros fatores dificultam a implantação total da tecnologia.


“A falta de mão de obra representa 60% dos motivos para essa transição. Além disso, o avanço tecnológico e a experiência prática dos produtores vêm impulsionando essa mudança”, disse Rubens Braga Junior, estatístico e consultor do Programa Cana IAC.

Com a Titano Volcano, da FIAT, cheguei até este canavial no interior paulista para conhecer de perto a realidade do campo Foto: Arquivo pessoal

Apesar dos avanços, 70% das empresas ainda não utilizam irrigação — prática essencial para garantir estabilidade na produção, principalmente diante de irregularidades climáticas.


A pesquisa aponta que a limitação não está na disponibilidade de água, mas no alto custo e na distância das áreas irrigáveis, o que torna os investimentos inviáveis para muitas propriedades. Ainda assim, houve melhora: há três anos, 78% das áreas não eram irrigadas, mostrando um avanço gradual da prática.

O tipo de irrigação mais utilizado é o aspersão, seguido pelo gotejamento e por métodos alternativos, como o uso de caminhões-pipa. Estratégias como a irrigação por salvamento, que garante a brotação da soca, vêm ganhando espaço.


“A irrigação, mesmo parcial, é fundamental para garantir a população de plantas e aumentar a longevidade dos canaviais”, explicou Regina Célia de Matos Pires, vice-diretora do Instituto Agronômico (IAC).

O estudo também revelou que o custo para implantação de canaviais aumentou 84% nos últimos nove anos, segundo dados do Instituto Pecege, tornando o investimento inicial mais elevado e exigindo ainda mais eficiência na gestão agrícola.

O levantamento indica ainda a expansão de 4% na área plantada prevista para 2025, o que pode impactar positivamente a produção nacional.

Na implantação dos canaviais, o espaçamento de 1,5 metro tem se tornado padrão, substituindo gradualmente o sistema duplo alternado, em função da adequação à mecanização.

Em relação à época de plantio, a cana de ano e meio (plantada entre dezembro e março) segue sendo a mais comum, seguida pela cana de inverno (maio a agosto) e a cana de ano (setembro a novembro), que representa cerca de 10% da área plantada.

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