Fiemg defende política industrial para minerais críticos após acordo Mercosul–UE
Como a segunda maior reserva mundial desses minerais está em Minas Gerais, Brasil ganha relevância na corrida global
R7 Planalto|Ana Isabel Mansur, do R7, em Brasília
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A Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) avalia que o acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia vai testar a estratégia industrial do Brasil no setor de minerais críticos.
O grupo, porém, reforça a necessidade de uma política nacional voltada à agregação de valor, e não apenas à exportação de commodities.
Segundo a entidade, embora o texto do acordo preserve o direito brasileiro de adotar políticas industriais — inclusive com a possibilidade de taxar ou restringir exportações de minerais críticos em até 25% —, a redução de tarifas comerciais tende a favorecer a venda de minério bruto se não houver uma estratégia clara de industrialização da cadeia.
A Fiemg sustenta que o Brasil precisa disputar etapas mais rentáveis do processo, como o refino e a produção de insumos para baterias, ímãs permanentes e tecnologias ligadas à transição energética, em um cenário de crescente pressão internacional por terras raras, hoje dominadas pela China.
Com a segunda maior reserva mundial desses minerais concentrada majoritariamente em Minas Gerais, o país ganha relevância na corrida global, que envolve tanto a União Europeia quanto os Estados Unidos, interessados em reduzir dependências externas e garantir segurança energética.
A Fiemg também articula a criação de um hub tecnológico internacional para baterias e eletrificação, reforçando o protagonismo mineiro na agenda dos minerais estratégicos.
Veja nota da Fiemig:
A pressão europeia por minerais críticos vai testar ainda mais a estratégia industrial do Brasil, que deve decidir entre industrializar a cadeia de minerais críticos ou acelerar a exportação de commodities, em meio à corrida global por terras raras. O entendimento da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) é que, embora o acordo assinado entre o Mercosul e a União Europeia proteja a criação de uma política industrial brasileira, a redução de tarifas comerciais favorece a exportação.
No acordo firmado entre Mercosul e União Europeia, depois de quase 25 anos de conversas, o Brasil preservou o direito de adotar políticas industriais no setor, incluindo a possibilidade de restringir ou taxar exportações de minerais críticos, com alíquotas de até 25%, para estimular o processamento, o refino e o beneficiamento no país.
Na prática, esse ponto abre espaço para que o Brasil dispute etapas mais rentáveis da cadeia — como a produção de insumos para baterias, ímãs permanentes e tecnologias de transição energética — em vez de se limitar à venda de minério bruto.
A FIEMG entende que o país terá que enfrentar desafios de tecnologia, regulamentação e investimento para reduzir a dependência da China e aproveitar a transição energética global.
O mundo inteiro está em busca de terras raras por serem cruciais para a tecnologia moderna, especialmente para produtos eletrônicos, energias renováveis e de defesa comercial. No momento, a China domina a produção e o refino, enquanto o Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras, concentrada majoritariamente em Minas Gerais.
Além da busca dos europeus por minerais de extração e processamento complexos e caros, os Estados Unidos também estão na corrida por esses insumos. Donald Trump mira a Groenlândia, a maior ilha do planeta, que abriga algumas das mais ricas reservas de recursos naturais do mundo, incluindo matérias-primas essenciais como lítio e elementos de terras raras (ETRs), fundamentais para tecnologias verdes, além de outros minerais e metais valiosos.
Três dos depósitos de ETRs da Groenlândia, localizados sob o gelo, podem estar entre os maiores do mundo em volume, com grande potencial para a fabricação de baterias e componentes elétricos essenciais para a transição energética global.
Diante dessa realidade e após a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, o Brasil demonstra interesse crescente em explorar esse potencial estratégico para diversificar mercados, atrair investimentos e criar uma cadeia produtiva nacional.
CIT SENAI ITR e hub tecnológico
A FIEMG está na vanguarda do setor de minerais estratégicos ao investir no Instituto de Terras Raras do Centro de Inovação e Tecnologia (CIT SENAI ITR), em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, espaço dedicado à pesquisa, ao beneficiamento e ao desenvolvimento de novas tecnologias ligadas a materiais críticos.
Trata-se da primeira fábrica de ímãs permanentes da América Latina, marco inicial de um projeto pioneiro voltado ao desenvolvimento de ímãs de terras raras no estado e à otimização da produção de produtos de nióbio e terras raras em Belo Horizonte, Itaúna e Lagoa Santa.
Em dezembro de 2025, o CIT SENAI ITR produziu, de forma experimental, o primeiro lote de ímãs de terras raras, com peso entre 5 e 10 quilos. A produção prossegue em 2026 ainda em baixo volume.
Segundo André Pimenta, coordenador de pesquisa do instituto, a iniciativa representa um grande marco e permitirá aos pesquisadores compreender cada etapa do processo produtivo dos ímãs sem custos elevados. “Em 2026, o instituto irá aprimorar a qualidade do ímã, customizando-o conforme as diferentes aplicações industriais. Vale lembrar que o SENAI não pode comercializar o material”, afirma.
O CIT SENAI ITR segue utilizando matérias-primas da China, mas há perspectiva, ainda que em pequena escala, de uso de insumos nacionais ainda em 2026. Inicialmente, o material deverá ser fornecido por três mineradoras integrantes do projeto MagBras, do qual o instituto também participa.
Em relação à infraestrutura, o Sistema FIEMG negocia a aquisição de um equipamento estratégico: um forno de redução eletrolítica, capaz de transformar óxidos de terras raras em metais. O equipamento permitirá uma operação em escala intermediária entre o projeto piloto e o nível industrial, representando um passo importante para o ITR e o MagBras.
Além do ITR, em dezembro passado, a FIEMG negociou, no Reino Unido, a criação de um hub tecnológico voltado a baterias e eletrificação. A proposta foi apresentada durante missão internacional liderada pelo presidente da entidade, Flávio Roscoe, que discutiu o futuro da mobilidade elétrica, o uso responsável de matérias-primas e as possibilidades de integração entre países da América do Sul e o Reino Unido.
O hub deverá reunir centros de pesquisa, universidades, empresas e instituições industriais, com foco na inovação de soluções para baterias, eletrificação e economia verde.
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