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Jerusalém tem rotina cheia de detalhes surpreendentes

No Dia de Jerusalém, comemorado nesta segunda-feira (10), rotina do visitante na cidade serviu de inspiração para um poema

Nosso Mundo|Eugenio Goussinsky, do R7

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Rua Jaffa liga o centro novo à Cidade Velha
Rua Jaffa liga o centro novo à Cidade Velha

Nunca vi tão de perto as estrias de teus muros de pedra, Jerusalém

Nem o olhar presente de tua população nos carros do século 21


Nunca vi tantas classes sociais em tuas ruas

Só agora soube que a Ramban desemboca na Sderot Ben Tzvi


E mergulhei por horas na Ben Yehuda rotineira, de cafés e lojas pelo calçadão

Da Mahane Yehuda e do burburinho nos bares da Agripas, senti tua noite pulsar


Ao som de The Boxer, com clarinete, canto e violão do Picolino, ao luar

Da Cidade Velha, para onde todas as multidões caminham desde a rua Jaffa


Não entendia até agora a relação de teu centro novo e do velho

Espectro em que teólogos, geólogos, estilistas e cientistas se espelham

Nunca havia percebido o olhar humano do barbeiro do shuk

Nem reparado em como os vendedores são solitários em suas missões

Nunca tinha notado os gatos que se multiplicam em tuas ruas, Jerusalém 

Pelos becos, pelos santuários, nos lugares mais nobres ou pobres

Democraticamente, instigantemente, sumindo e surgindo, repentinamente

Das novas construções às muralhas que resistem, religião e história coexistem

E os teus gatos se inserem incógnitos, fogem, se escondem, ressurgem carentes

Como sombras esquivas, como o tempo que escapa por entre prédios e ruínas

Para dentro do velho mundo, dos subterrâneos da cidade moderna

Ao horizonte urbano de Sheikh Jarrah

Reparei nos uivos noturnos e distantes dos cães

Ecoando por tuas colinas

Sorvi o brilho das tuas estrelas milenares, reluzindo nas tuas pedras quentes

Nunca te vi assim tão real

Tão aberta a tuas religiões

Na intimidade de tuas crenças, dos religiosos nos pontos de ônibus

Dos chamados para a reza que fazem vibrar a Cidade Velha

No imponente Knesset em cima do morro

No pôr do sol laranja que te enaltece

Na algazarra suave das crianças nos teus parques

Nas ambições humanas em tua terra bíblica

No acúmulo dos anos que vão se apagando, e perdoando

Na rotina dos milênios

Nesta repetição eterna que é cada um dos teus dias

Tão antigos, tão contínuos, tão dourados

Mas sempre renovados nas tuas profundezas,

Jerusalém.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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