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Metade dos pacientes com câncer de próstata no SUS demoram mais de 60 dias para começar tratamento

No ano passado, pelo menos 12,7 mil pacientes esperaram mais de quatro meses para iniciar tratamento adequado

R7 Planalto|Edis Henrique Peres, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Quase 50% dos pacientes com câncer de próstata no SUS em 2024 esperaram mais de 60 dias para iniciar o tratamento.
  • No ano passado, 42 mil homens foram diagnosticados, 24% iniciaram o tratamento antes de 60 dias.
  • A Lei nº 12.732, desde 2012, determina que o tratamento deve começar em até 60 dias após o diagnóstico.
  • O Ministério da Saúde está ampliando a capacidade de diagnóstico e tratamento, incluindo programas para agilizar atendimentos e investimentos em oncologia.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Levantamento exclusivo feito pelo R7 Planalto revela demora por tratamento Marcelo Camargo/Agência Brasil - arquivo

Quase 50% dos pacientes diagnosticados com câncer de próstata no SUS em 2024 demoraram mais de 60 dias para iniciar um tratamento adequado. Os dados são de levantamento exclusivo feito pelo R7 Planalto, através do sistema de dados abertos do Ministério da Saúde e confirmados pela pasta.

Ao todo, no ano passado foram 42 mil homens diagnosticados com neoplasia maligna da próstata, o câncer de próstata. Desses, 24% iniciaram tratamento antes de 60 dias, 27% não tiveram detalhamento do tempo de espera, e 49% demoraram mais de dois meses para iniciar o combate à doença.


Desses 49%, há aqueles que esperaram quase um ano para ter acesso a uma intervenção médica. Veja raio-x feito pela R7 Planalto:

Metade dos diagnosticados precisam esperar mais de dois meses para tratamento Luce Costa/Arte R7

Vale lembrar que desde 2012 está em vigor a Lei nº 12.732, que obriga o SUS a iniciar o tratamento de pacientes com câncer — seja cirurgia, radioterapia ou quimioterapia — em no máximo 60 dias após o diagnóstico confirmado por laudo patológico. O objetivo é evitar que esses pacientes fiquem em longas esperas que podem agravar o quadro de saúde.


O oncologista e Coordenador de Oncologia do Hospital Santa Lúcia Norte, da Asa Norte (DF), Rafael Amaral, destaca que a detecção precoce e início rápido do tratamento aumentam muito as chances de cura e preservam a qualidade de vida.

“O câncer de próstata, com alta prevalência, demanda rastreamento constante para identificar casos agressivos em tempo hábil, protegendo a saúde dos homens em larga escala. O cuidado integral com a saúde masculina, incluindo prevenção, exames regulares e acesso rápido ao tratamento no SUS, é essencial para evitar mortalidade precoce e complicações severas decorrentes da doença”, explica.


O que diz o ministério?

Ao longo de mais de um mês o R7 Planalto enviou demandas via Lei de Acesso à Informação e via imprensa para o Ministério da Saúde para levantar os dados explorados nesta série de reportagens Saúde do Homem. Após sucessivas tentativas, a reportagem extraiu as informações pelo sistema Tabnet e questionou a pasta sobre o tempo de espera.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que tem expandido a capacidade de diagnóstico e tratamento da doença. “Nos últimos dois anos (2023-2024), foram realizados mais de 547 mil diagnósticos de câncer - um crescimento de 20% em relação ao período anterior. Desde 2023, já foram adquiridos 53 aceleradores lineares no âmbito do Programa Radioterapia, desde 2023”, disse.


A pasta acrescentou que o Programa de Expansão da Radioterapia no SUS (Persus II) prevê mais 40 equipamentos de radioterapia e a incorporação gradual de novas tecnologias em saúde.

“Desde 2019, o SUS realizou 285,9 mil procedimentos relacionados ao câncer de próstata. Esse número inclui atendimentos ligados às neoplasias malignas do pênis (CID 60), da próstata (CID 61), dos testículos (CID 62) e de outros órgãos genitais masculinos”, afirmou.

Recentemente, a pasta também lançou o programa Agora Tem Especialistas, iniciativa que pretende agilizar os atendimentos no SUS. O programa funciona com parceria com estados, municípios e hospitais privados, permitindo que os pacientes da rede pública realizem consultas, exames e cirurgias na rede particular.

O atendimento é realizado em troca do abatimento das dívidas tributárias com o governo.

“O orçamento destinado à oncologia cresceu 48%, passando de R$ 5,1 bilhões para R$ 7,5 bilhões entre 2022 e 2024, com expectativa de alcançar valores ainda maiores neste ano com o programa Agora Tem Especialistas”, diz a pasta.

Segundo o ministério, o programa também vai implementar o Super Centro Brasil de Diagnóstico de Câncer, que terá capacidade para realizar análises de até 1.000 laudos diagnósticos por dia, com prazo máximo de 5 dias para emissão do laudo. “O objetivo é reduzir o tempo de diagnóstico até o tratamento no SUS”, explica.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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