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Polícia Rodoviária Federal diz que novos policiais devem evitar contato prolongado com antigos

Após repercussão, parte do documento que afirmava que servidores antigos podiam ‘transferir práticas desalinhadas’ foi retirada

Natália Martins|Natália MartinsOpens in new window

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Policial rodoviário federal em ação: diretrizes provocam polêmica Divulgação/Polícia Rodoviária Federal

Policiais Rodoviários Federais estão perplexos com a circular de “Alinhamento sobre recepção de novos PRFs”. O documento, divulgado internamente no sistema da Polícia Rodoviária Federal e assinado pela diretoria de gestão de pessoas do órgão, afirma que “Os policiais que estão em processo de movimentação para fora não deverão manter contato prolongado com os novos PRFs.”

No trecho seguinte, o documento justifica: “A recomendação é que a transição ocorre de forma breve, evitando a transferência de práticas desalinhadas com o novo modelo institucional e garantindo que os alunos recebam referências atualizadas e integradas com a cultura organizacional vigente”.


Na última semana, a PRF formou mais novos 600 policiais rodoviários federais em uma cerimônia na Universidade Corporativa da Polícia Rodoviária Federal (UniPRF), em Florianópolis (SC). Esses novos PRFs serão distribuídos em postos substituindo policiais antigos que tendem a ir para colocações melhores na corporação.

Para a Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF), o documento institucional é “inaceitável sob qualquer ótica”. Em nota, a FenaPRF diz que as afirmações “seriam vetores de uma cultura negativa, desalinhada ou contraproducente e desrespeitosa, discriminatória e injustificável. Trata-se de uma afirmação que, na prática, contribui para a fragmentação do corpo funcional da instituição e promove um clima de divisão e desconfiança entre gerações de policiais”.


Após o fechamento da matéria, a assessoria de imprensa da PRF informou ao blog que a diretoria-executiva do órgão mandou suprimir o item 5 do documento de alinhamento para recepção de novos PRFs, escrito pela diretoria de gestão de pessoas.

Íntegra da nota de repúdio da FenaPRF

"A Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF), entidade representativa de mais de 17 mil servidores da ativa e aposentados, manifesta seu veemente repúdio à forma como foi redigido o item 5 do documento “Plano de Ação – Recepção dos novos PRFs” (SEI nº 65967265), parte integrante do Processo nº 08650.154011/2025-22, confeccionado pela Direção da Polícia Rodoviária Federal.


O referido trecho, ao recomendar que os policiais em processo de movimentação “não mantenham contato prolongado com os novos PRFs”, com o objetivo declarado de evitar a “transferência de práticas desalinhadas com o novo modelo institucional”, é inaceitável sob qualquer ótica.

A insinuação de que servidores públicos — muitos com mais de 20 ou 30 anos de dedicação à Polícia Rodoviária Federal — seriam vetores de uma cultura negativa, desalinhada ou contraproducente é desrespeitosa, discriminatória e injustificável. Trata-se de uma afirmação que, na prática, contribui para a fragmentação do corpo funcional da Instituição e promove um clima de divisão e desconfiança entre gerações de policiais.


A história da PRF foi construída com base na experiência, no comprometimento e no profissionalismo desses policiais, que, ao longo de décadas, consolidaram a credibilidade da nossa Instituição perante a sociedade brasileira. Rotulá-los como potenciais ameaças à formação de novos colegas não apenas fere sua honra funcional, mas também compromete o espírito de coesão institucional que tanto se busca fortalecer.

Desonrar o passado é comprometer o nosso futuro.

O que seria da PRF se Turquinho não tivesse dado os primeiros passos para a criação da Instituição?

O que seria da PRF sem os veteranos?

O que seria da PRF sem os policiais antigos, que deram sentido, forma e alma a essa missão?

A FenaPRF espera uma retratação formal da Direção-Geral da Polícia Rodoviária Federal, com o devido reconhecimento da importância e do legado dos policiais veteranos. A boa formação dos novos integrantes da PRF depende do diálogo intergeracional, do respeito mútuo e da valorização da memória institucional — e não da exclusão de quem dedicou sua vida à construção desta Casa.

Permanecemos vigilantes e unidos à categoria para promover a defesa da dignidade de todos os policiais rodoviários federais, ativos e inativos, que, juntos, compõem a espinha dorsal desta Instituição centenária."

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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