Soberania passa por segurança digital, mas Brasil enfrenta falta de cultura no tema, avalia secretário do GSI
André Molina explica que questão ainda é subdimensionada nos países latinos e destaca importância de mudar visão da sociedade
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O Brasil enfrenta hoje o desafio de incluir a segurança digital como pauta prioritária não apenas para o governo, mas para a própria população. Na avaliação do secretário de Segurança da Informação e Cibernética do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), André Luiz Molina, o país, assim como toda a América Latina, passa por uma “falta de cultura” sobre o tema.
É justamente nessa mudança de paradigma que Molina quer atuar no comando da pasta, de acordo com entrevista exclusiva concedida ao R7 Planalto. “A América Latina ainda sofre de uma falta de cultura muito grande, da sociedade e até dos gestores, tanto públicos como privados, sobre priorização da segurança cibernética”, afirma.
O tema, para o secretário, é fundamental inclusive para a soberania nacional. Mas para isso, é preciso ensinar a população sobre os cuidados com aplicativos e com senhas, por exemplo, para promover uma mudança estrutural que atinja as instituições e a população.
“Fizemos duas avaliações que são realizadas pela Universidade de Oxford aqui no Brasil, que avalia o nível de maturidade nacional. E essa avaliação leva em conta vários fatores, não apenas a parte governamental, mas o entendimento da população sobre o tema”, explica.
A partir dos resultados dessa pesquisa, o GSI estruturou a Estratégia Nacional de Cibersegurança, que lista entre os objetivos:
- Garantir a confidencialidade, integridade, autenticidade e a disponibilidade dos hardwares, softwares e dados utilizados para processamento, armazenamento e transmissão eletrônicos ou digitais de informações;
- Promover a soberania nacional e a priorização dos interesses nacionais;
- Estimular a proteção cibernética e a gestão de riscos para prevenir e neutralizar vulnerabilidades, ataques e incidentes cibernéticos e seus impactos;
- Desenvolver a educação, a cultura e a capacidade técnico-profissional em cibersegurança;
- Garantir a autonomia produtiva e tecnológica na área de cibersegurança; e
- Identificar o combate aos crimes cibernéticos.
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Quebrando paradigmas
Molina desconstrói a ideia de que usar produtos estrangeiros seja uma fragilidade para a nação. “Vemos muitas percepções de que se um produto é feito no estrangeiro, ele está sujeito a interferência da nação detentora daquela empresa. Mas não é bem assim. Existem leis que determinam esses arranjos tecnológicos e que asseguram a confiança de que a solução é isenta de interferência estrangeira”, observa.
Ele cita o exemplo do modelo europeu. “Eles estão utilizando a nuvem AWS [Amazon Web Services] customizada. Eles criaram data centers completamente isolados, ou seja, as atualizações só são feitas por meio do pessoal que trabalha no local, e eles asseguram que esses trabalhadores são cidadãos europeus”, explica.
Molina pontua que não apenas a União Europeia seguiu esse caminho, mas também Austrália, Singapura e Alemanha estruturam soluções semelhantes.
“Se pensarmos: ah, o Brasil não tem essa tecnologia, então a gente vai viver na época das cavernas? Ou vamos procurar uma solução com um arranjo tecnológico que assegure que essa solução adotada por nós, seja lá qual for a marca ou o fabricante, vai ter a segurança de ser isolada tecnologicamente e sem possibilidade de interferência por uma agência de inteligência de outro país?”, questiona.
Para o secretário, os acordos internacionais e a tecnologia já desenvolvida em outros países não devem ser descartados quando falamos de cibersegurança.
Digitalização
Molina também explicou as inovações feitas recentemente pela pasta, como a publicação de uma instrução normativa que permite que informações classificadas como reservado e secreto (sigilo de 5 anos e 15 anos respectivamente) sejam manipuladas também na nuvem, e não apenas fisicamente. A exceção são as informações ultrassecretas, com sigilo de 25 anos, que continuam com essa restrição.
O titular de Segurança da Informação pontua, no entanto, que este acesso não é geral. “Uma nuvem privada é quando você, a sua empresa ou organização, tem um data center próprio e lá você estabelece a sua nuvem. Ou você faz acordo com uma empresa vizinha e constrói um data center juntos. Ou seja, há delimitado o público-alvo que pode acessar essas informações”, detalha.
O secretário acrescenta ainda que em casos de acordos internacionais, a legislação prevê equiparação dos níveis de segurança da informação.
“Esses acordos estabelecem uma equiparação. O que o nível de proteção brasileira equivale ao nível do outro país? Para garantir que apenas autoridades da mesma ‘equivalência’ tenham acesso”, acrescenta.
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