Quando a lógica da cidade encontra o tempo do campo
Arquiteta e empresária Bárbara Kemp relata, em livro, como levou método, gestão e previsibilidade ao agronegócio
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A transição de profissionais da cidade para o agronegócio costuma ser cercada de idealizações. Mas, para a arquiteta e empresária Bárbara Kemp, a chegada ao campo foi marcada por desafios concretos: falta de infraestrutura, escassez de mão de obra, entraves burocráticos e decisões que exigiam presença constante — e não apenas planejamento no papel.
Essa vivência está no centro do capítulo assinado por ela no livro Mulheres no Agronegócio – Volume II: Edição Poder de uma História, da Editora Leader. Na publicação, Bárbara relata como a experiência prática no campo redefiniu sua visão sobre tempo, gestão e previsibilidade — conceitos que sempre nortearam sua atuação no ambiente urbano.
Com mais de três décadas de carreira, Bárbara é cofundadora da Kemp, empresa especializada em projetos e gerenciamento de múltiplas obras simultâneas, com atuação nacional em setores como varejo, serviços e infraestrutura.
No agro, no entanto, os métodos consolidados da construção civil precisaram ser reinterpretados para dialogar com um ambiente regido por ciclos naturais e variáveis fora do controle humano.
No livro, a empresária descreve o contraste entre o ritmo acelerado das cidades e o tempo do campo, onde decisões não seguem apenas cronogramas, mas dependem do clima, da maturação das culturas e da logística rural.
A implantação de um pomar e a construção de um galpão de beneficiamento de frutas no Sul do país expuseram, na prática, gargalos recorrentes do agronegócio brasileiro, como atrasos em licenças, limitações de infraestrutura e ausência de processos estruturados de gestão.
Diante desse cenário, Bárbara passou a aplicar no campo ferramentas que já dominava no ambiente urbano: controle por atividades, acompanhamento de custos, gestão de prazos e reuniões sistemáticas de alinhamento. A adaptação desses métodos trouxe maior previsibilidade às operações rurais, sem desconsiderar o ritmo da natureza.
“O agro não precisa de mais improviso. Precisa de método”, resumiu em um dos trechos do livro.
A experiência no campo também impulsionou a evolução do Workemp, plataforma desenvolvida inicialmente para gerenciar obras complexas e que hoje vem sendo adaptada para atender projetos do agronegócio, com foco em organização, eficiência e tomada de decisão baseada em dados.
Ao longo do capítulo, ela defende que tecnologia, por si só, não resolve gargalos estruturais. Para ela, o verdadeiro ganho está na transformação da experiência em processo, capaz de reduzir incertezas, desperdícios e retrabalhos — tanto na cidade quanto no campo.
Mais do que um relato pessoal, a narrativa dialoga com temas centrais do agronegócio atual, como profissionalização da gestão, uso consciente da tecnologia e sustentabilidade econômica.
Ao conectar a lógica da obra urbana ao tempo do campo, o texto propõe uma reflexão sobre como diferentes setores podem aprender entre si, desde que haja método, escuta e adaptação.
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