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Acordo inédito entre EUA e Rússia premia curdos com campo de petróleo na Síria

Decisão se deveu aos esforços de milícia para derrotar grupo radical islâmico

Nosso Mundo|Eugenio Goussinsky

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Governo sírio não gostou da decisão que deixou campo para curdos
Governo sírio não gostou da decisão que deixou campo para curdos

Mesmo com o avanço das energias alternativas, o petróleo continua a ditar a política no Oriente Médio. A região produz 64% do petróleo no mundo e, nesta guerra síria, também tem sido fator determinante nas estratégias dos envolvidos, sejam potências ou não.

Todos têm interesse no petróleo, enquanto ele jorra soberbo em meio a bombardeios e destruição. O derrotado grupo radical islâmico conseguiu autoproclamar seu califado quando conquistou alguns campos, como o de Al-Omar, perto de Raqqa, na Síria.


E o grupo curdo YPG, apoiado pelos Estados Unidos, era outro que se interessava em derrubar os radicais para também barganhar algumas regiões petrolíferas, a fim de manter acesa a esperança de obter a independência no Iraque e nos países onde eles clamam por autonomia.

A participação decisiva do YPG nos combates em Raqqa, em que ajudaram a derrotar os extremistas, valeu ao grupo a posse do campo de Al-Omar, após inédito acordo entre Estados Unidos e Rússia, que, justamente por causa do petróleo, têm mantido posições divergentes neste conflito.


O site israelense Debka, especialista em inteligência militar, informou que, ciente do acordo, os russos e seus aliados, Irã e Hezbollah, no conflito, se mantiveram em uma distância de 6 km do local, para evitar combates com os curdos.

O governo sírio não gostou da troca, acusando milícias sírias locais de colaboracionistas. Já o governo iraquiano também foi contrário ao acordo, exigindo explicações das autoridades russas.


O prêmio recebido pela milícia YPG é também uma compensação pela perda dos campos de petróleo em Kirkuk, no Iraque, agora controlados pelo governo iraquiano, com influência iraniana.

A ironia é que, nos anos 80, Irã e Iraque travaram uma sangrenta guerra pelo controle de áreas estratégicas da região, após a Revolução Islâmica iraniana em 1979, e hoje se mantêm mais próximos. Na ocasião, os mesmos curdos e os xiitas, grupo do atual primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, apoiaram o Irã, tentando tirar do poder o sunita Saddam Hussein.


Coalizão e EI chegam a acordo para evacuação em Raqqa

Na troca atual, o YPG saiu perdendo, já que os campos em Kirkuk produzem 600 mil barris por dia e os de Raqqa, se recuperados, podem chegar a 120 mil barris por dia. Atualmente, por causa da destruição, só produz 10 mil por dia. Terá, porém, pelo menos um mínimo de fôlego para se recuperar economicamente e prosseguir em sua busca por independência.

Mas o Governo Regional do Curdistão - não reconhecido pelo governo local - aceitou abrir, para a estatal russa Rosneft, um gasoduto que chega ao Mediterrâneo, pela Turquia. A sequência da guerra na Síria, portanto, pode levar a um conflito em relação ao Curdistão. Será um outro capítulo nessa luta sem fim que mistura petróleo, nacionalismo e religião. Óleo, suor e sangue.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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