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Guerra em Afrin massacra valores democráticos do Oriente Médio

Região, invadida por turcos e aliados, é conhecida por ser um centro de respeito à diversidade, ao direito das mulheres e da população LGBT

Nosso Mundo|Eugenio Goussinsky, do R7

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Marcha em Londres defendeu a população de Afrin
Marcha em Londres defendeu a população de Afrin

A guerra turca na Síria não se iniciou apenas com o objetivo da vitória sobre as forças curdas que lutam na região de Afrin. O local é um centro em que se disseminava uma vida democrática e de zelo à diversidade, na autodenominada Federação Democrática da Síria do Norte, conhecida como Rojava.

Até a invasão turca, a região vinha mostrando que é possível haver uma atmosfera de tolerância, autonomia e democracia no Oriente Médio conhecido por ser dominado por déspotas. E sempre tachado por ocidentais como um lugar onde a democracia é impossível, pelos próprios costumes orientais.

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A Síria até é uma ditadura, mas, nas brechas de sua multiplicidade étnica, Afrin teve a chance de optar por uma vida civilizada. Os ataques à cidade são, portanto, ataques à civilização, perpetrados por um déspota ligado a forças jihadistas radicais, conforme informou o colunista Owen Jones , do The Guardian.

Lá, até há pouco, as mulheres tinham ampla participação nas assembleias democráticas, desde os bairros até os cantões.

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Nestas assembleias, eram aplicadas cotas para garantir a representação das mulheres e das minorias étnicas. Elas até se mobilizaram para ajudar a expulsar o Daesh. Mas agora se deparam com novos inimigos e com o velho radicalismo religioso.

Lá, até há pouco, essas questões entre sunitas e xiitas eram naturalmente silenciadas pela busca da essência humana em cada um, acima dessas diferenças. E a população LGBT era tratada com mais respeito.

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Lá, até há pouco tempo, até mesmo os judeus, hostilizados na maioria dos países árabes, tinham uma sinagoga, mesmo com apenas 15 pessoas compondo a comunidade local, de 50 mil pessoas.

E então tropas alinhadas ao presidente turco Recep Erdogan, que tem perseguido opositores desde a tentativa de golpe em 2016, entraram cantando canções da Al-Qaeda, ameaçando até cortar a cabeça das vítimas ateias. E das mulheres que tentam a liberdade. E das liberdades que valorizam identidades.

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Combates em Afrin, na Síria, deslocam 30 mil pessoas em 2 dias

Elif Sarican, uma ativista do Movimento das Mulheres Curdas, insiste em dar seu depoimento a Jones, em manifestação pró-curdos em Londres, num alarido pró-democracia que se estende da estação King's Cross a Manchester Piccadilly .

— É importante entender que o ataque do exército turco, com suas forças jihadistas aliadas, não é apenas contra o povo curdo. São duas vertentes distintas nesta guerra.

Mas, por enquanto, essa essência libertária está sendo duramente combatida com a invasão das tropas turcas e do Exército Livre da Síria.

Mais de 30 mil pessoas saíram da cidade nos últimos dias, deixando para trás seus pertences, mas não o sonho de manter uma sociedade justa, onde quer que seja.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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