São Paulo vira palco de encontro entre vinho português e comida de boteco
Festival aposta na combinação entre vinhos portugueses e sabores populares, de pizza a calabresa
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A segunda edição do Festival Cultura de Boteco – Vinhos de Lisboa reunirá nove botecos paulistanos e cinco vinícolas da região de Lisboa em uma proposta que aproxima o vinho da gastronomia popular. A ideia é mostrar que rótulos portugueses podem acompanhar desde uma pizza até um lanche de calabresa, em uma experiência mais informal e acessível.
O Mundo Agro conversou com o idealizador do festival, o jornalista Miguel Icassatti. Ele falou sobre as novidades desta edição, a aproximação entre vinho e boteco e a proposta de levar a bebida a novos públicos.
E a sommelière Juliana Carani também comentou as características dos vinhos portugueses e explicou por que a combinação com os petiscos paulistanos pode funcionar tão bem.

Mundo Agro: Esta é a segunda edição do Festival Cultura de Boteco – Vinhos de Lisboa. São nove botecos com diferentes cardápios para mostrar que os vinhos portugueses combinam com uma diversidade de pratos, de pizza a lanche de calabresa. Temos algum boteco ou vinícola nova nesta edição?
Miguel Icassatti: Uma das forças do festival é sempre trazer estabelecimentos tradicionais e que tenham história na gastronomia de São Paulo. Nesse sentido, teremos veteranos como o Bar do Luiz Fernandes e o Arais do Carlinhos. Entre as novidades, teremos duas pizzarias premiadas, que servirão itens com uma pegada mais descontraída, como os botecos: a Varanda 228, eleita a melhor de São Paulo em 2025 pelo prêmio SP8 Pizza, e a Fuga Pizza Contemporânea, segunda melhor pizza marguerita de SP.
Sim, teremos cinco vinícolas, sendo novidades a DFJ e a Felix Rocha. Ambas, claro, da região de Lisboa, em Portugal.
Mundo Agro: O festival, para você, em uma palavra, é?
Miguel Icassatti: Celebração.
Mundo Agro: Neste ano teremos duas masterclasses com a renomada sommelière Juliana Carani. O que podemos esperar dessa experiência?
Miguel Icassatti: Nosso objetivo, ao reunir a gastronomia dos botecos com a cultura do vinho de Lisboa e a presença de uma profissional tão premiada quanto a Juliana — ela é jovem e já tem uma trajetória incrível! —, é levar o vinho aonde ainda ele não está tão presente. Refiro-me aos botecos e ao público que os frequenta. Se estão mais acostumados a uma cervejinha e uma caipirinha, poderão viver essa experiência saborosa com os vinhos.

Mundo Agro: Juliana, o que diferencia o vinho português dos demais, na sua opinião? Falta mais promoção para que o público conheça os sabores dos vinhos portugueses?
Juliana Carani: Na minha opinião, o que diferencia os vinhos portugueses dos demais é a diversidade de castas aliada à enorme quantidade de vinhas velhas misturadas. Essa composição cria cortes únicos. Além disso, Portugal consegue unir tradição e inovação em uma variedade de microclimas distintos, dando ao consumidor a possibilidade de se aventurar em estilos autênticos e únicos.
Acho que a combinação dos petiscos de botecos paulistanos e vinhos de Lisboa é um encontro feito para acontecer, em que os dois se conversam — não somente pela característica dos petiscos, que geralmente trazem fritura, gordura, sal, crocância e intensidade de sabor, características que combinam muito bem com o frescor desses vinhos e expressão gastronômica, mas também pela própria cultura de boteco, que historicamente está muito relacionada com a imigração portuguesa.
Colocar os vinhos de Lisboa no contexto de uma cultura rica e mais informal mostra que o vinho pode ser apreciado em uma ocasião mais descontraída e completamente versátil, trazendo sabores que surpreendem.
Festival Cultura de Boteco – Vinhos de Lisboa – 2ª edição
Data: 26 e 27 de setembro de 2026
Horário: das 12h às 18h
Local: Museu da Imigração — Rua Visconde de Parnaíba, 1.316, Mooca, São Paulo
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