Análise: por que Moraes liberou a prisão humanitária domiciliar para Bolsonaro
Caso ministro não concedesse a prisão domiciliar a Bolsonaro, oposição iria lutar ainda mais pelo impeachment
Quarta Instância|Gabriela Coelho e Leonardo Meireles, do R7, em Brasília
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O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes autorizou nesta terça-feira (24) a prisão domiciliar humanitária temporária do ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida terá duração de 90 dias a partir do momento em que Bolsonaro receber alta do hospital.
Na madrugada de 13 de março, Bolsonaro passou mal na cela, com febre, vômitos e queda na saturação de oxigênio. A equipe médica constatou broncopneumonia aspirativa e determinou internação imediata. Exames revelaram progressão rápida das alterações pulmonares.
Moraes considerou a gravidade do quadro, a idade do ex-presidente — 71 anos — e a presença de comorbidades. Citou literatura médica para justificar que a recuperação de pneumonia bilateral em idosos pode levar entre 45 e 90 dias, exigindo ambiente controlado e cuidados específicos para evitar sepse (infecção generalizada).
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Os bastidores
A decisão foi além da questão médica e teve peso político. Flávio e Michelle Bolsonaro foram pessoalmente falar com Moraes — gesto incomum para um ministro conhecido por blindar suas decisões contra pressões externas.
Após a internação, pessoas próximas ao ministro relatam que ele passou a reavaliar se sua rigidez em relação ao ex-presidente não estava indo longe demais.
A PGR (Procuradoria-Geral da República) também contribuiu para destravar a decisão, manifestando-se a favor da prisão domiciliar.
O ministro está no centro das atenções do escândalo que envolve o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira. Se o ministro não concedesse a prisão domiciliar a Bolsonaro, a oposição iria lutar ainda mais pelo impeachment do magistrado.
A autorização também pode acalmar os ânimos e tirar Moraes do alvo de aliados de Bolsonaro.
Integrantes do STF relatam que Moraes, ao conceder a domiciliar, pode ter tirado um peso das costas caso algo pior acontecesse com o ex-presidente, como morte.
As regras
Bolsonaro ficará em casa com tornozeleira eletrônica. Celular, redes sociais e gravação de vídeos estão proibidos. Visitas de terceiros ficam suspensas por 90 dias.
Michelle, a filha Laura e a enteada Letícia têm livre acesso por morarem no mesmo endereço. Os filhos Flávio, Carlos e Jair Renan poderão visitar o pai às quartas e sábados.
A Polícia Militar do DF seguirá responsável pela segurança. Manifestações num raio de 1 km da residência estão proibidas.
O descumprimento de qualquer regra leva ao retorno imediato ao regime fechado.
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