Governo estuda endurecer regras do uso de agrotóxicos próximo a territórios indígenas
Pesquisas de universidades brasileiras já identificaram contaminação em água de aldeias indígenas
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O governo federal criou um Grupo de Trabalho para mediar os conflitos causados pela contaminação por agrotóxicos nas terras indígenas de Guarani e Kaiowá, no Mato Grosso do Sul. A medida é do Comitê Gestor Interministerial do Pronara (Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos).
Em 180 dias, o grupo deve apresentar recomendações para reduzir os riscos de contaminação por essas substâncias. Uma das atribuições dos técnicos é avaliar a necessidade de criação de áreas próximas às terras indígenas onde a pulverização aérea de agrotóxicos será mais restrita do que o previsto na legislação atual.
Além disso, o grupo também deve propor medidas para monitorar e verificar irregularidades no uso desses ativos próximo às terras indígenas. No processo, os membros devem consultar as comunidades indígenas e pensar em estratégias para garantir a segurança alimentar desses povos.
Água contaminada
Um estudo realizado pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) entre 2021 e 2022 nas comunidades de Guyraroká e Jaguapiru, identificou diversos ingredientes ativos poluindo amostras de água das duas comunidades, tanto em rios e nascentes, como em poços e águas da chuva ou torneira.
O agrotóxico mais frequente foi o Fipronil detectado em 68,8% das amostras, seguido pelo 2,4-D (62,5%), Clomazona (56,3%), Atrazina (50,0%), além de Diuron e Simazina (ambos em 43,8%).
O estudo também apontou que cerca de 68% dos ingredientes ativos encontrados são proibidos na União Europeia devido aos seus efeitos adversos à saúde e ao meio ambiente.
Além disso, foi detectado o Carbofurano na água da chuva, uma substância que é proibida inclusive no Brasil por ser considerada teratogênica (com capacidade de causar anomalias no feto) e danosa ao sistema reprodutivo.
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