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Auxílio-reclusão: governo reduziu em 70% número de benefícios pagos a presos na última década

Em 2016, 26 mil pessoas receberam auxílio-reclusão e montante caiu para 7 mil no ano passado; Previdência não explica recuo

R7 Planalto|Edis Henrique Peres, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O governo reduziu em 70% o auxílio-reclusão para dependentes de presos na última década.
  • Em 2016, 26.585 pessoas receberam o benefício; em 2022, o número caiu para 7.329.
  • O auxílio é pago somente aos dependentes dos presos, que devem ter contribuído para o INSS.
  • A maior parte da população carcerária brasileira não tem direito ao benefício devido à falta de contribuições anteriores.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Benefício concedido a familiares de presos caiu para 7 mil contemplados Antônio Cruz/ABr - arquivo

O governo federal reduziu em 70% o número de benefícios concedidos a familiares de presos na última década. De acordo com dados levantados pelo R7 Planalto, via Lei de Acesso à Informação, em 2016 o Executivo liberou o auxílio reclusão para 26.585 pessoas; o montante caiu, contudo, para 7.329 ano passado.

A reportagem, ao longo de todo o mês de fevereiro, acionou o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e o Ministério da Previdência para entender o motivo da queda. Após mais de 30 dias de apuração, contudo, nenhuma das pastas se manifestou.


Benefícios concedidos reduziu de 26 mil para 7 mil em dez anos Luce Costa/Arte R7

Marcelo Almeida Alves, advogado criminal, explica que o auxílio-reclusão não é um benefício pago diretamente ao preso, mas sim aos seus dependentes. “É comum ouvir falar que o preso recebe esse valor, quando na verdade quem recebe são seus dependentes e, quando preenchidos os requisitos legais: esposa, filhos ou pais. O preso não tem acesso a esse valor”, pontua.


O especialista explica, ainda, que não são todos os dependentes de presidiários que têm direito. O benefício é restrito àqueles que “contribuem junto ao INSS, dentro do limite mínimo de carência a qual determina a legislação previdenciária”.

“Atualmente, apenas cerca de 7% a 10% da população carcerária brasileira tem dependentes que recebem o benefício, pois a maioria não contribui para o INSS antes de ser presa”, diz.


Marcelo também desmente a informação de que o valor aumenta para cada filho. “O valor é de 1 salário mínimo, dividido entre todos os dependentes. Se houver 5 filhos, cada um recebe uma parte desse único salário”.

Para ter acesso ao benefício, o pedido deve ser feito pelo portal Meu INSS, com apresentação dos documentos que comprovem a situação carcerária. “O valor a ser recebido geralmente tem por base cálculos feitos partindo da contribuição feita pelo preso antes de adentrar ao recinto carcerário, de modo que tem variação de pessoa para pessoa”, finaliza.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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