Eleições e tarifaço aparecem como prioridades para a inteligência brasileira em 2026
Abin divulga documento nesta terça-feira (2) em que aponta cinco riscos à segurança nacional no ano que vem
Natália Martins|Com Leonardo Meireles, da redação do R7
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Após o caso Alexandre Ramagem e a Abin paralela, a Agência Brasileira de Inteligência fez uma reformulação principalmente de imagem, para se aproximar mais do discurso de democracia. Um dos resultados foi a divulgação de desafios para o ano, o que acontece hoje no caso de 2026.
O órgão lança hoje um relatório público Desafios da Inteligência 2026, preparado para apresentar à sociedade e às autoridades uma visão de riscos diretos e indiretos à segurança do Brasil. São cinco orientações estratégicas para promover o debate em colaboração com a sociedade.
Veja:
- Segurança do processo eleitoral
- Transição para a criptografia pós-quântica
- Ataques cibernéticos autônomos com agentes de inteligência artificial
- Reconfiguração das cadeiras de suprimentos globais
- Interferência externa por atores não estatais
Os termos parecem complicados demais, mas são assuntos de extrema importância para o Brasil e, no fim das contas, que afetam até o dia a dia dos brasileiros. “Reconfiguração das cadeias de suprimentos globais” e “segurança do processo eleitoral”, por exemplo.
Como objetivo principal, a Abin vai atrás de informações para municiar o governo em relação a problemas. A segurança das eleições de 2026 é uma das principais preocupações.
A agência aponta que continuará a existir um movimento para “queimar” o processo eleitoral, desacreditando as urnas eletrônicas, entre outros pontos. A desinformação e a manipulação de imagem, duas faces das fake news, também são esperadas. Por exemplo, com mensagens em que candidatos adversários apareçam manipuladas pela IA.
Tem mais: o crime organizado controlando votos, o aumento da polarização social e até mesmo a interferência externa nas eleições.
Veja os principais pontos e o que se sabe até agora sobre a investigação da Polícia Federal de um suposto esquema de espionagem dentro da Abin (Agência Brasileira de Inteligência)
Veja os principais pontos e o que se sabe até agora sobre a investigação da Polícia Federal de um suposto esquema de espionagem dentro da Abin (Agência Brasileira de Inteligência)
Tarifaço
O tarifaço imposto pelos Estados Unidos às exportações brasileiras acertou a economia de forma certeira, com prejuízo que pode chegar a dezenas de bilhões, redução de 0,2% do PIB e perda de cerca de 100 mil empregos.
A análise feita pelo serviço de inteligência acredita que essa briga comercial externa é resultado de uma desglobalização que vem desde antes da Covid-19, mas que cresceu com a atual administração dos EUA e a guerra econômica travada com a China.
Enquanto isso, o Brasil se desindustrializou e cada vez mais exporta produtos primários, como petróleo, minério de ferro, soja e café.
“Assim, em conjunto, o Brasil é duplamente dependente dos dois rivais sistêmicos EUA e China, o que determina uma necessidade de manutenção de boas relações com ambos para viabilizar seus programas de desenvolvimento industrial e uma melhor inserção internacional do país nas cadeias de suprimentos globais”, explica o relatório.
Os outros três pontos
E o que seria a transição para a criptografia pós-quântica? O leitor terá que exercer um pouco da imaginação para ter uma ideia dos supercomputadores quânticos, máquinas extremamente poderosas e rápidas, com uma capacidade de processamento altíssima e que podem estar prontas para alguns países entre cinco e 10 anos.
A preocupação da Abin é desenvolver uma criptografia capaz de “vencer” esses computadores quânticos, ou seja, transformar informações em dados “ilegíveis” que só podem ser “lidos” com uma chave específica do usuário. E todos usam hoje a tal criptografia, seja nas contas bancárias até a instalação e proteção de um aplicativo.
Já os tais “ataques cibernéticos autônomos com agentes de inteligência artificial” nada mais são do que a capacidade de hackers entrarem em sistemas do governo e sabotá-los. Isso foi multiplicado com o uso da inteligência artificial.
“Diante desse cenário, a resposta não pode ser apenas tecnológica; ela deve ser estratégica, regulatória e diplomática”, argumenta a agência, sugerindo o “investimento maciço” nas pesquisas sobre IA e a cooperação internacional contra esse perigo.
Por fim, a interferência externa por atores não estatais diz respeito às big techs, grandes empresas de tecnologia, como Google, Amazon, X e Meta, entre outros.
“Nesse sentido, deve-se compreender o investimento estrangeiro como oportunidade, mas também como instrumento de influência. As big techs têm o poder de condicionar acesso às suas tecnologias a determinadas decisões políticas e comerciais dos países onde operam”, analisa o documento da Abin, ao sugerir que o Brasil precisa desenvolver sua independência tecnológica.
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