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Saiba por que Marcelo pode se tornar o melhor jogador do mundo

Jogador completa 30 anos neste sábado, pode vencer sua quarta Champions, a Copa do Mundo, e é prova de que talento independe da posição em campo

Nosso Mundo|Eugenio Goussinsky, do R7

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Marcelo domina vários fundamentos do jogo
Marcelo domina vários fundamentos do jogo

Nunca gostei de ver laterais talentosos se transformarem em meio-campistas. A prática se tornou mais comum a partir dos anos 90 e nela se incluem craques como Júnior, Leonardo e Zé Roberto.

Prefiro que os laterais exibam sua técnica acima da média nas beiradas do campo. Técnica, afinal, não depende do local e pode ser exercida com eficácia onde quer que seja.


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Fábio Santos, um excelente jogador, começou como meia e se tornou lateral. Ótimo para o futebol.


Das beiradas, os laterais também podem ter a liberdade criativa. Têm até maior licença poética para flutuar pelo campo, entrando em diagonal, fazendo um zigue-zague com os meias que costuma ser fatal.

Leandro, em seus tempos de Flamengo, nos anos 70 e 80, era capaz de resolver o jogo pela direita. Armava, lançava, driblava e dominava a bola como poucos, de lá. E acabava prendendo marcadores em seu encalço, ajudando a abrir brechas no meio-campo.


É bonito ver um lateral desfilar um repertório digno de craque. Leandro matava bola no peito como ninguém.

Tocava e saía nas costas, desbravando o gramado, levando o time adiante desde o seu quadrante, como um jogador de futebol americano a evoluir por jardas e trazer o time junto com ele.


O brilho vindo da lateral é capaz de contagiar um time, inspirar meias, facilitar o trabalho de todos os criativos. E, acima de tudo, dificultar a marcação adversária, que terá de se abrir para fechar a subida do craque surpreendente. 

Melhor ainda quando ele tem habilidade com as duas pernas. Marcelo, do Real Madrid, tem demonstrado tudo isso, com uma gama de jogadas impressionantes, vindas de seu contato anterior com o futsal.

No Flu, em 2006, ele já despontou pedalando, como em um gol que fez contra o Vila Nova, entrando na horizontal como um meio-campista. Este tipo de jogador é uma pedra preciosa para um treinador.

Carioca, Marcelo (Vieira da Silva Júnior) adquiriu tamanha confiança e lapidou seu talento ainda mais. Ele faz os malabarismos intrísecos em sua essência, mas aprimorados pela experiência. Tem pleno domínio de seu posicionamento, como um maestro à distância.

É mais um que mostra como a arte do jogo independe de onde está o talento. Roberto Carlos ficou em segundo na Bola de Ouro da Fifa em 1997. Ele, apesar de extraordinária explosão, não tinha a técnica de Marcelo.

No Real Madrid, Marcelo já tem dividido o protagonismo com Cristiano Ronaldo. É alvo da marcação até de meias, que recuam para evitar suas subidas.

Passeia com a bola no gramado. Faz ela deslizar, com passes de peito de pé, inversões, toques de trivela, girinhos e finalizações entrando em diagonal.

É tão importante quanto um meia na criação. Por isso considero que ele tem tudo para ser eleito o melhor jogador do mundo em um futuro próximo. Se não houver preconceito em relação à sua posição. Ele e outros como Mohamed Salah, estão no páreo.

Já pode até dividir com Nilton Santos o título de melhor lateral-esquerdo brasileiro de todos os tempos. Nilton também nunca foi deslocado para o meio. Apenas para a zaga.

Além do mais, Marcelo, que pode ganhar sua quarta Champions League, tem tudo para se destacar na Copa do Mundo. Isso sim será determinante. Que os adversários não nos ouçam, mas, com Marcelo, o Brasil não é mesmo apenas Neymar.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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