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Tensões políticas abalam futebol no Irã e no Iraque

Campeonato iraquiano está interrompido e o iraniano vive instabilidade, com profissionais estrangeiros deixando suas equipes, por falta de pagamento

Nosso Mundo|Eugenio Goussinsky, do R7

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Jahanbakhsh faz golaço
Jahanbakhsh faz golaço

O jornalista Alberto Helena Júnior me disse um dia que o futebol é a metáfora da guerra. Os termos em geral acabaram sendo tirados da linguagem das trincheiras. Seria uma maneira de se sublimar os ímpetos agressivos do ser humano, canalizando-o para o jargão desportivo.

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Acontece que, nos últimos tempos, isso descambou para o exagero. As coisas se misturaram e a violência que era para ser transformada, mantendo-se dentro de um discurso até de promoção do jogo, acabou transbordando e se misturando à própria atividade.

Quando não surge em gestos, por meio das brigas de torcedores ou de jogadores, ela se manifesta no discurso de técnicos, jornalistas e de todo o meio, de uma maneira geral.


Os repetidos chavões belicosos que se inseriram no Esporte passaram não só a indicar uma falta de criatividade como a refletir algo de uma sociedade atormentada.

Quem faz gol é matador. O time recebeu uma blitz do adversário, ou melhor, do inimigo. O zagueiro foi detonado pelo atacante, que fuzilou o goleiro.


Irã e Iraque, no entanto, são exemplos de países que vivenciam na prática o que, para um mundo distante, e alienado, esconde, sob uma falsa aparência de alegoria e brincadeira, uma pulsão de morte, que mais tem servido como instrumento de descarrego de frustrações. Isso precisa ser repensado apesar de que, na prática, irá arrefecer com muito mais facilidade quando o próprio ímpeto de violência arrefecer entre as pessoas.

O bombardeio dos Estados Unidos que matou o comandante iraniano Qasem Soleimani e militares iraquianos, assim como as respostas iranianas a bases americanas, não interromperam diretamente o calendário do campeonato nacional no Irã, cuja Primeira Divisão está no intervalo de inverno, conforme conta o jornal Marca. As quartas de final da Copa do Irã, no entanto, foram adiadas.


Está previsto que o campeonato seja retomado no próximo dia 17. Mas o embargo contra o regime de Teerã tem afetado o futebol local de forma decisiva.

Quinta liga mais poderosa da Ásia, de acordo com a AFC (Confederação Asiática de Futebol), atrás apenas dos torneios nacionais da China, Japão, Arábia Saudita e Catar, o campeonato iraniano vive instabilidade, com profissionais estrangeiros deixando seus clubes por falta de pagamento.

Foi assim com o técnico Andrea Stramaccioni, do Esteghlal, um dos maiores clubes do país. O treinador ficou sem receber por causa de falhas na operação que transferia o dinheiro iraniano para os Emirados Árabes e, de lá, para bancos estrangeiros. 

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O Marca contou também que o belga Marc Wilmots, ex-técnico da seleção iraniana, foi outro que saiu, alguns meses depois de assumir, porque seu banco não recebeu o dinheiro iraniano.

Já o Iraque, que vive uma situação de conflito entre grupos e manifestações contra o governo, interrompeu o campeonato no fim do ano passado. E não deve ver o futebol retornar tão cedo.

Em relação às seleções, ambas vêm cumprindo os compromissos até agora. O Irã vive uma boa fase, com uma safra de jogadores de nível, que chamaram a atenção nas duas últimas Copas do Mundo.

No próximo mês de junho, haverá um confronto entre Irã x Iraque. Calma, será no campo, pelas Eliminatórias para o próximo Mundial.

Para a população iraquiana, por exemplo, não ficará bem ouvir comentários de que o iraniano Jahanbakhsh, que no início do ano fez um golaço pelo Brighton, enviou um míssil ao gol adversário. Há lugares no mundo em que as metáforas são dispensáveis.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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