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Superfaturamento de até 3.500% em kits de robótica e desvios do Fundeb levam PF à porta de nora do presidente Lula

Empresa Life Tecnologia Educacional teria recebido R$ 128 milhões de prefeituras paulistas; parte dos lucros seria usada em propina, bens de luxo e criptoativos

Natália Martins|Natália MartinsOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Polícia Federal realiza operações contra um esquema de superfaturamento em kits de robótica e desvios do Fundeb em prefeituras de São Paulo.
  • A empresa Life Tecnologia Educacional recebeu R$ 128 milhões entre 2021 e 2024, com lucros superfaturados de até 3.500%.
  • Investigados incluem Kalil Bittar e Carla Ariane Trindade, ligados ao presidente Lula, suspeitos de corrupção e lavagem de dinheiro.
  • O esquema envolvia propinas, compra de bens de luxo e conversão de valores em criptomoedas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Carla Ariane, nora de Lula, e Kalil Bittar, sócio de um dos filhos do petista, estão entre os investigados Montagem sobre foto de processo judicial e imagem do YouTube

A Polícia Federal cumpriu nesta quarta-feira (12) 50 mandados de busca e apreensão e seis de prisão preventiva, autorizados pela 1ª Vara Federal de Campinas (SP), em investigação sobre um esquema de desvio de recursos do Fundeb e superfaturamento de kits de robótica e livros didáticos em prefeituras paulistas.

Conforme adiantou o blog nesta manhã, uma nora de Lula é alvo de busca e apreensão nessa operação da PF.


O inquérito teve início após a constatação de irregularidades em licitações vencidas pela empresa Life Tecnologia Educacional, de pequeno porte, que movimentou valores muito superiores à sua capacidade operacional.

Entre 2021 e 2024, a empresa recebeu R$ 128 milhões de contratos firmados com as prefeituras de Limeira, Sumaré e Hortolândia. De acordo com a PF, ao menos R$ 50 milhões correspondem a lucro direto obtido com o superfaturamento.


O relatório da investigação aponta um esquema estruturado de corrupção e lavagem de dinheiro, sustentado por empresários, agentes públicos e operadores financeiros.

Segundo o documento, cada peça do kit de robótica era adquiridos por R$ 1 a R$ 5 e revendido por R$ 60 a R$ 80, o que representa margem de lucro de até 3.500%. Parte dos valores era convertida em criptomoedas (stablecoins) ou sacada em espécie para pagamento de propina e compra de bens de luxo, como imóveis e veículos blindados.


A PF descreve três núcleos de atuação:

  • Empresarial, responsável pelos contratos e emissão de notas superfaturadas;
  • Financeiro, formado por doleiros e empresas de fachada que faziam a lavagem dos valores;
  • Político e administrativo, composto por agentes públicos e articuladores com influência em órgãos federais e municipais.

Os investigados

Entre os investigados estão Kalil Bittar, sócio de Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Lula, e Carla Ariane Trindade, esposa de Marcos Cláudio Lula da Silva, filho da primeira-dama Marisa Letícia com seu primeiro marido.


Kalil é irmão de Fernando Bittar, um dos donos do sítio de Atibaia. Já Marcos Cláudio foi adotado por Lula ainda pequeno e é irmão biológico de Fábio Luís, Sandro Luís e Lurian, filhos de Lula com Marisa Letícia.

No relatório, Carla é apontada como articuladora do núcleo político, responsável por aproximar empresários de agentes públicos “para assegurar vantagens indevidas em contratações”. Ela teve endereços vasculhados e foi afastada do cargo que ocupava em uma prefeitura do interior paulista.

Os investigados poderão responder por corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e organização criminosa.

A coluna entrou em contato com o Palácio do Planalto na manhã de hoje e ainda não recebeu resposta. A empresa Life Tecnologia Educacional não atendeu às nossas ligações. Ainda tentamos falar com a defesa de Carla Ariane Trindade, assim como Kalil Bittar.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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