Logo R7.com
RecordPlus

Quando a lógica da cidade encontra o tempo do campo

Arquiteta e empresária Bárbara Kemp relata, em livro, como levou método, gestão e previsibilidade ao agronegócio

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

  • Google News

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Bárbara Kemp, arquiteta e empresária, relata desafios enfrentados na transição para o agronegócio em seu livro.
  • A autora aplicou métodos de gestão urbanos, trazendo previsibilidade às operações rurais.
  • Descreve a importância de adaptar técnicas da construção civil ao ambiente rural, que depende de fatores naturais.
  • Defende que a transformação da experiência em processo é essencial para resolver gargalos no agronegócio.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Bárbara Kemp, empresária e cofundadora da Kemp Foto cedida: Kemp

A transição de profissionais da cidade para o agronegócio costuma ser cercada de idealizações. Mas, para a arquiteta e empresária Bárbara Kemp, a chegada ao campo foi marcada por desafios concretos: falta de infraestrutura, escassez de mão de obra, entraves burocráticos e decisões que exigiam presença constante — e não apenas planejamento no papel.

Essa vivência está no centro do capítulo assinado por ela no livro Mulheres no Agronegócio – Volume II: Edição Poder de uma História, da Editora Leader. Na publicação, Bárbara relata como a experiência prática no campo redefiniu sua visão sobre tempo, gestão e previsibilidade — conceitos que sempre nortearam sua atuação no ambiente urbano.


Com mais de três décadas de carreira, Bárbara é cofundadora da Kemp, empresa especializada em projetos e gerenciamento de múltiplas obras simultâneas, com atuação nacional em setores como varejo, serviços e infraestrutura.

No agro, no entanto, os métodos consolidados da construção civil precisaram ser reinterpretados para dialogar com um ambiente regido por ciclos naturais e variáveis fora do controle humano.


No livro, a empresária descreve o contraste entre o ritmo acelerado das cidades e o tempo do campo, onde decisões não seguem apenas cronogramas, mas dependem do clima, da maturação das culturas e da logística rural.

A implantação de um pomar e a construção de um galpão de beneficiamento de frutas no Sul do país expuseram, na prática, gargalos recorrentes do agronegócio brasileiro, como atrasos em licenças, limitações de infraestrutura e ausência de processos estruturados de gestão.


Diante desse cenário, Bárbara passou a aplicar no campo ferramentas que já dominava no ambiente urbano: controle por atividades, acompanhamento de custos, gestão de prazos e reuniões sistemáticas de alinhamento. A adaptação desses métodos trouxe maior previsibilidade às operações rurais, sem desconsiderar o ritmo da natureza.

“O agro não precisa de mais improviso. Precisa de método”, resumiu em um dos trechos do livro.


A experiência no campo também impulsionou a evolução do Workemp, plataforma desenvolvida inicialmente para gerenciar obras complexas e que hoje vem sendo adaptada para atender projetos do agronegócio, com foco em organização, eficiência e tomada de decisão baseada em dados.

Ao longo do capítulo, ela defende que tecnologia, por si só, não resolve gargalos estruturais. Para ela, o verdadeiro ganho está na transformação da experiência em processo, capaz de reduzir incertezas, desperdícios e retrabalhos — tanto na cidade quanto no campo.

Mais do que um relato pessoal, a narrativa dialoga com temas centrais do agronegócio atual, como profissionalização da gestão, uso consciente da tecnologia e sustentabilidade econômica.

Ao conectar a lógica da obra urbana ao tempo do campo, o texto propõe uma reflexão sobre como diferentes setores podem aprender entre si, desde que haja método, escuta e adaptação.

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.