Saiba como boa parte das terras em Israel foi comprada dos árabes
As compras eram feitas por jovens idealistas, que, devido ao objetivo de colonizar o país, recebiam um bom dinheiro para fazer as ofertas
Nosso Mundo|Eugenio Goussinsky, do R7

Uma das principais reivindicações dos palestinos que vivem nos territórios ocupados é o retorno dos refugiados a Israel, com o argumento de que eles foram expulsos de seus lares. Muitos palestinos chamam inclusive o dia da fundação do Estado de Israel de Dia da Catástrofe.
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Trata-se de uma visão simplista e distorcida da realidade. Afinal, não são todas as terras reivindicadas pelos palestinos que foram efetivamente tomadas por Israel, país que aceitou a partilha da região em 1947 e acabou por alcançar a independência apenas após uma sangrenta guerra, em que muitos judeus se viram cercados. Os países árabes vizinhos repudiaram a partilha.
O presidente do KKL (no Brasil), Eduardo el Kobby, dá um panorama de como uma boa parte das terras israelenses foi comprada desde o início do século 20, quando surgiu a instituição.
— Absolutamente todas as terras do KKL foram compradas. Fazem parte de 14% do território de Israel e não podem ser vendidas nunca, são do povo de Israel.
O KKL (Kerem Kayemet Le Israel - Fundo Nacional Judaico) foi criado em 1901 e, com recursos vindos de famílias judaicas, principalmente americanas, ajudou a colonizar o território, criando projetos ambientais e pesquisas sobre a utilização da terra. É um dos pioneiros no conceito de preservação do meio ambiente.
Esses 14% das terras do país foram comprados de famílias árabes, principalmente antes da Guerra de Independência, em 1948. No próprio capítulo V do relatório da Comissão Real de Inquérito Peel, organizada pelo Reino Unido, que controlava a região, e que foi a base para a formatação da partilha da Palestina, mostra que muitas terras foram negociadas pelos seus proprietários árabes.
— A população árabe mostra um crescimento notável desde 1920, e tem participado no aumento da prosperidade da Palestina. Muitos proprietários árabes se beneficiaram com a venda de terras aos judeus, e o investimento da renda com o dinheiro da compra. Os fellaheen (camponeses árabes) estão em melhor situação no seu conjunto do que em 1920. Este progresso árabe é em parte devido à importação de capital judaico para a Palestina e outros fatores associados ao crescimento do Lar Nacional Judaico.
Segundo a comissão, a venda de terras gerou um desenvolvimento momentâneo para algumas comunidades árabes.
— Em particular, os árabes se beneficiaram com os serviços sociais, que não poderiam ter chegado à escala atual sem a receita obtida dos judeus. Muitas das terras cultivadas pelos judeus, onde hoje crescem laranjais, eram dunas de areia ou pântanos incultos quando foram comprados. Havia no momento da venda destas terras pouca evidência de que os proprietários possuíam tanto os recursos ou treinamento necessários para desenvolvê-las. ‘A escassez de terra lamentada pelos árabes é devida menos à quantidade de terrenos adquiridos por judeus do que ao aumento da população árabe’.
Muitas negociações entraram para o folclore da região e abriam uma brecha para a boa convivência entre judeus e árabes, segundo el Kobby. As compras eram feitas por jovens idealistas, que, devido ao objetivo de colonizar o país, recebiam um bom dinheiro para fazer as ofertas.
Dinheiro esse que servia para convencer os reticentes árabes a venderem suas propriedades. Pelo fato de os judeus pagarem um preço muito mais alto do que elas valiam, foram apelidados pelos árabes, com uma dose de bom-humor, de maznum (loucos).
— A conversa era assim, quando os judeus chegavam: 'Quero comprar essa terra'. Os árabes respondiam: 'Para quê? Não é fertil, não tem água. Não quero vendê-la'. Os judeus respondiam: 'Não tem problema, eu quero mesmo assim'. Então, para convencer o vendedor, ofereciam 300, 500 por uma terra que valia 100. Os árabes, que antes não estavam com boa vontade, ficavam satisfeitos e, em tom de brincadeira, davam esse apelido aos compradores.
El Kobby considera que a maior parte da perda de terras dos árabes, que, já sem uma nação própria, deram origem ao povo palestino, ocorreu durante as guerras.
— A perda de terras ocorreu durante as guerras. Mas certamente o que foi perdido não é a totalidade do que é reivindicado. Quando um Exército conquista territórios acaba tomando terras, mas uma boa parte das reivindicações atuais não faz sentido. Israel comprou muitas terras e já devolveu algumas regiões, como o Sinai, em 1979.
Por isso, o retorno dos refugiados é um tema complexo, na opinião de el Kobbi. Ele considera que seria muito mais produtivo para os palestinos pensarem em uma solução que não fique presa a questões do passado e seja baseada na realidade do presente e nas perspectivas do futuro.
Atualmente, o KKL tem passado por uma turbulência, em função de seu crescimento. O governo, pressionado por parte da população, passou a cobrar impostos da entidade, algo que não ocorria até poucos anos atrás. Isso, segundo el Kobby, causará impacto, principalmente no dinamismo dos projetos.
— O percentual alto de terras gerou um poder muito grande para o KKL, mas também uma responsabilidade muito grande. A cobrança de impostos é consequência disso e impactou em muitos projetos de desenvolvimento, que vão ter de ser alongados.
No momento em que se completam 70 anos desde a fundação do Estado de Israel (em 14 de maio de 1948, pelo calendário gregoriano), as comemorações do aniversário, que se encerram nesta quarta-feira (25), no calendário judaico, remetem às transformações d...
No momento em que se completam 70 anos desde a fundação do Estado de Israel (em 14 de maio de 1948, pelo calendário gregoriano), as comemorações do aniversário, que se encerram nesta quarta-feira (25), no calendário judaico, remetem às transformações do país durante este período. Na foto, em 1952, Tel Aviv já era uma das cidades israelenses mais importantes














