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É mais gostoso ver o Flamengo de Renato do que o de Jorge Jesus

Renato tem grande interação com o clube e com o Rio, conseguindo passar alegria a quem joga e assiste às partidas

Nosso Mundo|Eugenio Goussinsky, do R7

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Renato Gaúcho tem ajudado o Flamengo a jogar de forma alegre
Renato Gaúcho tem ajudado o Flamengo a jogar de forma alegre

Quando fui ao Rio pela primeira vez, nos anos 70, vi a bandeira do Flamengo tremular em uma barraca da praia do Leblon e me veio uma sensação de encantamento. Sol, sal, areia, morros, horizonte, artistas, banhistas descontraídos, meninos descamisados, pobres, se misturaram à imagem da bola, do Maracanã lotado, dos geraldinos desdentados e sorridentes e compreendi, por intuição, como o futebol está inserido na rotina de uma cidade.

Em São Paulo, essa mistura se dava em meio à garoa, ao cheiro do pernil das barracas ao lado do Pacaembu, dos prédios iluminados e silenciosos que pareciam se curvar durante os jogos, da noite inebriada pelo som da Jovem Pan ou da Bandeirantes após os jogos. Futebol sempre foi para mim uma maneira de compreender e se integrar ao mundo. Uma forma de amor pela vida.


Mas, falando da bandeira do Flamengo, ela se inseriu de tal maneira na minha memória que acabou ganhando um novo espaço na capacidade que eu tinha de admirar o futebol. Não pelos prédios, pela noite úmida, mas pelo horizonte ensolarado e pela impressão de ouvir as narrações de José Carlos Araújo, o Garotinho, sendo sussuradas pelo mar.

Tenho certeza de que esse encanto contagiante também fez Renato Gaúcho se apaixonar pelo Rio de Janeiro. E hoje, não podendo ser mais um Menino do Rio, se mantém como um Senhor do Rio, com a alma de um carioca.


Para mim, a interação dele com o Flamengo é até maior do que com o Grêmio, por ser uma escolha, tocar em algo vital de sua identidade, de seu desejo de liberdade, tão grande quanto um jogador de praia que vai atrás da bola chutando as ondas, sem fronteiras.

Quando Renato assumiu o cargo de treinador do Flamengo, ele parecia pouco à vontade, como se estivesse retornando a um lugar que um dia o acolheu e que ele já não mais sabia como era.


Mas, aos poucos, a relação voltou a se fortalecer. Ele voltou a se sentir como um Menino do Rio.

Isso tem se refletido no time.


Os resultados finais ainda não são os mesmos, mas o Flamengo já alcançou um estilo de jogo muito superior ao dos tempos de Jorge Jesus, um técnico que já se percebia estar por aqui apenas de passagem. O time agora é muito mais radiante. Os jogadores atuam com ainda mais alegria, espelhados na alma carioca de quem os comanda.

Está sendo muito prazeroso ver o Flamengo jogar. Toda a antipatia de alguns de seus dirigentes, a postura arrogante, muitas vezes insensível, contrasta com o estilo vivo e simpático do time atuar. O clube, simbolizando o Rio, se tornou a casa adotada por cada um de seus funcionários, capitaneados por Renato. E isso contagia de uma maneira oposta à pandemia.

O Flamengo tem jogado por música. Misturando Bossa Nova, samba, rock, pop, rap, frevo, com um toque de funk e um ritmo multifacetado que tem feito os jogadores fluírem em campo.

O gol sai com tanta naturalidade que o grau de exigência acabou fazendo de qualquer outra partida, inclusive de clubes europeus, se tornar chata.

As jogadas se sucedem como frutos doces e maduros caindo de uma fértil árvore. E dá-lhe passe de Vitinho, sem olhar, para Michael. E dá-lhe arrancada de Michael, deixando o então inquestionável Vânderson intimidado.

E dá-lhe toque sutil de Gabigol, se antecipando e buscando a tabela. Ou uma penetração de Diego, na lateral da área, colocando a bola com precisão na cabeça de Gabigol. Cada jogo do Flamengo tem sido um espetáculo.

E cada noite de quarta-feira, um acontecimento. Da minha poltrona, me sinto ainda mais em casa, vendo tanta sintonia, percebendo esse vínculo que transforma o gaúcho em carioca e também o faz se sentir em casa. Essa interação sempre foi para mim a razão de ser do futebol. Onde identidades afloram em forma de mensagem, se tornam símbolos de uma cidade.

Futebol e Arte. Cultura. Da minha poltrona, vejo no Flamengo a totalidade do futebol. Nem importa a tática. Nem o estilo da recomposição.

Vejo no Flamengo a vida em vermelho e preto. Vinda dos recantos dessa cidade que quer se reencontrar. E continuar a ser maravilhosa. Nascendo na brisa da praia, que acaricia a bandeira e faz do Flamengo de Renato Gaúcho um sopro de esperança.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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