Rússia volta a ser fundamental para a estabilidade de Cuba
Com a crise venezuelana, repasse de petróleo sofreu um baque
Nosso Mundo|Eugenio Goussinsky

Desde a Guerra Fria (1945 - 1991), Cuba é um país que se tornou peça-chave na geopolítica mundial. Pequena ilha incrustrada no Mar do Caribe, entre as Américas do Norte e do Sul, a nação, de regime socialista, importa mais do que o dobro do que exporta.
E, por isso, com um Produto Interno Bruto anual de cerca de 72 bilhões de dólares, é extremamente dependente de investimentos estrangeiros. Justamente ela que, do ponto de vista ideológico, se tornou um símbolo de resistência e um desafio ao capitalismo implementado pelos Estados Unidos.
Como a Rússia, desde o fim da União Soviética, em 1991, se tornou um parceiro menos intenso (apesar de manter os vínculos ainda presentes), Cuba encontrou no regime chavista da Venezuela um outro suporte.
Mas, com a atual crise na Venezuela, o repasse de petróleo venezuelano, por meio da estatal PDVSA, sofreu um baque, deixando Cuba ameaçada pela falta de combustível.
O regime de Raúl Castro, sempre próximo do governo de Vladimir Putin, presidente russo, buscou então se aproximar ainda mais, o que para a Rússia é algo que interessa.
Desta maneira, segundo informou o El Nuevo Herald, a Rosneft, empresa petrolífera russa com 75% do capital do governo, anunciou em outubro último que pretende ampliar um acordo que inicialmente determinava o envio de 250 mil toneladas de óleo cru e de diesel a Cuba.
O jornal informou que, em um gesto pouco comum, Castro recebeu em sua própria residência o presidente da estatal, Igor Sechin, velho conhecido de Cuba desde suas visitas como vice-primeiro-ministro da Rússia, cargo que ocupou entre 2008 e 2012. A ideia das duas nações é intensificar os laços.
Para Cuba, que costuma oferecer, em troca destes produtos, os serviços de seus profissionais de saúde, é fundamental recuperar-se das perdas com a diminuição da quantidade de petróleo vindo da Venezuela.
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Castro, preocupado com a situação econômica do país (a recessão voltou após cerca de 20 anos de baixo crescimento), teve adiada, pela Assembleia Nacional do Poder Popular, sua saída da presidência, de fevereiro para abril de 2018.
O presidente, em Cuba, tem mandato de cinco anos e é eleito pela Assembleia, órgão Legislativo composto por 612 deputados e controlado pelo Partido Comunista de Cuba e pelo próprio Estado.
E, para a Rússia, muito mais do que pelo aspecto financeiro, é fundamental voltar a manter influência em um país situado no núcleo na América Latina, ao lado dos Estados Unidos. Comunista, a Rússia não é mais. Mas, ao contrário do que muitos acreditaram durante anos, o jogo de interesses não depende apenas do regime.
