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Produzir mais recursos em menos áreas é o novo desafio do agronegócio global

Uso racional de insumos e práticas conservacionistas ganham protagonismo

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O agronegócio enfrenta o desafio de produzir mais em áreas limitadas, atendendo à crescente demanda global por alimentos e fibras.
  • Práticas como manejo eficiente do solo, rotação de culturas e uso de produtos biológicos são essenciais para elevar a produtividade sem degradar o meio ambiente.
  • O Brasil se destaca pela sua capacidade de intensificação produtiva com sustentabilidade, aproveitando condições climáticas e diversificação de solos.
  • A tecnologia de aplicação e a adoção de boas práticas agronômicas são fundamentais para garantir a eficiência e a viabilidade econômica no setor.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Sede da Naval Fertilizantes Reprodução/Naval Fertilizantes

Com recursos naturais cada vez mais limitados e uma demanda global crescente por alimentos, fibras e energia, o agronegócio enfrenta um dos maiores desafios de sua história: produzir mais em menos área, sem comprometer o meio ambiente e a viabilidade econômica das propriedades rurais.

A intensificação produtiva deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade estratégica para o setor em escala global.


O Mundo Agro conversou com Luís Schiavo, CEO da Naval Fertilizantes, sobre como o manejo eficiente do solo, a rotação de culturas, o uso de produtos biológicos, a nutrição de plantas e a tecnologia de aplicação se tornaram pilares fundamentais para elevar a produtividade por hectare.

Luís Schiavo, CEO da Naval Fertilizantes Reprodução/Naval Fertilizantes

Mundo Agro: Por que produzir mais em menos áreas se tornou o principal desafio do agro global?


Luís Schiavo: Produzir mais em menos área virou o grande desafio porque os recursos naturais são finitos. Não há mais espaço para expandir fronteiras agrícolas sem gerar impactos ambientais severos. Ao mesmo tempo, a demanda por alimentos cresce de forma contínua. Isso obriga os produtores a buscar eficiência máxima dentro das áreas já cultivadas, conciliando produtividade, sustentabilidade e rentabilidade.

Mundo Agro: Como o crescimento populacional pressiona os sistemas produtivos atuais?


Luís Schiavo: O crescimento populacional aumenta a demanda por alimentos, fibras e energia, pressionando sistemas que já operam próximos do limite. Isso exige mais produção por hectare, ciclos mais eficientes e menor desperdício de insumos, água e energia. Quem não evoluir em tecnologia e manejo vai encontrar dificuldades para se manter competitivo.

Mundo Agro: O Brasil está bem posicionado para responder a essa demanda mundial por alimentos?


Luís Schiavo: Sim, com certeza, o Brasil está muito bem posicionado. Temos clima favorável, diversidade de solos, capacidade de produzir mais de uma safra por ano e um produtor cada vez mais profissional. O diferencial brasileiro está justamente na intensificação produtiva com sustentabilidade, algo que poucos países conseguem fazer na mesma escala.

Mundo Agro: O que significa, na prática, aumentar a eficiência do uso do solo?

Luís Schiavo: Na prática, significa extrair o máximo potencial produtivo do solo sem o degradar. Isso envolve correção adequada, manejo físico, químico e biológico, escolha correta de culturas, rotação bem planejada e uso preciso de insumos. É tratar o solo como um sistema vivo, não apenas como um suporte para a planta.

Mundo Agro: Quais são hoje os principais gargalos que impedem o produtor de extrair mais produtividade da mesma área?

Luís Schiavo: Os principais gargalos estão ligados ao manejo inadequado do solo, compactação, desequilíbrio nutricional, baixa atividade biológica e falhas na tecnologia de aplicação. Muitas vezes o produtor investe em bons insumos, mas perde eficiência por falta de planejamento ou execução correta no campo.

Mundo Agro: É possível elevar a produção sem ampliar custos de forma significativa?

Luís Schiavo: Sim, é possível. Quando falamos em eficiência, falamos justamente em produzir mais com o que já se investe. Ajustes finos no manejo, uso correto de produtos biológicos, melhor aproveitamento dos nutrientes e precisão na aplicação reduzem perdas e aumentam o retorno sobre o investimento.

Mundo Agro: Qual é o papel do manejo do solo na busca por maior produtividade?

Luís Schiavo: O manejo do solo é a base de tudo. Um solo bem estruturado, com boa infiltração de água, matéria orgânica equilibrada e vida microbiana ativa permite que a planta expresse todo o seu potencial produtivo. Sem solo saudável, qualquer tecnologia perde eficiência.

