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Violência doméstica: estados sem política de cotas para vítimas registram 180 casos por dia

Nove estados ainda não oferecem vagas de emprego às mulheres vítimas de violência, mas seis querem aderir

R7 Planalto|Edis Henrique Peres, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Nove estados brasileiros ainda não oferecem cotas para mulheres vítimas de violência, com 67.688 denúncias registradas em 2025.
  • Cinco estados firmaram compromisso de adotar a política de cotas do MGI, que determina 8% de vagas para mulheres em situação de violência.
  • Santa Catarina informou que está finalizando a adesão à política e já possui outras ações em funcionamento para enfrentar a violência contra mulheres.
  • O governo de São Paulo destacou investigações e ações que melhoraram a empregabilidade feminina, incluindo redução da taxa de desemprego e programas de capacitação e apoio financeiro.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Iniciativa do governo federal tenta oferecer vagas de emprego para autonomia de vítimas de violência Geovana Albuquerque/Agência Brasília - arquivo

Os nove estados brasileiros que ainda não adotaram a criação de vagas na administração pública para mulheres vítimas de violência doméstica registraram juntos uma denúncia de violência a cada oito minutos ao longo de 2025, ou seja, 180 casos por dia. Ao todo, segundo levantamento feito pelo R7 Planalto no painel de dados do Ligue 180 - Canal de Atendimento à Mulher, foram 67.688 denúncias registradas ao longo do ano passado.

Conforme revelou a coluna, a Política de Cotas para Mulheres em Situação de Violência Doméstica em Contratações Públicas foi criada pelo MGI (Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos) em 2023. Basicamente, a medida obriga que empresas contratadas pelo governo federal reservem ao menos 8% das vagas de trabalho para esse público.


Dos nove estados ainda sem adesão, no entanto, quatro entes federativos firmaram compromisso de adotar à política: Roraima, Minas Gerais, Mato Grosso, Pernambuco e Sergipe. Já Mato Grosso do Sul está em processo de adesão.

Outros três estados, contudo, não sinalizam adesão ao processo: Rondônia, Paraná, São Paulo. Santa Catarina, por sua vez, ao ser acionada pela coluna, disse que está em trâmite com a adesão.


A coluna acionou as secretarias da unidades da federação (veja posicionamento de São Paulo e Santa Catarina abaixo), no entanto, Rondônia e Paraná não responderam até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

Nove estados ainda não aderiram a medida que garante vagas para mulheres vítimas de violência Luce Costa/ Arte R7

Processo prestes a ser concluído

A Secretária de Assistência Social, Mulher e Família de Santa Catarina informou que já assinaram uma minuta de adesão à política de vagas que deve ter o processo concluído nos próximos dias. A pasta também informou outras ações realizadas, como um acordo de cooperação com o Ministério Público catarinense para a implantação de 32 Núcleos de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas, voltados ao atendimento de vítimas de violência doméstica, entre outros crimes.


Segundo o estado, a medida “oferece acolhimento e proteção, atendimento humanizado e acesso a diversos serviços, incluindo o encaminhamento ao mercado de trabalho para vagas como essas previstas na reserva de 8% para órgãos federais em Santa Catarina”.

A pasta destacou, ainda, que em âmbito estadual possui a Lei nº 18.300/2021 que prevê a reserva de, no mínimo, 5% das vagas de trabalho para mulheres em situação de vulnerabilidade econômica decorrente de violência doméstica e familiar.


“A lei se aplica em todos os editais de licitação para contratação de empresas que prestam serviços contínuos e terceirizados à Administração Pública Estadual (direta, autárquica e fundacional)”, acrescenta.

O estado também citou ações antigas como o Botão do Pânico e o Plano Estadual de Combate à Violência Contra as Mulheres, “uma das bandeiras do plano de governo do governador Jorginho Mello que tem ações previstas de 2025 a 2035.”

“O plano estabelece uma política pública estruturada, integrada e permanente, construída com a participação das Secretarias de Estado da Segurança Pública, Assistência Social, Mulher e Família, Educação e das Forças de Segurança. São cinco eixos estratégicos que abrangem prevenção e educação, atendimento e proteção, responsabilização e reeducação dos agressores, monitoramento, produção de dados e avaliação”, cita.

A pasta elenca, ainda, o programa Catarinas por Elas, iniciativa que envolve as mulheres do primeiro escalão do governo e a vice-governadora, Marilisa Boehm.

“A ideia é juntar todas as ações do governo que já vinham sendo feitas para proteger as mulheres, contra o feminicídio, contra a violência, e puxar essas ações diretamente pro gabinete do governador, através da Secretaria de Governo”, detalha.

A pasta cita também ações de conscientização e promoção de um ambiente seguro para as mulheres, e a reestruturação das Delegacias de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso de todo o estado, com a criação de 26 novas unidades.

Proteção e dignidade

O governo de São Paulo, por sua vez, afirmou que vem investindo em ações que garantam às mulheres em situação de violência doméstica proteção e dignidade visando garantir saúde, segurança e autonomia financeira. As medidas são articuladas principalmente pela Secretaria de Políticas para a Mulher.

“Nesse sentido, o Estado de São Paulo tem se destacado com o aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho. Com destaque para as políticas públicas de incentivos e programas de capacitação que garantem mais vagas de trabalho para mulheres, fomentam o empreendedorismo feminino e apoiam pesquisadoras na ciência e tecnologia”, informa.

A pasta citou que, em 2025, “São Paulo foi o estado líder na ocupação de contratações femininas no Brasil”. “No recorte dos últimos 10 anos, o estado registrou um crescimento de 17% na empregabilidade feminina. Com isso, o grupo de mulheres ocupadas em São Paulo aumentou o equivalente a 1,6 milhão de pessoas”, detalhou.

Segundo o governo paulista, houve também redução da taxa de desemprego entre as mulheres (7,1%), que registrou o menor índice em 12 anos.

“Além disso, o Governo de São Paulo também adota outras ações que visam dar proteção e garantir essa autonomia financeira das mulheres em situação de violência doméstica, como é o caso do auxílio-aluguel, que foi implementado por meio do Decreto nº 68.371/24, que assegura o direito da mulher a ter um espaço de proteção fora do alcance do agressor”, acrescentou.

O governo de São Paulo pontuou que oferece linhas de crédito acessíveis para mulheres empreendedoras por meio do Banco do Povo e da Desenvolve SP. “Nos dois primeiros anos da gestão, 2023 e 2024, o Governo liberou R$ 331,6 milhões em crédito para negócios femininos”, disse.

A pasta também pontua que o governo oferece cursos de capacitação e qualificação profissional de forma gratuita que já contaram com mais de 100 mil mulheres qualificadas. As principais iniciativas são:

  • Escolas de Qualificação Profissional do Fundo Social de São Paulo – Cursos de gastronomia, moda, beleza, administração, informática e mais.
  • Qualifica SP – Programas gratuitos voltados ao primeiro emprego, recolocação profissional e empreendedorismo.
  • Carretas do Empreendedorismo – Capacitação móvel em gestão de negócios e finanças.

Segundo a secretária, “São Paulo foi pioneiro no uso de tornozeleiras eletrônicas para monitorar agressores, que já ultrapassam 1.100 indivíduos com o dispositivo e 120 foram presos por descumprirem a restrição”.

“A geolocalização e a integração de tecnologias já permite resposta 20 vezes mais rápida da polícia nos deslocamentos para socorrer vítimas, graças à conexão direta com policiais treinadas da Cabine Lilás”, finaliza.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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