Mundo Agro: Como práticas como cobertura vegetal e palhada impactam o desempenho das lavouras?

Luís Schiavo: A cobertura vegetal protege o solo contra erosão, conserva a umidade, regula a temperatura e favorece a atividade biológica. A palhada funciona como uma proteção natural que melhora a ciclagem de nutrientes e cria um ambiente mais estável para o desenvolvimento das raízes e dos microrganismos.

Mundo Agro: Por que a rotação de culturas é estratégica para a sustentabilidade das lavouras?

Luís Schiavo: Porque ela quebra ciclos de pragas e doenças, melhora a fertilidade do solo e reduz a dependência de insumos químicos. A rotação promove equilíbrio biológico e aumenta a resiliência do sistema produtivo ao longo do tempo.

Mundo Agro: O sistema soja–milho safrinha é um bom exemplo de intensificação produtiva?

Luís Schiavo: Sem dúvida. É um dos melhores exemplos de intensificação sustentável no Brasil. A soja contribui com nitrogênio e melhora o ambiente do solo, favorecendo o desenvolvimento do milho safrinha. Quando bem manejado, esse sistema aumenta a produtividade anual por hectare sem necessidade de abrir novas áreas.

Mundo Agro: Que benefícios a rotação traz no médio e longo prazo?

Luís Schiavo: No médio e longo prazo, a rotação melhora a estrutura do solo, aumenta a matéria orgânica, reduz custos com defensivos e garante maior estabilidade produtiva entre as safras. É um investimento em longevidade do sistema agrícola.

Mundo Agro: Como os produtos biológicos e a nutrição de plantas contribuem para produzir mais em menos área?

Luís Schiavo: Os produtos biológicos atuam estimulando a vida do solo, favorecendo a atividade microbiana e melhorando a disponibilidade e o aproveitamento dos nutrientes. Os fertilizantes, por sua vez, garantem o suprimento adequado de macro e micronutrientes essenciais ao desenvolvimento das plantas, corrigindo deficiências e sustentando altos níveis de produtividade. Quando essa nutrição é bem manejada e combinada com soluções biológicas, o sistema radicular se fortalece, a absorção de nutrientes se torna mais eficiente e a planta expressa melhor seu potencial produtivo. O resultado é o maior rendimento por hectare, com uso mais racional dos insumos e ganhos consistentes de eficiência.

Mundo Agro: A tecnologia de aplicação pode fazer diferença nos resultados de campo?

Luís Schiavo: Com certeza faz toda a diferença e é fundamental para o campo. Uma aplicação mal feita compromete o desempenho do produto, gera desperdício e eleva custos. Quando a tecnologia de aplicação é bem ajustada, o produtor potencializa os resultados dos insumos e melhora significativamente a eficiência operacional.

Mundo Agro: O produtor está preparado para adotar essas inovações?

Luís Schiavo: O produtor brasileiro evoluiu muito e está cada vez mais aberto à inovação. Hoje ele busca informação, resultados comprovados e soluções que façam sentido econômico. O desafio é levar conhecimento técnico de qualidade e mostrar, na prática, os ganhos dessas tecnologias.

Mundo Agro: Como equilibrar produtividade, sustentabilidade e viabilidade econômica?

Luís Schiavo: Esse equilíbrio vem da gestão eficiente. Quando o produtor adota boas práticas agronômicas, usa insumos de forma racional e investe em tecnologia, ele reduz riscos, melhora margens e preserva recursos naturais. Sustentabilidade e rentabilidade não são opostas, elas caminham juntas.

Mundo Agro: Quais práticas serão indispensáveis para o agro brasileiro nos próximos anos?

Luís Schiavo: Boa pergunta. Eu diria que o manejo de solo bem estruturado, rotação de culturas, uso crescente de biológicos, agricultura de precisão e tecnologia de aplicação serão indispensáveis. Além disso, o produtor precisará olhar cada vez mais para indicadores de eficiência e sustentabilidade.

Mundo Agro: Que mensagem o senhor deixaria para o produtor diante desse cenário de desafios e oportunidades?

Luís Schiavo: Minha mensagem é clara: o futuro do agro passa pela eficiência. Produzir mais em menos área não é apenas uma exigência do mercado, é uma responsabilidade com o planeta e com as próximas gerações. Quem investir em conhecimento, manejo e tecnologia estará preparado para crescer de forma sólida e sustentável.

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